Nos últimos 50 anos as cidades brasileiras apresentaram crescimentos acentuados, situação que, em muitas delas, agravou os problemas relacionados à infra-estrutura urbana,privando parte dos habitantes de um padrão adequado de vida.As populações dessas cidades necessitam de diversos tipos de serviços públicos e, na essência, o fornecimento de água e a coleta de esgoto são apontados como aqueles que mais bem-estar social promovem.
A questão da água de uso urbano é crítica. Normalmente o crescimento populacional real suplanta o crescimento estimado considerado para ampliação do sistema de água tratada, situação agravada pelo projeto e dimensionamento das redes de distribuição de água que não comportam manter as vazões projetadas pelo aumento das novas ligações, que acompanham o crescimento das cidades.
Diante dessa questão, os programas de economia de água de uso urbano, incluídos os programas específicos em edificações, destacam-se como alternativas necessárias para o uso adequado desse recurso natural, disponibilizando o excedente e gerando benefícios sociais.
Distribuição da água na natureza
O planeta tem três quartos da superfície terrestre coberta por água, na forma de oceanos, rios, lagos e geleiras. Também tem os aqüíferos localizados no seu subsolo, que são abundantes em certas regiões e escassos em outras. De toda essa aparente fartura, apenas 1% é aproveitável para consumo humano. A água pura, para fins potáveis, está ficando cada vez mais rara, distante e cara.
Segundo Peixoto e Oort, 97,5% da água na superfície do planeta se encontram nos oceanos e os restantes 2,5% se distribuem entre geleiras, rios, biosfera e atmosfera.Uma parcela de todo esse volume de água se movimenta no ciclo hidrológico, em torno de 0,03%, segundo os processos de evaporação, de absorção superficial, de evapotranspiração e de precipitação. A figura 1 ilustra estes processos de movimentação no ciclo hidrológico com seus respectivos volumes de água deslocados.
No ciclo hidrológico a ação dos processos de industrialização e urbanização das cidades afeta a qualidade dessa água que se movimenta. A mudança climática global e a poluição atmosférica também contribuem para a degradação dos recursos naturais, e atingem com particular gravidade os de água doce, afetando a sua qualidade e conseqüente disponibilidade.
Os recursos hídricos, particularmente os de água doce, constituem-se na parcela essencial e indispensável de todos os ecossistemas terrestres. O meio de água doce caracteriza-se pelo ciclo hidrológico que também tem seus efeitos críticos, como enchentes e secas, e cujas conseqüências se tornaram mais extremas e dramáticas em algumas regiões da Terra.
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| Figura 1 – Movimentação da água no ciclo hidrológico |
Uso urbano da água
As atividades desenvolvidas nas cidades devem passar por adaptações para se adequarem à utilização racional da água (veja na figura 2 os efeitos da urbanização no ciclo da água). Tecnologias inovadoras, de aperfeiçoamento de aparelhos e peças de utilização econômica devem ser estimuladas para que se possa aproveitar de forma plena e racional a água nas cidades.
A escala da economia de água a ser alcançada é função de ações conduzidas de acordo com suas especificidades e abrangência no ambiente em questão. Na escala do macronível, as ações de conservação podem assumir o caráter de regular a captação de água e a descarga de esgotos nos mananciais que compõem a bacia, por meio da cobrança por esses usos. Já no nível intermediário destacam-se ações de conservação e economia como, por exemplo, o combate às perdas de água na rede pública de distribuição pela diminuição dos focos de vazamentos.Também se podem ter ações de educação ambiental, com enfoque à preservação dos recursos naturais.No micronível o uso da água nos edifícios é dependente dos aparelhos sanitários e dos hábitos e costumes de seus usuários. Ações de economia de água devem ser voltadas para a introdução de equipamentos eficientes, de campanhas de informação e de práticas de projeto do ambiente construído que contenham os conceitos de economia de água.
O uso da água nas edificações
O uso da água nos edifícios é garantido pela instalação predial e a quantidade a ser consumida depende de diversos fatores, tais como os tipos de aparelhos sanitários empregados, os usos e hábitos, e a classe socioeconômica, entre outros.
O desenvolvimento de aparelhos economizadores de água e de tecnologias inovadoras voltadas para a redução do consumo nas instalações hidráulicas prediais devem ser balizados pelo conhecimento dos consumos específicos de água que ocorrem nos diversos pontos de utilização de um determinado sistema predial.
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| Figura 2 – Efeitos da urbanização no ciclo da água (Hall, 1984) |
| Tabela 1 – CONSUMOS DE ÁGUA OBTIDOS EM 12 CIDADES NORTE-AMERICANAS |
| Tipo de consumo |
Só uso interno(%) |
| Banheira |
1,7 |
| Chuveiro |
16,8 |
| Bacia sanitária |
26,7 |
| Lava-pratos |
1,4 |
| Lava-roupas |
21,7 |
| Torneiras em geral |
15,7 |
| Vazamentos |
13,7 |
| Outros usos |
2,2 |
| Fonte: "Residential end uses of water". W.B. DeOreo; P.W. Mayer. AWWA Research Foundation. 1999. |
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