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| Atualizada há três anos, a NBR 6118 trata das responsabilidades em projetos estruturais, como em relação a escoramentos e reescoramentos, mas ainda apresenta dificuldades de interpretação e dá margens a conflitos |
Essa é a tendência?
As pessoas têm uma visão imediatista. Começamos a trabalhar agora e demora um pouco para estabilizar o sistema e tudo funcionar direito novamente. A norma adaptou relações de segurança e qualidade com custo,mas o construtor pensa apenas na curva de desembolso, e a confunde com o custo. Pensa em caixa, mas existe outra curva, a da manutenção, cujos custos andam na contramão do desembolso. Assim, o custo total é a soma dessas curvas, que a norma procura calibrar. Isso vale para o usuário final e o próprio construtor enquanto houver a garantia.
Aí que entra o código de defesa do consumidor?
Essa é uma lei que pegou forte no Brasil e o construtor está sendo chamado para responder. O sobrecusto de manutenção, que antes jogava para o cliente, está caindo no bolso dele de volta. Há advogados especialistas em assessorar os condomínios e pegar o construtor. Olhando sob esse aspecto, ela introduz uma bruta economia, porque, segundo a outra norma, havia obras que poderiam vir a dar problemas já após dez anos. A norma atual tem expectativa de 50 anos.
Está mais ousada em relação à durabilidade?
Prevê uma vida útil maior do que a norma anterior efetivamente alcançava. Não sabemos se as obras vão durar 50 anos, mas a norma propõe resistências e cobrimentos com valores de,no mínimo,o dobro da anterior. Isso é dinheiro e alguém pagava essa conta. Há subsolos de prédios com 15 anos corroídos, com armaduras expostas e diversos problemas. Isso dificilmente vai ocorrer, a menos que haja erros executivos.
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| Em alguns pontos a norma vigente tornou o dimensionamento mais econômico e, até mesmo, ousado. No entanto, são necessários ajustes para absorver as informações obtidas com a aplicação prática do texto |
A evolução tecnológica, cada vez mais rápida, é considerada?
Sem dúvida, mas estamos num ritmo muito rápido de evolução e não sei se temos como absorver tanta informação. O grande problema da construção civil é entregar para o cliente o protótipo, o que não acontece com a engenharia automobilística, por exemplo, que investe em projetos e testes antes de colocar no mercado. É ridículo o que se investe em projeto e pesquisa na construção civil e, mesmo assim, conseguimos bons desempenhos.
Mais tecnologia não minimizaria esse risco?
Com muitas novidades, não há tempo hábil para testar e verificar o desempenho. Numa obra há milhares de itens, com vários tipos de materiais e equipamentos. Se mexer em muitas variáveis em paralelo, não há controle do que dá certo ou errado, pois o ciclo de resposta é muito longo. Também não são feitas medidas fiéis e confiáveis de desempenho e não há investimento em pesquisa e acompanhamento para transformar isso em conhecimento.
De que maneira deveria funcionar para que fosse seguro?
Seguro é, pois não temos tido grandes problemas. Refiro-me à implementação da inovação.Há novidades em materiais e adições para concreto, mas que geram insegurança. Como as obras não são seriadas, deveríamos monitorar para acompanhar o desempenho das estruturas e não ficarmos apenas com a parte teórica do conhecimento, sem comprovação cientifica.
Com tal ciclo de produção, o retorno sobre o desempenho da NBR 6118 ainda não existe?
Ainda é cedo para isso, considerando um ciclo de projeto de seis meses, depois dois ou três anos para a construção e, daí, o pós-ocupação, com mais dois ou três anos. São de sete a dez anos para ter retorno sobre aquilo que foi feito, sob o aspecto do desempenho.
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