Poucos países acumularam, em tão pouco tempo, know-how avançado em concreto armado como o Brasil. Em 1926, a Marquise da Tribuna de sócios do Jockey Club do Rio de Janeiro já detinha o recorde de balanço, com 22,4 m. Em 1930, era vez do Elevador Lacerda, em Salvador, despontar com 59 m de elevação. Também em 1930, o pioneiro Emilio Henrique Baumgart inaugurava a Ponte de Herval, depois Ponte Emilio Baumgart, sobre o rio do Peixe, em Herval d'Oeste (SC), com 68 m de vão.Na mesma época, Rio de Janeiro e São Paulo brigavam pelo recorde de maior arranha-céu brasileiro: no centro da capital fluminense, o Edifício A Noite e, na então emergente metrópole paulista, o Martinelli. A partir da década de 50, o Brasil se consolida no cenário internacional da engenharia de concreto armado: edifícios, rodovias, barragens e pontes ganham holofotes internacionais e, anos mais tarde, levam empresas brasileiras para todas as partes do mundo. Essa história antevê capítulos ainda mais transformadores. A industrialização da construção, em especial com os pré-moldados, parece inevitável; resistências e durabilidades inimagináveis dependem apenas de aditivos, adições e uma boa dose de experiência, e o concreto autoadensável reforça a linha dos concretos "amigáveis", que trabalham para as fôrmas e para as formas das novas gerações de arquitetos. Esta edição conta um pouco de cada coisa e ainda dá voz ao engenheiro civil, projetista e consultor de estruturas Francisco Oggi, um dos maiores entusiastas da industrialização do setor. O momento de reflexão coincide com os 60 anos de história da PINI, motivo de uma edição especial da revista Construção Mercado, que nasceu em 1948, com o nome "Informador Profissional - A Construção em São Paulo".