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Carreira
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Maçahico Tisaka


Ex-presidente do Instituto de Engenharia montava rádios quando garoto e fez aerofotogrametria até descobrir a vocação na engenharia civil. Hoje, é o maior especialista em custos na construção e composição de orçamentos


Bruno Loturco


Nome: Maçahico Tisaka
Idade: 69 anos
Graduação: engenharia civil pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo, em 1964
Pós-Graduação: Planejamento Territorial Urbano; Locação Industrial e Física das Construções, dentre outras, todas pela Epusp
Especializações: em Administração de Empresas pela Esan (Escola Superior de Administração de Negócios), em Avaliação e Perícia de Engenharia, pelo Ibape (Instituto Brasileiro de Avaliações e Perícias de Engenharia); Engenharia de Segurança do Trabalho, no Japão; dentre outras
Cargos que exerceu: presidente do Instituto de Engenharia, entre 1989 e 1992, conselheiro do Crea-SP (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia do Estado de São Paulo), do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas), dentre outros

Talento e tino para a engenharia,sem dúvida ele tinha, e desde a infância. Rumou para a área de Civil quase por acaso, mas o adendo "orçamentista" veio por opção. Esta baseada em visão de longo prazo e aguçada percepção das necessidades empresariais perante a realidade de mercado. Isso tudo somado à ambição de atingir o "topo da profissão" tornaram o nome Maçahico Tisaka praticamente um sinônimo da engenharia de custos no Brasil.

Ainda no começo da carreira, nas primeiras experiências com obras, soube separar do aspecto prático o romantismo quase utópico que permeia os primeiros anos da vida de qualquer profissional e consolidou uma visão bastante clara quanto à atividade de engenharia. Por muito observar, concluiu que, tanto quanto o correto desenvolvimento da obra, a direção das empresas tinha preocupação constante com a entrega nos prazos estipulados e com as planilhas de orçamento. "Mais do que não ter prejuízo era necessário ter lucro no investimento, se possível muito lucro", salienta.

Pode parecer óbvio, mas essa visão precocemente consolidada mudou a estratégia de atuação do então recém-formado engenheiro. "Sempre me empolgou apresentar a meus superiores o melhor resultado econômico-financeiro possível", conta. E a nova postura frente aos anseios empresariais dos patrões surtiu resultados rápidos e promissores. "Fato que me fez evoluir rapidamente na carreira, de simples engenheiro de obras a funções de destaque na diretoria."

No entanto, se hoje é referência absoluta para o cálculo da remuneração por prestação de serviços de engenharia, incluindo os complexos BDI (Benefícios e Despesas Indiretas), no início da vida acadêmica tencionava tomar rumo bastante diverso. O interesse por mecanismos elétricos e mecânicos, como "automóveis, bicicletas ou simples carrinhos de rolimã", ou ainda "lâmpadas ou bombas elétricas que recalcavam água dos poços" indicavam o caminho profissional de Tisaka.

Tornou-se, aos 12 anos, montador de rádio, diplomado após um curso de radiotécnica. O Curso Técnico Monitor lhe ensinou a montar um aparelho de TV numa época em que a única emissora brasileira, ainda em caráter experimental, era a TV Difusora, que depois se transformaria na TV Tupi. Foi aquele diploma que abriu as portas da fábrica da Rádio Invictus para seu primeiro emprego, aos 14 anos. Após algum tempo montando rádios durante nove horas diárias percebeu que não se encaixava na profissão.

"Para poder pagar meus estudos fiz de tudo, mas principalmente me dediquei à aerofotogrametria, que consiste no desenho de mapas por meio de fotografias aéreas.Voar passou a ser meu hobby e foi uma ótima fase da minha vida."

Com uma carreira, embora incipiente, bastante voltada a outros temas que em nada dizem respeito à engenharia civil, de onde, então,veio o interesse pela área? Para a resposta,Maçahico aponta para sua classificação no vestibular da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo). Embora quisesse cursar engenharia mecânica, obteve pontuação suficiente apenas para optar por engenharia civil.

Ainda assim, com grande esforço pessoal, conseguiu cursar simultaneamente ao curso normal algumas disciplinas de mecânica, como desenho técnico e termodinâmica. Desistiu somente após imaginar uma rotina de trabalho rígida, enclausurada numa fábrica e rodeado por máquinas e motores. "Preferia um trabalho ao ar livre, com movimento e agitação, diferente e desafiador a cada dia. Daí minha escolha definitiva. Foi a persistência, a ambição saudável e, até mesmo, a sorte que determinaram o rumo de Tisaka pelo universo da engenharia civil.

Desde então envolvido com obras, desde pequenas construções até grandes obras de arte e usinas, destaca como realização mais importante da carreira uma iniciativa que só poderia ser tomada por quem conhecesse particularidades do mercado da construção. Na ocasião em que presidiu o Instituto de Engenharia lançou o Movimento Nacional pela Melhoria da Qualidade e Produtividade.

Percorreu o País a fim de mobilizar a sociedade sobre a necessidade de mudar a cultura do desperdício, melhorar o desempenho da produção e buscar a qualidade a qualquer custo.No âmbito econômico, analisa negativamente os investimentos governamentais em infra-estrutura,classificando-os como escassos e mal distribuídos. É otimista, em contrapartida, quanto ao futuro. Recomenda aos profissionais iniciantes estarem sempre preparados para qualquer desafio, pois será de grande valia quando o Brasil iniciar a retomada do desenvolvimento.

Atualmente, tornou seu objetivo principal a transmissão do conhecimento "àqueles que estão iniciando na carreira". Sempre que possível escreve artigos para revistas técnicas sobre assuntos relacionados a processos de execução de obras e tecnologia do concreto. Ultimamente tem voltado esforços à engenharia de custos, escrevendo livros sobre orçamentação e metodologia de cálculo de custos diretos e BDI.

Dez perguntas para Maçahico Tisaka

1 - Obras marcantes que participou: Pista ascendente da rodovia dos Imigrantes, entre 1971 e 1976, primeiro trecho subterrâneo da linha do Metrô de Caracas, na Venezuela, pelo consórcio KVN-Cetenco, e Usina Hidrelétrica do Guri, na Venezuela, pelo consórcio formado por Camargo Corrêa, Cetenco e empresas venezuelanas

2 - Obra mais significativa da engenharia brasileira: A Usina Hidrelétrica de Itaipu, pelo desafio, arrojo, grandiosidade e benefício que trouxe ao País

3 - Uma realização profissional: Quando presidente do Instituto de Engenharia, lançar o Movimento Nacional pela Melhoria da Qualidade e Produtividade. Foi o início da conscientização no Brasil

4 - Mestres: O engenheiro Eduardo Celestino Rodrigues, profissional competente, de lucidez invejável, líder empresarial e professor respeitado. Orientador e principal alavanca da minha carreira

5 - Por que escolheu ser engenheiro: Sempre tive fascinação em saber como funcionavam "coisas" motorizadas ou em movimento e por eletricidade. O interesse pela engenharia civil veio quando já estava na Poli

6 - Melhor escola de Engenharia Civil. Por quê: A Poli, pela tradição e respeito que granjeou em 114 anos dedicados à formação de engenheiros

7 - Um conselho ao jovem profissional: Não se acovardar com as vicissitudes que a profissão impõe. A falta de recursos não pode ser motivo para não se aperfeiçoar, procurar novos nichos e aprender

8 - Principal avanço tecnológico recente: Todo avanço atual está ligado ao desenvolvimento da informática que permite simular, prever, projetar e executar obras até a pouco inimagináveis

9 - Indicação de livro: O de minha autoria lançado pela Editora PINI, "Orçamento na construção civil", que traz uma metodologia de cálculo dos custos diretos e do BDI

10 - Um mal da engenharia civil: A ganância, a improvisação, o desperdício e a competição desprovida de ética

 

 
 
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