PERFIL
Idade: 69 anos
Graduação:
engenharia civil e eletrotécnica pela Universidade Federal de
Juiz de Fora, em 1967
Empresas em que trabalhou:
FEM – Projetos, Construções e Montagem (subsidiária
da CSN – Companhia Siderúrgica Nacional), de 1960 a 1995,
e IHB Engenharia e Consultoria, desde então
Cargos exercidos: mecânico
ajustador, desenhista de estruturas metálicas, projetista, chefe
de divisão, chefe de departamento e gerente geral de projetos,
todos pela FEM, consultor pela IHB, professor e coordenador do Curso
de Engenharia Civil do Centro Universitário de Volta Redonda
As primeiras estruturas assinadas pelo engenheiro Ildony Hélio
Bellei foram concebidas com base em incipientes normas técnicas
internacionais e com auxílio de, apenas, "a famosa régua
de cálculo", a única ferramenta disponível à
época. "Por não ter vírgula nem ponto, nos obrigava
a ter uma grande noção de grandeza, que é vital para
qualquer engenheiro", afirma o mineiro de Juiz de Fora.
Se hoje é especialista absoluto em estruturas metálicas,
a escolha pelo segmento veio quase que por acaso. Com bom conhecimento
de desenho, considerou fácil passar no concurso que prestou para
a área de estruturas metálicas realizado pela CSN/FEM (Companhia
Siderúrgica Nacional e sua respectiva subsidiária para projetos,
execução e montagem). Isso aconteceu em 1960, quando assumiu
o cargo e se tornou desenhista de estruturas. Daí em diante, o
gosto pelas estruturas metálicas apareceu normalmente.
O conhecimento em desenho foi desenvolvido durante o tempo – anterior
à graduação – em que fez um curso no Senai
(Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial) e trabalhou como
mecânico-ajustador, entre 1951 e 1955. A paixão pelas estruturas
em aço tanto se desenvolveu que até hoje, 47 anos depois,
ainda trabalha com esse tipo de material e concepção estrutural.
O período se divide entre a fase em que trabalhou para a FEM –
Projetos, Construções e Montagem, entre 1960 e 1995, e a
atuação com consultoria, pela IHB – Engenharia e Consultoria,
empresa que criou com os filhos, após a aposentadoria. Essa empresa
pessoal tem permitido ao engenheiro realizar projetos e consultorias "sempre
no ramo das estruturas metálicas, que é a nossa grande paixão".
Os três filhos são engenheiros; o caçula em telecomunicações
e o casal mais velho formado em engenharia civil. Bellei aposta que a
vocação seja nata, pois garante não ter havido pressão
para a escolha da profissão.
Ele mesmo afirma estar plenamente realizado com as conquistas que obteve
por meio da profissão. Além da atuação profissional
que lhe propiciou participar de inúmeras e significativas obras,
também teve a oportunidade de atuar como professor universitário.
Durante 20 anos fez parte do corpo docente do curso de engenharia civil
do UniFOA (Centro Universitário de Volta Redonda), sendo oito deles
também como coordenador desse curso. Tal vivência no meio
acadêmico, conta, trouxe-lhe experiência para escrever dois
livros e dois manuais, além de publicar vários artigos em
revistas especializadas.
O gosto pelos livros veio, definitivamente, após a publicação
de artigos na revista Construção, da Editora PINI, e da
elaboração de uma apostila para os alunos. Em 1994 publicou
o livro "Edifícios Industriais em Aço", hoje na
quinta edição. Também é de sua autoria, juntamente
com dois colegas, o "Edifícios de Múltiplos Andares
em Aço", ambos pela PINI. Pelo CBCA (Centro Brasileiro da
Construção em Aço) publicou "Interfaces Aço-Concreto"
e "Pontes e Viadutos em Vigas Mistas".
Ao longo da carreira participou de diversas reuniões e discussões
da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas)
para elaboração de normas – inclusive da nova e em
fase de aprovação "NBR 8800 – Projeto e Execução
de Estruturas de Aço de Edifícios (Método dos Estados
Limites)".
A normalização minimiza substancialmente aquela que figurava
dentre as principais dificuldades enfrentadas pelos profissionais da época,
segundo conta. O setor de projetos e cálculos sofria com a falta
de bibliografia e normas nacionais, sendo que as poucas disponíveis
estavam em inglês ou alemão. Por conta dessa carência,
as referências adotadas pela FEM, onde trabalhava na época,
para todo o procedimento de detalhe e fabricação remetiam
às especificações do AISC (American Institute of
Steel Construction), da AWS (American Welding Society) e da AISE (Association
of Iron and Steel Engineers).
Esse período de desenvolvimento de metodologias e normalizações
nacionais foi importante para incrementar o conhecimento de Bellei com
relação a todo o processo, desde o projeto até a
montagem, pelo qual passa uma estrutura. "Obtivemos uma experiência
muito grande de como projetar e calcular analisando todas as etapas",
salienta. Também afirma que está dentre as maiores conquistas
ter projetado sem ter norma ou bibliografia específica. Por ter
participado ativamente, ainda na FEM, do desenvolvimento dos primeiros
critérios para projeto, fabricação e montagem, incluindo
tabelas de perfis soldados e tolerâncias de fabricação
e montagem, viu praticamente todos os fabricantes de estruturas se valerem
desses dados.
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