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| De canequinha ou de bomba, o fator que realmente condiciona a opção pelo sistema de projeção é a logística da obra. A produtividade conferida pelo equipamento só torna-se possível com o uso de balancins elétricos, para troca rápida de pavimentos |
A adoção de equipamentos de projeção de argamassa é sinalizada como uma das soluções para diminuir a interferência da mão-de-obra nas construções, principalmente em revestimentos de fachada.Antes de adotar o equipamento em seus procedimentos, porém, é necessário que a empresa avalie seu real interesse: se deseja um ganho imediato ou uma melhora na qualidade do revestimento que, por conseqüência, gera outro tipo de economia, a de manutenção.
Pesquisadores e engenheiros civis ouvidos pela reportagem afirmam que trocar a argamassa lançada manualmente pela aplicada por canequinhas ou projetores mais sofisticados rende melhorias já na visualização do trabalho executado nas fachadas - é mais uniforme que a aplicada manualmente. No entanto, exige uma logística mais apurada - como balancins maiores - e um custo maior de aplicação.
"A energia de lançamento do equipamento é constante, o que operário não consegue lançando manualmente, a não ser que seja muito hábil", explica a professora Mercia Maria Bottura de Barros, da Escola Politécnica da USP e integrante do Consitra (Consórcio Setorial para Inovação em Tecnologia de Revestimentos de Argamassa), convênio criado para o desenvolvimento de sistemas construtivos com argamassas de cimento Portland. "Quando se introduz o equipamento nesse serviço, elimina-se essa variável da mão-de-obra, que pode comprometer a qualidade final do revestimento", prossegue.
Segundo Mercia, a forma como o operário aplica a argamassa, em chapadas, concentra uma quantidade de massa muito grande e, mesmo que ele imprima uma grande força, a energia de impacto fica menor, por ter uma massa muito maior para aplicar naquela superfície. "O equipamento proporciona uma resistência de aderência maior e mais uniforme. Várias construtoras já conseguiram esse resultado", aponta.
Dois sistemas
O mercado brasileiro tem dois tipos de projetores: com recipiente acoplado, a canequinha, e as bombas de argamassa. Segundo a Abai (Associação Brasileira de Argamassas Industrializadas), as construtoras de São Paulo que utilizam o sistema de projeção optaram pelo primeiro tipo, enquanto o segundo tem uma adesão maior em Salvador,Curitiba e Brasília. A explicação da escolha paulista é a facilidade de operação da canequinha. O treinamento é simples, os riscos de entupimento menores e não exige argamassas especialmente fabricadas para esse uso - é praticamente a mesma usada na aplicação manual.
É comum a argamassa composta para o revestimento externo ser usada também na área interna das construções, já que há uma certa resistência quanto ao uso de projetores para revestir a parte interna da obra - nesse caso, volta a força humana dos pedreiros e suas colheres. A conclusão de especialistas, no entanto, diverge desse relato. Segundo eles, a produtividade nas áreas internas seria maior com o projetor por não necessitar de logística mais sofisticada do que o próprio uso do equipamento.
Já as bombas necessitam de argamassa industrializada, de uma composição própria, e por isso encontram resistência. "A dificuldade é que a bomba precisa de uma argamassa muito particular. É difícil produzir uma argamassa em obra que passe por esse projetor. Quando o equipamento entope, pára o trabalho. No Brasil a variação dos materiais é grande, principalmente dos agregados", analisa Mercia. "Essa facilidade de adequação da argamassa para a canequinha faz com que seja mais utilizada."
Por outro lado, a associação do ramo de argamassa industrializada acredita que esse tipo de projetor gera mais ganhos do que o primeiro. "É nesse sistema que a gente aposta", afirma o presidente da Abai, Fabio Campora. Para ele, as bombas de argamassa são os verdadeiros projetores, já que as necessidades especiais do material fazem com que a massa seja bem produzida e, por conseqüência, bem projetada. "Efetivamente, há um ganho de produtividade com as bombas de argamassa, pois trata-se de um sistema de maior tecnologia.Mas, por ser mais sofisticado, é mais sujeito às condições da obra", diz.
Segundo Campora, outra vantagem das bombas em relação à canequinha é a forma como a argamassa é projetada - enquanto a primeira é intermitente, com fluxos mais demorados de projeção, já que contam com tanques de argamassa, o equipamento mais simples tem limitações como o pequeno espaço para armazenamento da argamassa - uma pequena caixa acoplada à canequinha. "O correto é aplicá-la sempre perpendicular à parede, o que o uso de jatos com os braços facilita. A canequinha requer muita movimentação do punho do operário."
O vilão desmoldante
Mais do que a forma de projeção - se mecânica ou manual -, os cuidados antes da projeção determinam a qualidade do revestimento de fachada. Para os consultores ouvidos pela reportagem, não há patologias claras de uso do projetor. Entre 30 serviços executados da mesma forma e acompanhados por um grupo de pesquisadores, porém, foi registrado um problema em uma da obras devido à lavagem malfeita da estrutura antes da aplicação da argamassa, resultando em diferenças no revestimento. Nesse caso, a aderência da argamassa - uma das vantagens da aplicação por projetores - foi prejudicada pois o produto não retirado impediu a argamassa de penetrar no concreto. Por isso, os pesquisadores recomendam a lavagem enérgica da estrutura, por hidrojateamento, com máquina de alta pressão (em torno de 2.000 libras/cm2), para garantir uma boa limpeza. |
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