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Entrevista
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Inovação necessária


Eliane Quinalia
Colaborou: Bruno Loturco



FLÁVIO AMARAL LATTES

Herdeiro da Construtora Guarantã, Flávio formou-se pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em 1981. Fundada por Davide Primo Lattes, seu pai, em 1950, a construtora foi responsável por obras importantes, como o estádio Albertão (PI), a reforma do edifício Martinelli (SP), uma gráfica da Casa da Moeda (RJ) e uma ponte sobre o rio Parnaíba (PI). Na Guarantã iniciou como estagiário, em 1976, sendo logo promovido a assistente de engenharia, em 1978, e a responsável técnico, em 1982, cargo que exerceu simultaneamente com a gerência comercial até 1994. Nesse período fundou o Maresias Camping e, em 1987, tornou-se sócio e diretor comercial da Construtora Setalar.

Se das tentativas, bem ou malsucedidas, vem a experiência, então melhor é olhar o passado a fim de tornar constante a caminhada evolutiva, além de mais segura e acertada. Nesse caso e frente a um panorama de mercado em que prevalece a falta de ousadia, construtoras com mais tempo na estrada tendem a sair em vantagem. Ainda assim, legislações desvinculadas da prática de mercado e que obrigam a contratação com base unicamente no preço impõem burocracia e atraso e minam grande parte dos esforços de modernização da engenharia nacional. Na visão de Flávio Lattes, essa realidade, associada a uma economia ainda pouco confiável e à falta de investimentos em infra-estrutura, só deve mudar quando reformas estruturais ocorrerem e colocarem o País na rota dos investimentos externos.Até lá, Lattes acredita que o crescimento continuará vindo apenas como conseqüência do desenvolvimento mundial. Em tal cenário a saída seria apostar em diferenciais visíveis não apenas do ponto de vista do consumidor, mas também das finanças. Para ele, são bem-vindas tecnologias e inovações que promovam a agilidade do processo executivo, com redução da mão-de-obra e dos custos finais de projeto. Não deixa de ser uma perspectiva otimista, que dá a devida importância ao peso da mão-deobra na planilha de custos, tal qual acontece em países desenvolvidos. Nessa toada, em breve os construtores terão de se adaptar a uma nova forma de construir, em que operários perdem espaço para equipamentos e sistemas.

Tendo nascido e crescido no meio da construção civil, como o senhor vê a engenharia praticada hoje?
A engenharia à época de atuação da Construtora Guarantã, com menos tecnologia disponível, tinha como alicerce a criatividade dos seus responsáveis. Independentemente disso, mantinha-se atenta quanto ao surgimento de inovações que pudessem melhor atender às necessidades. Atualmente, a aceleração do desenvolvimento tecnológico, seja pelo elevado fluxo de informações ou pela existência de equipamentos mais sofisticados, tem favorecido empresas com estratégias bem definidas, focadas em investimento e em pesquisa. Isso, sem dúvida, garante melhor produtividade.

Então você acredita que o investimento em tecnologia pode ser um forte diferencial para uma construtora?
Sem dúvida. O princípio básico de uma construtora é construir bem. Vejo muitas construtoras fazendo edificações sem nenhum diferencial tecnológico aparente. Então, para que os diferenciais sejam notados é preciso que as empresas inovem, usando tecnologias qualificadas e que agilizem o processo de execução. O resultado deve proporcionar redução na mão-de-obra e, conseqüentemente, nos custos do empreendimento.

Podemos afirmar que nos falta, hoje, muito mais a boa prática da engenharia do que tecnologia propriamente dita?
Na minha opinião a tecnologia é uma evolução natural que veio se juntar, e não terminar, com a boa prática. Ainda hoje, o feeling do engenheiro de obra é essencial para encontrar soluções construtivas otimizadas e buscar alternativas inovadoras.

Um dos grandes problemas da engenharia atual parece estar na coordenação, pois a elevada quantidade de projetos torna cada vez mais difícil lidar com a qualidade final do empreendimento. Como o senhor vê isso?
Não vejo nada que ligue as grandes quantidades de projetos com a qualidade final da obra. Na minha opinião uma boa construtora precisa conseguir lidar com diversos projetos sem perder a qualidade.

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