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Entrevista
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Torres pré-moldadas


Nos últimos anos, o desenvolvimento dos pré-fabricados de concreto possibilitou sua utilização mais intensiva em estruturas de edifícios altos


por Renato Faria


Arnold Van Acker

Mestre em Engenharia Civil pela Universidade de Ghent, na Bélgica, Van Acker trabalhou por 45 anos na indústria de pré-moldados de concreto, em pesquisa e desenvolvimento de produtos e estruturas; participou também de comitês de padronização técnica europeus. Aposentou-se em 2001, mas ainda participa de atividades do setor na Febe (Federação Belga de Concreto Pré-moldado) e na FIB (Federação Internacional do Concreto). Foi condecorado pela FIP (Federação Internacional da Protensão, na tradução livre) por sua contribuição ao desenvolvimento do concreto protendido e pré-moldado. Foi premiado pela Federação Internacional do Concreto Protendido, pelo Comitê Europeu de Padronização e outras entidades belgas e internacionais.

Há ainda um certo receio de se utilizar elementos pré-fabricados em construções altas e esbeltas, como edifícios comerciais ou residenciais. Não sem razão, uma vez que não faltam dificuldades técnicas para garantir a estabilidade estrutural de todo o conjunto, principalmente à ação de forças horizontais, como as do vento. Mas a tendência pode estar mudando: Arnold Van Acker, membro da FIB (Federação Internacional do Concreto), tem acompanhado a explosão do uso da pré-fabricação nos países europeus, sobretudo em seu país, a Bélgica, e na Holanda. Em Rotterdam, recentemente foi erguido um edifício de 142 m de altura e 42 andares, 37 deles em pré-moldados. A concepção estrutural mais comum desse tipo de construção compreende uma espécie de "espinha dorsal", moldada in loco, cercada pelos elementos pré-moldados do restante da estrutura. Esse núcleo monolítico é um dos principais responsáveis pela garantia da estabilidade horizontal da torre. Outros aspectos, entretanto, norteiam os projetos que empregam esse sistema construtivo.

De acordo com o engenheiro belga, após os ataques terroristas de 11 de setembro, desenvolveram-se os estudos sobre colapso progressivo em estruturas pré-moldadas.

Uma série de dispositivos deve ser prevista em projeto para permitir que, caso qualquer elemento seja retirado da estrutura, ela seja capaz de redistribuir as cargas sem colocar em risco os usuários. Foi convidado pela ABCIC (Associação Brasileira da Construção Industrializada de Concreto) para palestra na feira Concrete Show (São Paulo, 15 a 17 de agosto).

Como tem evoluído o uso de pré-moldados de concreto em edifícios altos?
Nos últimos cinco anos, na Bélgica e na Holanda, houve uma verdadeira explosão de construções de edifícios pré-moldados, que chegam hoje a alturas de mais de 142 m. Até os anos 1990, o concreto pré-moldado não era muito usado nesse segmento de mercado, mas recentes avanços na indústria de pré-moldados mudaram muito esse quadro.

Quais as vantagens da utilização desse sistema construtivo?
Com o uso de elementos protendidos em vigas e lajes, podem-se obter vãos maiores e construções mais esbeltas. Em construções industriais e comerciais, os vãos da cobertura podem chegar a 40 m. Em garagens, o pré-moldado possibilita que os usuários coloquem mais carros no mesmo espaço, em função não apenas dos maiores vãos, mas também das menores seções dos pilares. Em prédios de escritórios, a tendência é a de construir espaços amplos e abertos, com os ambientes separados por divisórias.

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