MAURÍCIO MARCELLI
Tendo atuado nos primeiros 15 anos de carreira como projetista de estruturas de concreto armado, protendido, metálicas e de madeira, desenvolveu inúmeros projetos, inclusive de obras-de-arte e de estradas. Formado pela Escola de Engenharia da Universidade Mackenzie, em 1975, também trabalhou por dez anos na Conesp (Construções Escolares do Estado de São Paulo), onde coordenou projetos e obras. Foi quando teve a oportunidade de conviver com problemas relacionados a projetos e execução. Em seguida, atuou como construtor, executando obras variadas, como adaptação e ampliação de edificações antigas. Dessa vivência tirou conhecimento sobre sinistros devido a reformas sucessivas. Nos últimos sete anos tem atuado como consultor de engenharia civil e como perito junto às seguradoras
Para o dicionário, sinistro é todo dano ou prejuízo material sobre bem que esteja segurado. Logo, para efeito prático, patologia é sinistro. Afinal, é um dano e seu reparo implica desembolso financeiro. Além disso, não tratada evolui e, guardadas as devidas proporções, torna-se um colapso, desastre ou ruína. Foi essa a abrangente linha de raciocínio adotada por Maurício Marcelli no livro "Sinistros na construção civil", que aborda os sinistros mais comuns ocorridos em construções, discutindo causas e possíveis soluções. Conforme atestou em entrevista concedida à Téchne, a menor parcela dos colapsos resulta de patologias não tratadas. No entanto, aposta que, conforme avançam em idade sem receber manutenção adequada, as edificações passarão a apresentar problemas mais sérios oriundos de problemas patológicos. Ironicamente, para edificações novas, a evolução nos serviços pós-venda, com consumidores bem amparados pela lei, controle tecnológico mais apurado e seguros mais abrangentes, o panorama é otimista mesmo em longo prazo. Apesar de guardar críticas à formação acadêmica, que não prepara o profissional para enfrentar situações que fujam da normalidade, percebe que aos poucos uma nova mentalidade vai sendo incorporada ao mercado de construção e manutenção. O fato de nenhuma atividade ser iniciada sem que exista um seguro respectivo é visto com bons olhos por Marcelli, que também assume que as seguradoras ainda estão em fase de capacitação técnica para a realização de seguros para a construção civil.
Por definição, o que é um sinistro?
Para as empresas de seguro são eventos súbitos e imprevistos que resultam em danos e prejuízos. Ocorrem de forma repentina e são decorrentes de causas diversas, inclusive de patologias ignoradas ou tratadas de forma inadequada. Patologia é um dano, resultado de fatores que podem atuar em conjunto ou isoladamente, que ocorre ao longo do tempo, como a veia do coração que vai entupindo. O enfarte, o sinistro, vem a seguir.
Podemos afirmar, então, que sinistro é resultado de uma patologia não tratada?
A patologia é uma manifestação que, não corrigida, agrava-se e pode transformar-se em sinistro, mas a grande maioria deles não decorre de patologias. Como sinistro é um evento de caráter súbito, se puder ser previsto deixa de ser sinistro.
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