O telejornal de maior audiência do País, o Jornal Nacional, trazia uma imagem inusitada há cerca de um ano. O repórter Renato Biazzi agachava-se para facilmente arrancar, com as mãos, pedaços de asfalto de uma rodovia no interior do Mato Grosso. Uma série de reportagens da Rede Globo apresentava o estado de algumas estradas recentemente recapeadas. Tratava-se de uma crítica ao plano de recuperação de rodovias federais, que ficou conhecido como Operação Tapa-Buracos e classificado por muitos como uma ação eleitoreira às vésperas do pleito presidencial. Esta edição mostra o quão complexo se constitui um projeto de rodovia – o traçado, o sistema de drenagem, as questões ambientais, a segurança e a manutenção. Apresenta também um exemplo real de tal complexidade: o Trecho Sul do Rodoanel Mário Covas, na Grande São Paulo. Com 61,4 km de extensão, deve consumir investimentos da ordem de R$ 3,5 bilhões, o que inclui, além da construção da rodovia, desapropriações, reassentamentos e compensações ambientais. Neste aspecto, evidencia como é intrincada a legislação que, acertadamente ou não, tem barrado importantes obras de infra-estrutura. Cabe aqui um alerta: é hora de oferecer respostas rápidas, como foi o caso da pista de descida da rodovia dos Imigrantes que, apesar de cruzar a Serra do Mar, teve um impacto 40 vezes menor do que o da primeira pista. Considerando que parte significativa do Programa de Aceleração do Crescimento (11,5%) é destinada a investimentos em transportes, o meio técnico deve lutar para que tais obras não emperrem por falta de alternativas aos impasses ambientais. Entretanto, deve-se criticar "remendos", o uso de materiais de má qualidade, pressa eleitoral e toda solução que não leve em conta a durabilidade e, mais do que nunca, a sustentabilidade.