Há um traço comum entre os vários episódios dramáticos que têm ocupado espaço na mídia nos últimos meses. Acidentes, tragédias e outras ocorrências de causas díspares têm evidenciado a falta de valorização da Engenharia pela sociedade brasileira. Parece haver em nossas obras, órgãos públicos, agências reguladoras, concessionárias e até nas empresas privadas, uma prevalência de aspectos econômicos e políticos (muitas vezes partidários) em detrimento dos parâmetros técnicos. O fenômeno começa desde a seleção e escolha dos profissionais: controllers, assessores especiais e até lobistas costumam ser mais valorizados do que técnicos capacitados e experimentados em projetos e execução. Manifestar-se contra tal realidade tornou-se, inclusive, sinônimo de ingenuidade ou idealismo infantil. Não devemos, entretanto, apenas lamentar o afastamento de nossos melhores técnicos do poder de decisão. Nossos profissionais precisam defender, à luz dos recentes fatos, o retorno de nossa Engenharia ao centro das questões nacionais. Sem o tecnicismo desprovido de bom senso que prefere ignorar a política. Mas com uma balança equilibrada, sobre a qual os parâmetros técnicos sejam vistos com o respeito que merecem em qualquer país civilizado do mundo. O Brasil precisa saber se a pista do aeroporto está em condições de operação; se as contenções do emboque de um túnel são seguras; se as curvas de uma nova rodovia foram bem projetadas. E é assim que a História nos coloca o desafio do crescimento e da necessidade premente de infra-estrutura. Em nome do País, engenheiros, arquitetos e demais profissionais da construção civil devem se colocar à disposição para que as obras das quais necessitamos sejam projetadas e executadas com qualidade, segurança e dentro da ética. O momento requer uma verdadeira convocação. Que os bons profissionais saibam atendê-la com determinação e coragem.