Busca     Arquivo
 
Assine Cadastro Newsletter
<< Home  
   
Envie para um amigo Imprimir
 

Norma revisitada
Bruno Loturco


Iniciar uma revisão agora não é perda de tempo?
Já identificamos dificuldades técnicas em muitos tópicos. Há dificuldade em usar certos artigos da norma e observamos resultados diferentes do que estamos acostumados. Às vezes são necessárias correções e não fazemos nada isolados do mundo. Há muita pesquisa em estruturas e novas linhas de ação.

Como comparar a norma brasileira com as estrangeiras?
Acompanhamos as normas do Eurocode e aliamos à experiência nacional, mas houve uma aproximação com as normas ACI (American Concrete Institute). Fizemos uma releitura do que seria o Eurocode com a visão e experiência brasileira de projeto e execução. É uma linha mais européia, mas olhando também para o mercado americano.

No que a filosofia americana difere da nossa?
Encaram a solução como algo experimental, confirmando, calibrando e aferindo modelos com ensaios diferentes dos europeus, que se baseiam no modelo teórico. O americano, para entender como funciona uma viga, a ensaia em todas as situações e tira uma expressão que cobre tudo.Muitas vezes nem modela teoricamente o funcionamento do elemento. Aqui buscamos um modelo estrutural coerente, que descreva teoricamente o fenômeno para, depois, calibrar por meio de ensaios.

Tomando por base o exemplo americano, podemos dizer que é uma forma de não "entregar o protótipo" ao cliente?
São coisas distintas. Não há como reproduzir em laboratório todas as complexidades e interações de um edifício real e o ideal seria criar um programa para aferir o desempenho in loco. Não adianta fazer três mil vigas para aprender como calcular. Com 15 vigas é possível tirar uma lei matemática que funcione bem, gastando menos e com um produto até melhor. É um jeito mais intelectual que experimental de resolver o problema.

A relação dos projetistas com o restante da obra mudou?
A norma lança idéias e estabelece responsabilidades. Fala de qualidade de projeto, o que nem era mencionado antes, e da necessidade de manuais de manutenção da estrutura, o que ainda não existe. O construtor ficou mais alerta e percebeu que não podia ficar de fora, mas ainda existe um grande afastamento entre projetistas e construtoras. São dois mundos muito separados, e não deveria ser.

Como fazer a aproximação?
O construtor se interessando e valorizando mais a atividade de projeto e o projetista pensando e valorizando a execução. Ainda temos o vício de acreditar que a participação do projetista acaba quando termina o projeto. Não é bem assim, existem responsabilidades envolvidas e o bom desempenho depende do projeto e da execução. Falta cultura técnica e, às vezes, o construtor não está preparado para ler o projeto. Não é incomum ver o engenheiro passar a interpretação do projeto a técnicos de nível inferior e se restringir à parte administrativa e contábil.

Os projetistas assimilaram as exigências da norma para escoramentos e reescoramentos?
A essa parte, especificamente, já havia menção na norma anterior, tendo ficado mais explícito na norma de execução. A NBR 6118 menciona ser necessário participar das estruturas provisórias, mas isso não costuma fazer parte do escopo de contratação, sendo feito por uma terceira parte. É mais comum olharmos o projeto para que nada fique fora do contexto na estrutura.

Isso é prática comum no mercado?
Esperamos que o mercado se volte para isso,mas há quem reclame, com razão, do aumento de tarefas e responsabilidades. Por outro lado, leva a uma valorização da profissão. Mostramos para o cliente a importância do que fazemos e os possíveis retornos financeiros e de desempenho. A postura de continuar apenas entregando o projeto não é de quem quer posicionamento e perpetuação no mercado enquanto profissional.

De alguma maneira o escopo de contratação foi alterado por conta da norma?
Ele saiu depois de a norma estar pronta, mas quem o elaborou sabia o que a norma dizia. Não foi alterado completamente e o texto mantém o mesmo espírito até hoje, desde 1992. Está atualizado e equalizado com o que a norma pede.

Em termos de dificuldade, o que mudou para o profissional?
A norma exige mais do projetista, com aumento da amplitude de responsabilidades, mas reconhecendo que o exercício profissional não prescinde mais do computador. Concebe as tarefas para implementação em rotina de software. Para quem tem a tecnologia, não houve aumento de trabalho. Como os programas são atualizados de acordo com a norma, se sofisticaram bastante, com aumento no número de casos de carregamento e diferentes situações. No entanto, acho que isso não é decorrente apenas da revisão da norma, mas da evolução do próprio projeto.

Daquilo previsto, mas ainda não implementado, o que é mais urgente?
Vejo com preocupação maior a questão do manual de manutenção, porque está explícito na norma e alguma hora vão nos cobrar isso. Por ser um dos fatores de garantia de durabilidade, já deveríamos estar exercitando. Isso porque o manual vai dizer quais atitudes a serem tomadas para manter a obra durável. Se não dissermos, tudo o que acontecer cairá em cima da construtora e do projetista. A questão da durabilidade é implícita, mas temos que dizer o que fazer.

PÁGINAS :: << Anterior | 1 | 2 | 3 | 4
Envie para um amigo Imprimir
 
Edição 116 - Novembro/2006
 
Visite
 
 
 

PASSE LIVRE
Obtenha acesso a ferramentas e conteúdos exclusivos da PiniWeb.


FORNECEDORES
Encontre os melhores fabricantes e revendores.


AGENDA
Confira os principais eventos nacionais e internacionais.


SERVIÇOS
Fale Conosco
Expediente
Anuncie
Favoritos

 
 
 

 


ContentStuff.com
Copyright © 2006 - Editora PINI Ltda - Todos os direitos reservados
Pini