Para melhorar o desempenho dos revestimentos de fachadas, projetistas
e construtores têm procurado soluções que minimizem
problemas como fissuração e destacamento, dentre as quais,
a adição de fibras sintéticas nas argamassas, pois
podem funcionar como barreira à propagação de fissuras.
Dentre as fibras empregadas, destacam-se as de polipropileno, pelo seu
baixo custo e sua durabilidade na matriz cimentícia.
Apesar do panorama promissor ao emprego das fibras, não se dispõem
de informações precisas quanto às mudanças
necessárias no processo de produção das argamassas,
para que se tenha um revestimento adequado às condições
de solicitação. Vários questionamentos podem ser
feitos, dentre os quais: qual o melhor método para se adicionar
as fibras à argamassa, para que a mistura seja eficiente? Qual
o teor de fibras possível de ser adicionado sem comprometer a trabalhabilidade
da argamassa e, por conseqüência, o desempenho do revestimento?
Portanto, antes de se debater o potencial das fibras para a restrição
das fissuras, é preciso verificar sua influência na execução
do revestimento. Nesse contexto, o objetivo deste artigo é discutir
como as fibras afetam as condições de mistura da argamassa
e o seu efeito na execução do revestimento.
Condição
de mistura da argamassa
A produção da argamassa exige a mistura adequada dos constituintes,
de modo que a pasta envolva a superfície dos grãos sólidos,
resultando em um material homogêneo e de fácil aplicação.
Essa atividade é crítica na produção do revestimento.
Há muitas variáveis a serem controladas, como o tipo de
misturador, a ordem de colocação dos materiais, o volume
de produção, a energia e o tempo de mistura (figura 1).
As fibras são mais uma variável desse processo. Sua elevada
área superficial demanda grande quantidade de água de molhagem
para manter a trabalhabilidade da argamassa e isso pode alterar suas propriedades
mecânicas. Acrescente-se ainda o formato alongado das fibras que
intensifica os contatos entre partículas da matriz, que pode resultar
em aglomerados de sólidos, caso a energia de amassamento não
seja suficiente para vencer o atrito entre os grãos. Portanto,
as condições de mistura são determinantes na dispersão
das fibras pela matriz.
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