Moradia sustentável
Depois de sonhar anos, o mutuário de baixa renda descobre ser mais fácil comprar do que manter a casa própria. Às prestações somam-se custos condominiais e despesas que ele não estava preparado para assumir. Logo, a partir de contratos de gaveta, a casa está nas mãos de terceiros e ele retorna ao cortiço ou favela. A dura realidade dessas famílias, muitas vezes desestruturadas, com pessoas sem emprego e sem perspectivas, torna difícil sustentar o sonho. Até a classe média conhece bem o problema. O valor do condomínio é fundamental na decisão de compra nessa faixa da população.
Raphael Pillegi, secretário-executivo do Qualihab, o programa paulista de qualidade na habitação, resolveu encarar o problema. Junto com colegas da CDHU (Companhia Paulista de Desenvolvimento Habitacional e Urbano do Estado de São Paulo), tenta há anos incentivar alternativas que barateiem os custos de operação dos empreendimentos construídos pela companhia. Em um condomínio piloto na zona Leste da capital, ajudou a viabilizar a implantação de tecnologias que não costumam ser encontradas em edifícios de alto padrão: água, luz e gás individualizados, medidores de consumo a distância, corte e reinstalação remotos e internet via rede elétrica. A lógica da economia é simples: os mais responsáveis são recompensados com a redução das contas; os outros, incentivados a abandonar a cultura do desperdício.
Experiências assim devem ser divulgadas e multiplicadas, como vamos fazer na próxima edição de Téchne, sobre uso racional de água e energia. As companhias de habitação precisam tornar os custos condominiais compatíveis com a renda dos mutuários. Afinal, moradia deve ser realidade. Não sonho e tampouco pesadelo.