LUCIO
SOIBELMAN
Engenheiro civil formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul,
em 1984, tornou-se especialista em tecnologia avançada para a construção
em 1991 pela Agência de Cooperação Internacional do
Japão. Também é mestre em ciência da engenharia
civil pela mesma UFRGS e, desde 1998, Ph.D em Sistemas de Engenharia Civil
pelo MIT (Massachusetts Institute of Technology). Atualmente é
professor e pesquisador da Carnegie Mellon University, em Pittsburgh,
na Pensilvânia, com interesse no uso da tecnologia da informação
para o desenvolvimento econômico e como forma de suporte ao gerenciamento
da construção. Estuda também a integração
de processos e o desenvolvimento de sistemas em larga escala, assim como
inteligência artificial, coleta de dados, dentre outros temas relacionados.
Mesmo que ainda lentamente, o universo da construção civil
começa a sofrer uma invasão de tecnologias da informação
que propõem melhorar a concepção de projetos, a execução
e o controle da qualidade das obras, além de atuar sobre a segurança
no trabalho. Embora alguns custos ainda sejam altos, outros obstáculos
são mais difíceis de superar. O exemplo máximo é
a validação efetiva da utilidade ou dos benefícios
proporcionados pela adoção de determinada tecnologia. É
um problema inerente à maior diferença entre a indústria
da construção e as demais: o fato de não trabalhar
com produção seriada. Dessa maneira, fica difícil
avaliar qual elemento – ou qual combinação de decisões
– determinou a melhora ou piora de uma obra em relação
às outras. Para comprovar as vantagens da TI na construção
– porque qualquer aplicação prática demanda
significativo aporte de recursos – é imprescindível
investir em pesquisa. No entanto, estudos que visem à melhoria
da produtividade em empresas não são escopo do governo,
da mesma forma que pesquisar sobre como diminuir os impactos da construção
na sociedade não é o foco dos construtores. Se o problema
parece típico de um país que pouco investe em pesquisa,
o engenheiro brasileiro Lucio Soibelman assegura que esse é um
dos maiores entraves que enfrenta para obter financiamento para pesquisa
nos Estados Unidos. Nessa entrevista ele aponta como os nós têm
sido desatados para que os canteiros de obra se beneficiem efetivamente
da informática.
Ao observar um canteiro de obras moderno, podemos constatar que
há tecnologias que pareciam improváveis há alguns
anos.
A construção demorou em abrir espaço à tecnologia
da informação?
Não é questão de ser provável ou não,
mas do que existia. Houve um grande desenvolvimento de uso da TI (tecnologia
da informação) no escritório, com o surgimento de
grandes softwares para fazer orçamentos. Então, não
é completamente verdade dizer que a indústria da construção
está atrasada em relação à informática,
embora tenha demorado em usar o computador em obras.
Para quais fins o computador tem sido usado nos canteiros?
No Brasil muitas construtoras usam handhelds. Nos Estados Unidos, a idéia
da extranet pegou forte, tendo começado basicamente com gerenciamento
de projetos. Hoje o calculista estrutural não precisa nem falar
com o arquiteto, é só entrar no site da obra e verificar
os dados de que precisa. Mesmo homens de obra têm acesso às
informações por meio de computadores de canteiro.
Têm surgido soluções tecnológicas
completamente novas?
Algumas empresas começam a usar o RFID (Radio-Frequency Identification,
ou identificador por radiofreqüência), outras contam com scanners
3D a laser para controle da qualidade da execução. Esse
equipamento, ainda muito caro, analisa os eixos das colunas da fôrma
e do modelo 3D, comparando tolerâncias antes mesmo da concretagem,
por exemplo. A fotografia digital também está revolucionando
a documentação, pois fica fácil provar que uma impermeabilização,
por exemplo, foi feita. Há sensores, ainda em fase de pesquisa,
que permitem ver a maturidade do concreto e o momento para retirada das
fôrmas.
Por que as etiquetas de RFID ainda não são amplamente
utilizadas?
Existem etiquetas de RFID ativas e passivas. As primeiras emitem informação,
têm bateria e permitem uma leitura à maior distância.
Se há uma coluna muito grande e a etiqueta tem que ficar no alto,
tem que ser ativa. As passivas são muito mais baratas, mas exigem
que se chegue perto para conseguir ler. Se, por exemplo, se quiser controlar
a entrada de canos numa obra por meio de RFID, estas têm que ser
ativas ou alguém tem que fazer a leitura com uma pistola. Outro
detalhe importante é o tamanho da memória. A construção
ainda não descobriu se quer ter esse tipo de coisa.
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