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Entrevista
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Arquiteturas do aço



AMANDO CASTROVIEJO PASCUAL

Graduado em Engenharia Industrial pela Escola Superior de Engenheiros Industriais de Bilbao, em 1972, passou a atuar, desde então, na empresa espanhola Ingeneria y Direccion de Obras (Idom), que mantém braços em várias partes da Espanha e de Portugal. Durante esses 34 anos na empresa, como diretor técnico, Castroviejo tem participado de diferentes projetos de arquitetura e engenharia, na gestão de obras e gestão global, dirigindo grupos multidisciplinares e multinacionais. Desde 1989 Castroviejo realiza, também, as funções de Diretor de Formação. No emblemático Museu Guggenheim, de Bilbao, ele foi o representante da Idom no gerenciamento do projeto e da execução. Desde 2003 dirige os escritórios da Idom no Brasil.

Há mais de 30 anos na espanhola Ingeneria y Direccion de Obras, o engenheiro Amando Castroviejo Pascual, diretor técnico dos escritórios brasileiros da empresa, chegou ao País em 2003 e, desde então tem atuado na área de projeto e gerenciamento nos Estados de São Paulo, Sergipe e Bahia. Uma das missões de Castroviejo no Brasil é formar pessoal técnico habilitado a trabalhar com estruturas metálicas, dentro da filosofia da Idom, uma vez que a empresa pretende se expandir no País, a exemplo do que já ocorreu na Espanha e em Portugal, onde sua presença está consolidada. Há sete meses em Salvador, e completamente aclimatado à terra dos Orixás, esse espanhol de origem basca já se declara "baiano de coração". Durante o congresso latinoamericano de construção metálica - Construmetal 2006 -, realizado em São Paulo entre 12 e 14 de setembro último, Castroviejo falou à revista Téchne sobre sua experiência à frente das obras do Museu Guggenheim de Bilbao, na Espanha, e sobre a necessidade de o Brasil ampliar o uso do aço.

Qual o seu papel no desenvolvimento do projeto do Museu Gugenheim, de Bilbao?
Faço parte da equipe de engenharia da Idom (em espanhol, Ingenieria y Dirección de Obras e Montajes), que foi a responsável pelo gerenciamento dos projetos e da obra, e fui escolhido para atuar como project manager desde os primeiros desenhos do Guggenheim até sua abertura ao público. Na Espanha, um arquiteto estrangeiro que não esteja filiado ao órgão equivalente aqui ao Crea não pode assinar um projeto. Frank Gehry e as pessoas que desenvolveram o Guggenheim de Bilbao não estavam filiados ao órgão, e para esses casos nossa legislação prevê a figura do "arquitetoexecutivo", que é a empresa ou o profissional da Espanha que assume oficialmente todo o projeto - inclusive se encarrega das revisões e necessárias adaptações -, e também da execução. No caso do Guggenheim, a Idom assumiu e revisou todos os projetos do edifício, fez as adaptações às normas espanholas e européias e gerenciou sua execução.

O Guggenheim foi uma obra da administração de Bilbao ou do governo espanhol?
A obra estava ligada a três entidades públicas: o governo basco, a delegação de Viscaya, que é a província, e o conselho da cidade de Bilbao. A responsabilidade da Idom era grande, pois tinha de responder perante essas três instâncias por custos, prazos e qualidade. O Guggenheim foi uma aposta política no desenvolvimento da cidade, e mudou definitivamente a imagem de Bilbao perante o mundo. Nós sempre dizíamos que a cidade só entrou no mapa depois do Guggenheim.

E uma obra da dimensão do Guggenheim exige um número muito grande de projetos.
Sim, sem dúvida. Os trabalhos de execução do Museu foram divididos em seis unidades: fundações, estruturas (tanto metálicas quanto de concreto), fachadas, acabamentos exteriores e interiores, instalações (mecânicas, hidráulicas, elétricas e de ar-condicionado), e urbanização. Além de adaptar todos os projetos às exigências espanholas, trabalhando ao lado das várias empresas norte-americanas especializadas, eu atuei pessoalmente como gerenciador das fundações, estruturas metálicas e de concreto, e urbanização.

A fachada recebeu placas de titânio de 3 m de comprimento feitas todas sob medida para unir os milhares de pontos da estrutura irregular

Na área da estrutura, qual o grande problema da execução?
O problema maior foi construir uma superfície tão irregular como a desenhada por Frank Gehry.Como sustentá- la para poder construí-la? Como mantê-la em pé? Gehry projetava com cartolina e papel, praticamente desenhava com a maquete de cartolina. E seu grupo de profissionais, com um medidor,ia anotando cada um dos seus desenhos de esculturas,marcando cada elemento e passando para o computador com o software Catia, em 3D. Ele fazia primeiro o modelo e depois seu pessoal o punha no computador, ao contrário do que se faz normalmente, primeiro o projeto e depois a maquete. Pronto o projeto, a decisão seguinte foi como colocar suas formas no espaço. Nessa fase, tudo passou a ser discutido em conjunto com o pessoal do escritório Skidmore, Owings & Merrill, que fez o cálculo da estrutura metálica. Discutindo com eles, chegou-se à conclusão que o ideal era criar uma rede de pontos no espaço a 60 cm de da superfície desenhada por Gehry e uni-los com estrutura metálica. Ou seja, todos os pontos da superfície sinuosa da fachada teriam um elemento estrutural com uma distância nunca superior a 60 cm. Outra definição importante foi relativa à distância que deveria haver entre esses pontos, para garantir que, com a estrutura auxiliar, também metálica, que sustenta os painéis da fachada, se conseguisse conformar a superfície com a forma que Gehry queria. Os cálculos mostraram que 3 m entre os pontos seria a distância ideal.

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