Talvez não exista hoje na Engenharia brasileira alguém mais gabaritado para falar do desenvolvimento da tecnologia das argamassas colantes do que o engenheiro Antonio José Salvador Ítalo Fiorito. Afinal, foi ele quem deu início às pesquisas que culminaram no lançamento do primeiro produto do gênero, no começo da década de 70.
Formado em Engenharia Civil pela Escola Politécnica da USP, em 1954, Fiorito reconhece que ali passou os principais anos de sua formação técnica e acadêmica. A carga horária pesada – aulas de segundas às sextas, das 8h às 12h e, à tarde, das 14h às 18h – era completada por um dia de trabalhos práticos aos sábados no Senai."A Poli procurava dar uma formação teórica ampla e, quando escolhia a especialização, o aluno tinha uma base forte", afirma.
Depois de formado, foi aprovado para a Divisão de Projetos da Prefeitura de São Paulo, e passou a trabalhar na área de captação e escoamento de águas pluviais.Mais tarde foi chamado para participar da implantação da Divisão de Engenharia Patrimonial, ligada ao Departamento Jurídico. Logo Fiorito percebeu que aquilo não era o que queria. "Eu não tinha perfil de funcionário público", conta. Em busca de novas experiências, licenciou-se por dois anos e foi trabalhar em algumas obras da extinta Construtora e Comercial Soberana, onde gerenciou alguns canteiros de obras. Voltando da licença, em 1964, optou por deixar seu cargo na prefeitura. Três dias depois já estava empregado. "Era uma época muito fértil em termos de emprego", observa.
Foi na Cerâmica São Caetano que Fiorito construiu sua fama. A empresa estava em busca de alguém que tivesse experiência em obras e que estivesse disposto a estudar, em laboratórios e canteiros de obras, as causas dos recorrentes descolamentos de revestimentos cerâmicos. O engenheiro aceitou o desafio. Quando saiu a campo para estudar como o assentamento das peças era feito, descobriu que muitos dos problemas resultavam da execução incorreta do assentamento. Antes do advento da argamassa colante, o serviço era realizado da seguinte maneira: sobre a laje ou parede, aplicava-se uma camada de regularização de argamassa comum; após sua secagem, era utilizada uma pasta de cimento – que, na realidade, era o elemento colante do processo – e, finalmente, a peça cerâmica. "Descobrimos que a argamassa era saturada de cimento e que as camadas aplicadas eram muito espessas. Com o passar do tempo, a argamassa retraía e, dadas essas espessuras, havia tensões muito elevadas, que causavam o descolamento dos revestimentos", explica Fiorito.
Houve uma tentativa, então, de treinar os operários para a execução do serviço. "Mas, com o boom da construção ocorrido na década de 60, houve uma grande demanda por mão-de-obra de assentamento que, infelizmente, era despreparada", afirma Fiorito. A solução, então, seria desenvolver uma argamassa de aplicação mais fácil e que proporcionasse aderência duradoura. Estudando alguns aditivos encontrados no mercado nacional, o engenheiro chegou, com sucesso, ao protótipo da primeira argamassa colante brasileira, que seria lançada em 1971.
Além da facilidade de aplicação, a argamassa colante proporcionava um aumento de produtividade jamais visto antes. Enquanto na forma de assentamento convencional a produtividade de aplicações variava entre 6 e 7 m2/dia, com a argamassa colante esse valor subiu para cerca de 20 m2/dia. Durante o processo de pesquisa, o engenheiro viajou diversas vezes aos Estados Unidos para aprender com a experiência norteamericana. Mais tarde chegou a uma curiosa constatação. "Enquanto nos Estados Unidos o processo de desenvolvimento de uma argamassa colante se deu em razão da busca de uma maior produtividade, no Brasil, teve início por causa das recorrentes patologias de descolamentos dos revestimentos cerâmicos."
Em 1974, constituiu sua própria indústria de argamassas colantes, a Incomed – Indústria e Comércio Santa Edwiges, onde ficou até 1991. Dois anos depois, mudou-se para Mogi- Mirim (SP), onde fundou a Argamassas Industrializadas MM, com a linha de produtos Mastercola. Em ambas as empresas, foi gerente industrial.Hoje, a empresa é administrada por seu filho, que conta com assessoria técnica do pai quando necessário.
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