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Projetando o futuro
Construtoras apostam no uso de projetores de argamassa para melhorar a produtividade e a qualidade dos revestimentos de fachada

Marcos Sergio Silva


Fator balancim

Conferir a produtividade do sistema, porém, ultrapassa as especificações do equipamento. "O fator limitante, na Tecnisa, é a movimentação dos balancins. Se você utilizar um balancim elétrico, consegue aumentar a produtividade. Só que o custo é mais alto. No térreo, o operário produz quatro vezes mais", aponta Maurício Bernardes, gerente de qualidade e desenvolvimento técnico da Tecnisa. "A nossa opção é mais técnica do que econômica. A produtividade é maior, só que a gente não consegue ter ganhos com isso - ganha apenas no térreo, não nos outros andares."

Campora, no entanto, fala em ganhos de até 50% de aderência da argamassa na base com a aplicação do sistema. "Todas as empresas que fizeram essa opção têm ganhos de qualidade.A Cyrella fala em um potencial de ganho de 80% só no chapisco." Segundo ele, essa produtividade pode chegar até a projeção da massa, mas não do acabamento - que depende muito mais do desenho arquitetônico.

Há de ser levada em conta a logística necessária para a utilização desses equipamentos. Para Campora, simplesmente retirar as colheres das mãos dos pedreiros para colocar um projetor não resolve a equação."É necessário repensar a logística,trabalhar com equipes maiores de produção, talvez. Trabalha-se com um balancim de 4 m, de repente trocálo por um de 6 a 8 m.Senão as condições de trabalho do operário ficam muito limitadas", avalia Campora.

Ainda que exista a possibilidade de os projetores serem locados, as construtoras maiores optaram pela compra do equipamento. O mesmo, no entanto, não pode ser feito com os compressores, cujo custo é considerado alto - mais viável, nesse caso, seria alugar. Se em um primeiro momento as empresas optaram pelo compressor elétrico, a opção pelo diesel veio em 2001, durante a crise de energia no País (o Apagão). A vantagem não foi apenas econômica - a troca de compressor refletiu em uma queima menor de equipamentos nas obras.

Controle de procedimentos

Manter um compressor operando requer cuidados. O equipamento deve ficar em um local bem ventilado - se deixado no subsolo, a parede pode ficar preta por causa da fumaça e forçar custos que não estavam previstos no orçamento - e de preferência longe do local a ser projetada a argamassa, para evitar que ela caia sobre o equipamento e haja prejuízos. "E faz um pouco de barulho, por isso deve ser usado o mais afastado possível dos vizinhos", diz Maurício Bernardes, da Tecnisa, que limitou o uso do equipamento na obra das 7 às 14 h.

O gerente da Tecnisa faz mais recomendações para manter um sistema de aplicação de argamassa projetada: a) dispor de tanques intermediários a cada cinco andares; b) deixar o reservatório de diesel próximo à rua, para facilitar o abastecimento; c) patrimoniar a canequinha: "na obra, é muito comum o operário pegar o equipamento do parceiro, se o dele estiver danificado"; d) dispor de um carrinho para o projetor caminhar sobre a laje; e) manutenção preventiva no sistema: "O ar que vai para os 'pulmões'[o tanque metálico condiciona a pressão dos projetores, que varia de 90 a 116 libras] vai com um pouco de umidade. Sob o tanque, acumula uma lâmina d'água, e ela deve ser removida"

O controle de qualidade é o mesmo usado no restante da obra e obedece a três fases de procedimento. Na primeira, são checados a disponibilidade e o estado de equipamentos e balancins. Depois, verifica-se, ao longo da produção, se as exigências são mantidas, como a execução de uma limpeza enérgica da fachada para retirar o desmoldante. Sem isso, o trabalho pode ser comprometido (veja boxe).Por último, o controle de aceitação da obra executada.

Para um melhor desempenho, a argamassa deve estar homogênea. Se estiver segregada no caixote, com a água por cima, dificilmente sairá: o ar faz buracos na argamassa, e não será projetada. Além disso, deve-se verificar a limpeza do equipamento, que é bem simples, bastando mergulhar o projetor num tonel com água e disparar a pistola que dá vazão à argamassa.

Patologias

Mauricio Bernardes, da Tecnisa, considera baixa a reflexão da argamassa projetada - quando mediu, ficou em torno de 2 a 3%. Nesse caso, a perda maior não ocorre pela reflexão, e sim pela camada ser muito mais compactada. "Fizemos alguns testes e decidimos reaproveitar a argamassa que cai no assoalho. Cada traço tem um tempo máximo de reúso.No nosso caso, esse material pode ser reaproveitado até umas quatro horas após o uso."

Segundo o engenheiro Bernardes, patologias podem ocorrer depois de concluído o revestimento - por exemplo, se o desempeno se deu com uma argamassa muito mole, o revestimento pode apresentar fissuras. "Mas isso tem mais a ver com o material do que propriamente com a fase de lançamento da argamassa", diz. É a visão de Campora, que aponta mais defeitos anteriores à aplicação, que só podem ser conferidos depois. Uma estrutura muito esbelta, por exemplo, causaria posteriormente uma patologia no revestimento da fachada.

Por enquanto, não se verificaram patologias específicas desse tipo de aplicação - em geral, elas corrigem alguns defeitos da argamassa aplicada com a colher de pedreiro e mantêm outros. "Nas empresas que usam esse equipamento, o relato é de que os revestimentos não têm apresentado problema", conta Mercia. "O potencial de ter problemas é menor, porque a argamassa é mais compactada, com maior aderência. Diria que essas empresas, mesmo que estivessem realizando manualmente, também teriam um número baixo por conta de todo o controle que elas têm na produção."

Nesse processo, a qualidade do serviço do trabalhador interfere menos do que se aplicasse a argamassa com a colher. "Para aplicar manualmente, o operário tem que ser muito mais qualificado e treinado para o serviço do que fazer a aplicação pela canequinha. A forma de aplicação é dada pelo equipamento. A energia já está dada, e a argamassa já está definida por uma central de produção ou foi comprada", analisa a professora Mercia.

Mercia comparou equipamentos nacionais - canequinha e bomba - com similares franceses e mexicanos e vê a necessidade de uma adequação dos nossos equipamentos."No nosso projetor, a argamassa cai por todos os lados. Nem toda argamassa vai para a parede. É um método mais eficiente que a aplicação manual, mas pode melhorar."

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Edição 110 - Maio/2006
 
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