O projetista de estruturas Charles H. Thorton possui escritórios
em 12 cidades do mundo, dentre as quais se destacam Londres, Hong Kong,
Xangai e Moscou. Entrevistado de Téchne no 120, em março
deste ano, o norte-americano esteve no Brasil para uma conferência
na feira Revestir, em São Paulo. A despeito de abordar o colapso
das torres gêmeas de Nova York, fez questão de discorrer
sobre um conceito que tem defendido com veemência e que ainda não
encontra grande ressonância em todo o planeta. Trata-se do BIM,
sigla para building information modeling ou, em português, modelagem
de informações para construção. A mesma ênfase
ao assunto foi dada por especialistas brasileiros, incluindo Lucio Soibelman,
entrevistado desta edição durante o III Encontro Tecnologia
da Informação e Comunicação na Construção
Civil, promovido em Porto Alegre pela Antac (Associação
Nacional de Tecnologia do Ambiente Construído). Mas por que tanto
interesse pelo tema? A reportagem de capa desta edição procura
responder à questão. Deixa claro que, além da possibilidade
de projetar em três dimensões, a grande sacada do BIM é
integrar as especificações técnicas e elementos oriundos
de diferentes projetos em um único arquivo. Qualquer alteração
é atualizada de forma automática, inclusive nos arquivos
bidimensionais. Em projetos complexos, de farta documentação,
tal funcionalidade constitui alívio para as equipes e libera os
profissionais para o que interessa: trabalhar no projeto de fato e não
em sua representação gráfica. A riqueza de informações
proporcionada pelo BIM impressiona. Ao desenhar uma parede, por exemplo,
o projetista atribui propriedades como dimensões, tipo de bloco,
revestimento, fabricante etc. Como se sabe, nos CADs tradicionais, tais
características são indicadas manualmente no texto legenda
do projeto. Outro diferencial refere-se à facilidade de integração
das etapas de projeto com as de orçamento e planejamento de obras.
Trata-se de um passo indispensável, porém, ainda distante.
Para chegar lá, garantem os especialistas, os profissionais precisam
aprender a desenhar em sistemas BIM e, em uma segunda fase, a trocar arquivos
entre os projetistas. O caminho é longo, mas Thorton, Soibelman
e vários especialistas garantem: vamos trilhá-lo. A leitura
da reportagem de Téchne pode ser um bom começo nesse sentido.