Qual
a diferença entre revestimentos texturizados acrílicos e
cimentícios? Para edifícios em orla marítima, qual
deles é o mais indicado?
Paulo R. Costa, por e-mail
Revestimentos cimentícios decorativos são constituídos
por agregados miúdos aglomerados com cal hidratada e cimento. Compõem-se,
normalmente, de cimento branco, areia fina, dolomita e/ou calcário
moído, pigmentos e aditivos, podendo-se incluir plastificantes
– incorporadores de ar, retentores de água, hidrofugantes
e até polímeros. Independentemente da quantidade de polímero,
os revestimentos cimentícios são considerados revestimentos
rígidos, constituem camadas com cerca de 4 mm ou 5 mm de espessura,
podendo receber diferentes acabamentos: massa raspada, travertino, acabamento
vassourado e outros. Nos revestimentos texturizados acrílicos a
areia, granilha, pigmentos e outros são aglutinados em geral com
emulsão acrílica, pura ou combinada com estireno-butadieno,
constituindo um revestimento classificado como flexível. A espessura
nesse caso normalmente não supera 2 mm e, em função
da forma de aplicação (por projeção), e de
eventual tratamento subseqüente, também pode-se conseguir
diferentes texturas/acabamentos superficiais. Na orla marítima
verificam-se condições extremamente adversas para os revestimentos
de fachada, em função da forte insolação e
elevadíssima umidade relativa do ar, das chuvas freqüentes,
das subseqüentes movimentações de expansão e
contração e do acentuado teor de sal dissolvido na brisa
marinha. Por essa razão, as fachadas dos edifícios localizados
na orla marítima são frequentemente revestidas com materiais
impermeáveis ou com baixíssima absorção de
água, como as pastilhas de porcelana e as placas cerâmicas
esmaltadas. No caso dos materiais indicados, parece-nos que há
necessidade de proteções especiais, como a aplicação
de hidrofugantes ou películas de verniz sobre os revestimentos
cimentícios. Tanto nesse caso, como no das texturas acrílicas,
prevê-se a necessidade de pinturas e hidrofugações
periódicas, talvez a cada três ou quatro anos.
Ercio Thomaz, Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)
Juntas de fachada
Quais devem ser a profundidade e largura mínimas de juntas
de fachadas com revestimento de argamassa?
Carlos Abramante Jr., por e-mail
As juntas podem apresentar larguras em torno de 10 mm a 15 mm, devendo
compreender toda a espessura do revestimento (aprofundando-se até
a base, portanto). Podem ainda ser introduzidos frisos ou bunhas onde,
nesse caso, a profundidade atingirá cerca de 15 mm, ou equivalente
à metade da espessura da camada de revestimento. A disposição
dos frisos ou juntas, largura e profundidade deverão, entretanto,
ser estabelecidas em função do clima da região (insolação,
umidade relativa do ar, regime de chuvas e de ventos), da altura do edifício,
das características de rigidez da estrutura, das características
das alvenarias e dos tipos de ligação entre alvenarias e
estrutura, das propriedades da argamassa de revestimento (retenção
de água, retração, módulo de deformação),
da cor e de outras características arquitetônicas das fachadas
(pé-direito, extensão dos panos, número de recortes,
incidência e proximidade de janelas etc.).
Ercio Thomaz, Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)