Quero utilizar caibros de eucalipto de 3 x 12 cm na estrutura de um telhado com telha romana i = 60%, espaçados a cada 60 cm, apoiados em cavaletes feitos com peças 3 x 15 cm a cada 60 cm. A altura, em seu ponto máximo, será de 3 m em relação à laje. Esta solução é apropriada? É necessário fazer a amarração das telhas?
Cristian Bender
Santa Cruz do Sul (RS)
O cálculo de estruturas de madeira deve seguir vários procedimentos que, resumidamente, podem ser divididos em três fases distintas: a) determinação dos esforços solicitantes externos, b) cálculo dos esforços internos atuantes nos elementos da estrutura e c) verificação e dimensionamento. Os esforços solicitantes externos na estrutura são classificados em peso próprio, cargas acidentais verticais, forças devidas ao vento e outros. O peso próprio constitui o esforço decorrente dos elementos estruturais, com duração permanente. A carga acidental vertical é aquela decorrente do peso dos móveis, pessoas e outras fontes e tem um tempo de duração variável. As forças devidas ao vento são esforços originados pela velocidade dos ventos nas diferentes direções, originando sobrepressão e/ou sucção. Outros tipos de esforços, quando aplicáveis, decorrem, por exemplo, do movimento de veículos em curvas e das frenagens, terremotos e peso próprio da neve. Para cada tipo de estrutura e de carregamento existem normas específicas.
Após a determinação dos esforços, os mesmos são combinados, majorando ou reduzindo o seu valor, em função da classe de carregamento e duração, de modo a se atingir situação a mais desfavorável possível.Uma vez estabelecidos os tipos de esforços solicitantes externos procede-se o cálculo dos esforços internos atuantes em cada um dos componentes estruturais, barras e ligações, provocados por esforços externos definidos na fase anterior.
Quando a estrutura é complexa, ou seja, composta de elementos de treliças ou de pórticos espaciais, são utilizados programas de computadores existentes no mercado. Exemplos de programa de cálculo estrutural são SAP 2000, Kosmos, GT-Strudal e outros. Nesta fase são feitos a verificação e o dimensionamento dos elementos estruturais, barras e ligações, utilizando-se os critérios de segurança estabelecidos em normas técnicas.A norma brasileira que trata deste assunto é a NBR 7190-97 - Projeto de Estruturas de Madeira, da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Outras normas como Eurocode 5-1993 - Design of timber structures - Part 1.1: General rules and rules for buildings e Timber construction Manual (1994) do American Institute of Timber Construction podem ser utilizadas.Nesta fase o calculista deverá ter em mãos as propriedades mecânicas e os critérios de classificação das peças de madeira a serem utilizadas. Os pontos importantes a serem considerados são a resistência mecânica, o módulo de elasticidade e a resistência das ligações, variáveis em função dos dispositivos de ligação e da direção dos esforços relativamente à orientação das fibras do lenho. O resultado do cálculo decorre da realização dessas três fases que envolvem, além disso, itens como a escolha da espécie de madeira, inspeção e controle de recebimento do material na obra e sua aplicação com auxílio de profissionais treinados. Todas estruturas que não atenderem os requisitos de segurança estabelecidos na fase três do procedimento para cálculo estrutural devem receber medidas corretivas, reforços ou substituições, de modo a adequar aos requisitos de segurança.
Takashi Yojo
CT Floresta - IPT
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