As plantas industriais no Brasil e no mundo passam por um momento de transformação. Na maioria dos casos, a área construída e o número de usuários (leia-se operários) diminuíram. A complexidade das instalações e o processo de montagem industrial ficaram mais sofisticados. Exigências sanitárias, ambientais e sociais assumiram um papel muito mais relevante. Com isso, a prosaica idéia de "erguer um galpão" está cada vez mais limitada às manufaturas de pouca tecnologia embarcada. Nesta edição de Téchne, decidimos abordar algumas obras industriais representativas desse novo momento. Salta aos olhos como cada uma das empreitadas reserva peculiaridades que exigiram projetos ou execução diferenciados. Foi o que ocorreu, por exemplo, com o piso da área de produção da fábrica de tratores da John Deere, em Montenegro (RS), que, ao invés de armaduras, foi reforçado com fibras de aço. A alternativa foi necessária para evitar eventuais transferências das armaduras na comunicação dos equipamentos da fábrica, orientados por radiofreqüência. Esse e outros casos revelam que o segmento de obras industriais dispõe de empresas de engenharia cada vez mais especializadas. E não podia ser diferente. Na década de 90, com a chegada ao País de várias multinacionais, as obras nesse segmento passaram a atender aos padrões internacionais de qualidade. Tiveram também que se adaptar às especificidades de cada segmento industrial e suas particularidades. Colocadas à prova, as empresas de engenharia envolvidas mostraram criatividade e capacidade técnica, apresentando alternativas economicamente viáveis. Se em outros segmentos, como o de obras públicas, as empresas fossem exigidas não apenas em relação ao custo, mas também em relação às soluções técnicas, certamente a nossa Engenharia Civil estaria desfrutando de uma outra imagem perante a sociedade.