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Revestimentos de argamassa com fibras de polipropileno


Por Rosiany da Paixão Silva e Mercia Maria Semensato Bottura de Barros


Para melhorar o desempenho dos revestimentos de fachadas, projetistas e construtores têm procurado soluções que minimizem problemas como fissuração e destacamento, dentre as quais, a adição de fibras sintéticas nas argamassas, pois podem funcionar como barreira à propagação de fissuras. Dentre as fibras empregadas, destacam-se as de polipropileno, pelo seu baixo custo e sua durabilidade na matriz cimentícia.

Apesar do panorama promissor ao emprego das fibras, não se dispõem de informações precisas quanto às mudanças necessárias no processo de produção das argamassas, para que se tenha um revestimento adequado às condições de solicitação. Vários questionamentos podem ser feitos, dentre os quais: qual o melhor método para se adicionar as fibras à argamassa, para que a mistura seja eficiente? Qual o teor de fibras possível de ser adicionado sem comprometer a trabalhabilidade da argamassa e, por conseqüência, o desempenho do revestimento?

Portanto, antes de se debater o potencial das fibras para a restrição das fissuras, é preciso verificar sua influência na execução do revestimento. Nesse contexto, o objetivo deste artigo é discutir como as fibras afetam as condições de mistura da argamassa e o seu efeito na execução do revestimento.

Condição de mistura da argamassa
A produção da argamassa exige a mistura adequada dos constituintes, de modo que a pasta envolva a superfície dos grãos sólidos, resultando em um material homogêneo e de fácil aplicação. Essa atividade é crítica na produção do revestimento. Há muitas variáveis a serem controladas, como o tipo de misturador, a ordem de colocação dos materiais, o volume de produção, a energia e o tempo de mistura (figura 1).

As fibras são mais uma variável desse processo. Sua elevada área superficial demanda grande quantidade de água de molhagem para manter a trabalhabilidade da argamassa e isso pode alterar suas propriedades mecânicas. Acrescente-se ainda o formato alongado das fibras que intensifica os contatos entre partículas da matriz, que pode resultar em aglomerados de sólidos, caso a energia de amassamento não seja suficiente para vencer o atrito entre os grãos. Portanto, as condições de mistura são determinantes na dispersão das fibras pela matriz.

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