Com crescimento anual próximo a dois dígitos, a China
conquista mercados na contramão dos tratados comerciais e consome
vorazmente matérias-primas. Avança com apetite mundo afora,
mas não simpatiza tanto com a livre iniciativa em seu próprio
território. Adepta de um modelo de capitalismo peculiar, calcado
na mão pesada do PC chinês, o país é a metáfora
comercial de sua maior obra: poucos passam, e mesmo assim, com grande
dificuldade. No início da década de 1990, a Grande Muralha
deu passagem a empresas brasileiras de serviços de engenharia,
como a Mendes Júnior, que lá esteve entre 1994 e 2001 para
construir a usina hidrelétrica TSQ-1. Victório Duque Semionato,
diretor de engenharia da Mendes Júnior, lembra em entrevista como
tudo era precário no país. Acredita que os chineses devem
se orgulhar da usina de Três Gargantas, em breve, a maior hidrelétrica
do mundo – além de uma das mais polêmicas e de maior
impacto ambiental. O editor-assistente de Téchne, Gustavo Mendes,
acompanhou com exclusividade uma missão de construtores brasileiros
do SindusCon-SP ao país asiático e visitou obras residenciais
de boa qualidade, conheceu cartões postais das Olimpíadas
de Pequim, como o Estádio Nacional de Pequim (Bird's Nest) e o
Centro Nacional de Natação (Water Cube). Também conferiu
de perto um bom número de materiais e tecnologias voltadas para
o setor da construção na Feira de Cantão. Aprecie-se
ou não, o número de itens e o volume de insumos importados
da China devem registrar crescimento, principalmente se o risco de desabastecimento
se agravar com o atual boom imobiliário. Resta saber se esses produtos
vão atender às nossas exigências de qualidade. Construtores,
incorporadores, projetistas, contratantes, entidades setoriais, importadores
e laboratórios devem ficar atentos nesse sentido.