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Cerâmica vermelha

É verdade que cerâmicas vermelhas aderem melhor ao substrato de fachadas, por isso são mais indicadas para esse uso? A grande quantidade de prédios antigos com esse revestimento não é um atestado de qualidade?
Luis Arnaldo Reis, por e-mail

Nos casos normais, a aderência de uma placa cerâmica processa-se com a penetração de nata de cimento nos poros do corpo cerâmico, reações de hidratação do cimento e formação de cristais aciculares no interior dos poros, resultando, portanto, em uma ancoragem essencialmente mecânica. Assim, além de diversos outros fatores, a efetividade da aderência é função da porosidade (quantidade, distribuição e diâmetro dos poros capilares) e não da cor da cerâmica. A existência de prédios antigos, nos quais o revestimento cerâmico permanece intacto, pode ser resultado de placas cerâmicas com condições mais propícias de porosidade do que aquelas das placas atuais. Entretanto, parece-nos que diversos outros fatores exercem influência mais importante na aderência ou no descolamento das placas cerâmicas das fachadas, por exemplo:

  • dimensões das placas, que hoje são mais acentuadas: quanto maiores as placas, maior o risco de descolamento;
  • rigidez da estrutura: as estruturas atuais são muito mais esbeltas que as anteriores;
  • inércia térmica das paredes: comparativamente, as atuais apresentam massas muito menores;
  • cuidados no assentamento: hoje os assentamentos são feitos normalmente sem a correção da higroscopicidade da base e das próprias placas cerâmicas, placas são assentadas sobre bases carbonatadas etc.;
  • características elásticas do emboço: emprego atual de emboços às vezes muito rígidos, tentativas de colagem das placas cerâmicas diretamente sobre as alvenarias etc.

    Ercio Thomaz, Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

    Traço de contrapiso

    Para traços de argamassa de contrapiso, qual deve ser a quantidade mínima de cimento?
    Jurandir Simão, oor e-mail

    Supondo-se que seja apenas camada de regularização, não há uma quantidade mínima nem uma quantidade máxima, trabalhando-se na média com algo em torno de 400 kg de cimento/m³ de argamassa (traço em volume em torno de 1:5, areia média lavada na umidade natural – cerca de 3%). Quanto mais fina a areia, maior será o consumo de cimento, em função da maior superfície específica dos grãos a serem integralmente revestidos com a nata de cimento. Caso se pretenda executar argamassa com propriedades impermeabilizantes (impermeabilização rígida, argamassa incorporada com elastômeros, estearatos e outros hidrofugantes de massa), o consumo de cimento haverá de ser ainda maior, podendo atingir valores até da ordem de 600 kg/m³.

    Ercio Thomaz, Cetac-IPT (Centro de Tecnologia do Ambiente Construído)

     
     
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