O termo boom é discutível e há quem enxergue apenas uma bolha. Constitui fato, entretanto, que o mercado imobiliário vive um raro momento de prosperidade, em especial, nos grandes centros urbanos. "Vacinados" pelo vai-e-vem da economia nacional, os construtores costumam ser comedidos para tratar do desempenho dos negócios. Ou, melhor, costumavam. Nem os mais céticos têm reclamado de 2007. Poucos escondem a empolgação. Constatado o sucesso, surgem algumas perguntas: o boom da construção vai trazer a tão esperada revalorização do engenheiro civil, sobretudo daqueles que estão na linha de frente das obras? A remuneração vai melhorar e será absorvida pelas empresas? Haverá mais investimentos na formação e educação continuada dos profissionais? Membro do Conselho Editorial de Téchne desde o lançamento da revista, em 1992, o construtor Emilio Kallas responde "sim" para todas as questões apontadas. Dono de uma longa trajetória profissional até se tornar um empresário bem-sucedido, foi consultor da área de custos habitacionais do IPT e da área de obras da Sabesp (Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo). Kallas aposta que "o quadro técnico fará a diferença na concorrência, visto que dinheiro todos vão ter". Defensor do ensino continuado e ele próprio um "estudante" inquieto, aconselha a constante atualização e garante que qualidade, atendimento, domínio tecnológico e, acima de tudo, profissionais diferenciados serão fundamentais. Por isso, alerta para a falta de quadros gerenciais com experiência e de mão-de-obra qualificada. Preparando-se para levar a Kallas Engenharia ao mercado de capitais, o construtor traça, em entrevista para a Téchne, um prognóstico das mudanças em um setor que, nas suas próprias palavras, não pode perder o momento histórico que se apresenta.