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Seminário discute informática em cálculo estrutural

A PINI promoveu em agosto uma palestra sobre a aplicação de sistemas informáticos no cálculo de estruturas de concreto armado. Além de mostrar a evolução histórica das ferramentas dos engenheiros estruturais – das réguas de cálculos aos modernos computadores – nas últimas duas décadas, o evento mostrou o enxugamento dos escritórios, com a extinção de cargos e a concentração de tarefas nos profissionais restantes. Entre os palestrantes, existe o consenso de que os softwares de cálculo estrutural não substituem o trabalho de engenharia. "Ele só realiza relatórios, cálculos, e faz um desenho parecido com o projeto final. Mas a verificação e adequação do projeto pelo engenheiro estrutural são fundamentais", lembra Nelson Covas, da TQS Informática. Para Alio Ernesto Kimura – autor do livro "Informática aplicada em estruturas de concreto armado – Cálculo de edifícios com o uso de sistemas computacionais", editado pela PINI –, os engenheiros devem ficar atentos aos detalhes de projeto apresentados pelas máquinas. "A maior parte dos erros de projeto se dá por distração na verificação de erros de grandeza", explica Kimura. Para ele, é preciso que os profissionais saiam das escolas de engenharia entendendo os conceitos envolvidos nos cálculos de estrutura, a parte matemática fica para o computador. "Ele deve saber, por exemplo, que, se o vento aplicar uma força F sobre uma estrutura, ela sofrerá uma deformação D. No entanto, uma ação 2F não implica uma deformação 2D. Além disso, essa deformação acarreta mudanças no equilíbrio estático do edifício. É a isso que ele deve estar atento", lembra Kimura. A palestra ocorreu durante o Concrete Show 2007, realizado pela primeira vez no Brasil, em São Paulo. A feira contou com a participação de 165 expositores e foi visitada por dez mil profissionais ligados à construção civil brasileira. A organização do evento estima que os negócios iniciados na feira gerem o valor relativo a até cinco meses de faturamento das empresas expositoras.

Resíduos de produção de aço em pavimentos

Uma parceria entre o DNIT (Departamento Nacional de Infra-Estrutura de Transportes) e a siderúrgica Arcelor Mittal Tubarão permitiu o desenvolvimento de pesquisas para aproveitamento de escória de aciaria – utilizada no processo de produção do aço – em base e sub-base de rodovias. A técnica trará vantagens principalmente em locais próximos às usinas siderúrgicas, diminuindo os custos das obras. Reduzirá, também, a necessidade de exploração de pedreiras nessas regiões. Segundo o coordenador do IPR (Instituto de Pesquisas Rodoviárias do DNIT), Chequer Jabour Chequer, essa é a primeira pesquisa no País que trata do produto de aciaria em pavimentações. As pesquisas contam ainda com o apoio da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) e do IBS (Instituto Brasileiro de Siderurgia). Segundo o DNIT, está em curso uma parceria semelhante com uma siderúrgica no Estado de São Paulo, e os estudos devem começar nos próximos meses. No entanto, para ser aproveitado em larga escala na pavimentação das rodovias, o produto deve ser aprovado pelo colegiado técnico do DNIT e ser especificado pelo IPR. Apesar de as pesquisas com a escória estarem em curso apenas agora no Brasil, os Estados Unidos, segundo o IPR, reutilizam cerca de 7,5 milhões de t/ano de escória. Na Europa, são 12 milhões de t/ano e, no Japão, o uso da escória já está normatizado desde 1979.

Brasil tem Conselho de Construção Sustentável

Uma entidade sem fins lucrativos cujo objetivo é disseminar conhecimento sobre desenvolvimento sustentável na construção – o Conselho Brasileiro de Construção Sustentável nasceu em agosto e reúne líderes de ONGs, acadêmicos, construtores, representantes do setor financeiro e social, entre outros. Serão publicados boletins direcionados às empresas e órgãos governamentais e criado um centro de documentação. Num próximo passo, o CBCS pretende oferecer ao público um ramal de consulta sobre empresas comprometidas com a sustentabilidade e informações sobre produtos cadastrados. A entidade começa suas atividades com 90 associados – entre empresas e profissionais – e será presidida por Marcelo Vespoli Takaoka. Para obter informações e filiar-se, o interessado deverá procurar o link para adesão no site www.cbcs.org.br. Para solicitar material explicativo, escreva para filiese@cbcs.org.br.

"Crea e Confea não podem representar a categoria"

O Confea (Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia), junto com o Crea-RJ (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia) realizaram a 64ª SOEAA (Semana Oficial da Engenharia, da Arquitetura e da Agronomia) entre os dias 13 e 15 de agosto no Rio de Janeiro. A organização do evento registrou 2.011 visitantes que circularam entre fóruns, palestras, conferências, debates, audiência pública, cursos, apresentações de trabalhos técnicos e rodada de negócios. O tema deste ano, "Pensar o Brasil: Educar & Inovar: Responsabilidade Social", esteve presente na maioria dessas atividades. O presidente do Confea, o engenheiro mineiro Marcos Túlio de Melo, conversou com a Téchne sobre a qualidade da educação brasileira, uma possível certificação de instituições de ensino ou exame para obtenção do registro da categoria e o projeto de lei que cria um conselho próprio para os arquitetos proposto por organizações ligadas a esses profissionais.

Em uma recente enquete no site www.construcaomercado.com.br, 43% dos usuários consideraram péssima a atuação do sistema Confea/Crea e 38% responderam "Que atuação?". Como isso é visto pelo sistema?

São 30 anos sem investimento neste país, havia apenas a especulação financeira. Isso gerou uma estagnação muito grande no mercado, baixa valorização profissional e a fragilização de sindicatos. A categoria fragilizada criou expectativas e transferiu-as para o Crea e Confea. Precisamos fortalecer as organizações de classe, institutos, entidade, clube e representação de categoria. Reforçar as federações sindicais no que é papel delas, resgatar isso como um processo de organização como uma categoria profissional que não pode ser feita pelo Crea e Confea. Há uma falta de comunicação. O Crea e o Confea nunca poderão representar a categoria. Os dois são órgãos da sociedade, não são representativos de categoria ou corporativo na sua origem. Eles possuem objetivos definidos em lei que é fazer a fiscalização dos exercícios das atividades profissionais, a normatização do exercício profissional e ser tribunal ético. Há dois problemas que a pesquisa indica, o sistema não atende ainda com eficácia as necessidades para a qual ele foi criado e ele nunca poderá atender a expectativa de representatividade. Realizamos um estudo com mais de dois mil profissionais em todo o País com índice de confiabilidade em torno de 3% de erro. A pesquisa indica que a categoria não vê outra organização com maior capacidade de representação do que o Confea.

Tramita no Senado um projeto para separar a arquitetura do Confea proposto por organizações desses profissionais. Qual a posição do órgão?

Eu considero isso um processo não desejável. Hoje há uma expectativa de que ter um conselho próprio dará outra tônica para a arquitetura. A visualização direta é que o Confea seria um entrave para o desenvolvimento da arquitetura. É como se a evolução do profissional fosse atrelada a um conselho ou resolvida por ele. Para enfrentar o atual processo econômico, haverá mais capacidade de enfrentamento quanto mais estruturado e fortalecido estiver um conjunto. A arquitetura está estruturada em, praticamente, todos os Estados brasileiros dentro dos Creas. Com a separação, haverá um tempo muito grande de desestruturação para poder haver a reestruturação. É uma questão que deve ser analisada pelos arquitetos e suas organizações por meio de uma ação que conscientize sobre os projetos, as vantagens e desvantagens da situação e uma pesquisa que caracterize os desejos dos profissionais.

Discutiu-se muito sobre profissionais despreparados no transcorrer da SOEAA. Quais são as ações que o Confea planeja?

Há uma articulação para realizar mudanças na legislação brasileira, principalmente nas questões de atribuições, de fiscalização do exercício profissional e do ensino. Isso provoca impacto em várias áreas, inclusive um controle do registro profissional. O nível da qualidade e da formação profissional em todos esses segmentos têm deixado muito a desejar.

Quais são as propostas consideradas pelo órgão no âmbito educacional?

Ainda não há uma proposta consolidada, apenas a discussão conceitual. Os exames feitos pelo MEC são uma das formas de certificar universidades com padrões de qualidade que possamos assegurar. A questão de você certificar é uma das alternativas. Há vários exemplos no mundo todo. Há o próprio modelo brasileiro da Universidade Nova, que discute a necessidade do nível de bacharelado para adquirir o título de profissional pleno. O Confea está discutindo a realização de exames, a exemplo de outros conselhos e ordens, como a OAB. O sistema profissional pode e deve exigir parâmetros além daqueles obtidos automaticamente com um diploma de graduação ou técnico. Talvez isso apenas indique a falência do sistema de ensino, pois se houvesse uma formação mais eficaz não haveria essa discussão.

 
 
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