A
nova geração de softwares para desenvolvimento de projetos
deve promover uma mudança radical no processo de produção
da construção civil. Eles incorporam uma nova tecnologia,
conhecida como BIM (Building Information Modeling), ou Modelagem de Informações
para a Construção, que permite organizar, em um mesmo arquivo
eletrônico, um banco de dados de toda a obra, acessível a
todas as equipes de engenharia e arquitetura envolvidas na construção.
A disseminação do BIM vem ganhando força desde
o desenvolvimento, há alguns anos, dos softwares CAD paramétricos
para a construção. Diferentemente dos CADs tradicionais,
esses novos programas atribuem informações aos desenhos
elaborados no computador. Assim, por exemplo, uma parede elaborada no
CAD tradicional é "entendida" pela máquina como
um desenho simples, um conjunto de linhas sem significados. As características
da parede - especificações de material, quantidades
etc. - são indicadas manualmente como texto na legenda do
projeto.
Nos softwares BIM, o desenho é mais "inteligente".
Ao desenhar a parede, o projetista deve atribuir-lhe propriedades -
tipo de blocos, dimensões, tipo de revestimento, fabricantes etc.
-, que são salvas no banco de dados. A partir dele, é
gerada automaticamente a legenda do desenho. Em outras fases da construção,
porém, também é possível extrair informações
em outros formatos, como tabelas de quantitativos de material para a equipe
de orçamentistas.

Desenhos
Com os programas BIM, os projetos são elaborados já em três
dimensões. Para Eduardo Toledo Santos, professor da Escola Politécnica
da USP (Universidade de São Paulo), isso exigirá um esforço
maior de abstração dos projetistas acostumados a trabalhar
com desenhos em duas dimensões. No longo prazo, porém, um
dos grandes problemas da coordenação de projetos tende a
desaparecer: as interferências entre os sistemas. Segundo o arquiteto
Luiz Augusto Contier, da Contier Arquitetura, se todos os projetistas
passarem a trabalhar com as mesmas noções tridimensionais,
e não mais apenas com símbolos, a comunicação
será mais eficiente. "Nos projetos de elétrica que
recebemos hoje, por exemplo, uma tomada e um quadro de força são
representados por pequenos símbolos. É muito comum especificarem
quadros que não cabem na parede", explica Contier.

Por serem indispensáveis para orientação das equipes
que executarão in loco os projetos, os modelos 2D continuam existindo
no BIM. A diferença é que, como todos os outros documentos,
esses arquivos eletrônicos estão permanentemente ligados
ao banco de dados da obra. Por isso, qualquer alteração
realizada no modelo tridimensional é automaticamente atualizada
em todos os arquivos bidimensionais e vice-versa, dispensando revisões
mais detalhadas. A vantagem é mais visível em projetos complexos,
com centenas de plantas e cortes.
PÁGINAS :: 1 | 2 | 3 | Próxima >>