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Paredes de painéis monolíticos de EPS


Por Oswaldo Kiesewetter


Foto 1 – A residência, com estrutura monolítica e autoportante, foi baseada em um projeto realizado em região sujeita a terremotos, na Itália

A residência mostrada neste artigo (foto1) foi construída com base em um projeto realizado na Itália, em uma região sujeita a terremotos. Lajes e paredes são executadas com painéis monolíticos de EPS (poliestireno expandido), reforçadas com telas eletrossoldadas e revestidas nas duas faces com argamassa industrializada lançada manualmente ou com projetor. Os idealizadores do projeto italiano, reproduzido depois no Brasil, desejavam criar uma estrutura monolítica, autoportante e capaz de apresentar um bom comportamento térmico, isolando o interior de variações bruscas de temperatura.

A técnica combina ao mesmo tempo exigências normativas de desempenho estrutural, conforto térmico e impermeabilização – fatores que impõem grandes dificuldades de dimensionamento quando utilizados métodos construtivos convencionais.

Materiais para montagem dos painéis
A construção das paredes requer a montagem de grandes painéis compostos de chapas EPS com densidade de 15 kg/m³ a 16 kg/m³ do tipo 4F (NBR 11949), de no mínimo 80 mm, que são cortadas de acordo com a especificação de cada projeto (foto 2). Na seqüência, duas telas de aço eletrossoldadas (foto 3) de 3,4 mm de 15 cm x 15 cm fazem um sanduíche da peça e são presas por grampos. Os painéis de EPS podem ser ondulados, retangulares ou duplos, e sua utilização, como veremos a seguir, será determinada pela capacidade de se preencher as cavidades com argamassa, para que se formem microcolunas de reforço. Na construção de prédios com vários pavimentos, os painéis principais de sustentação devem ser duplos, com espaço variável entre eles, conforme a altura do edifício, e serão preenchidos com concreto estrutural. No final, o aspecto da edificação será de construção tradicional de alvenaria. O sistema monolítico pode ser empregado para executar tanto paredes como pisos e coberturas inclinadas.

Projeto
Os painéis monolíticos de EPS interagem sem problemas com outros materiais, devendo-se evitar apenas os solventes. De um modo geral, as obras com paredes e lajes de blocos de EPS reforçados e revestidos empregam os mesmos materiais utilizados na construção civil convencional. Para desenvolver esse sistema foram realizados cálculos e ensaios de resistência dos elementos utilizados, tanto para atendimento de peculiaridades arquitetônicas como para permitir flexibilidade à passagem de instalações elétricas e hidráulicas. Ao contrário de outras soluções construtivas, o painel de EPS é bastante leve (2,5 kg/m2 a 4 kg/m2 antes da aplicação da argamassa), enquanto as mesmas dimensões de alvenaria simples podem chegar a 120 kg/m2. Os projetos permitem construção de casas com mais de um andar sem a necessidade de colunas ou vigas. O conceito estrutural desse sistema pode ser considerado realmente monolítico, característica de grande vantagem quanto à estabilidade da edificação como um todo, pois foi desenvolvido para suportar abalos sísmicos e distribuir de maneira uniforme as cargas sobre as fundações. Além dessas vantagens, o usuário usufrui de um isolamento termoacústico sem a necessidade do uso de aparelhos de condicionamento de ar. Sistemas construtivos monolíticos com painéis de EPS permitem executar residências (fotos 4 e 5), prédios industriais, comerciais e casas populares, como é largamente feito hoje nas Américas do Sul e Norte, Europa, Ásia, África e Austrália.

Execução
Primeira etapa: preparação das fundações, feitas de acordo com o cálculo estrutural. Após o término das fundações deverão ser fixados arranques de aço de 3,4 mm a 5 mm e 30 cm acima do piso (fotos 6 e 7), que alinhados pelo gabarito da obra serão fixados aos painéis monolíticos.

Segunda etapa: pisos com laje treliçada unidirecional de EPS de 10 cm, em alguns casos, como os ilustrados neste artigo (fotos 8 e 9), empregam uma malha de 3,4 mm de 15 cm x 15 cm em pontos onde o vão é maior, mas não há necessidade do uso da malha em todas as peças da obra. Deve-se seguir, em todo caso, a orientação do calculista.

Terceira etapa: fixar os painéis nos arranques com o auxílio de um grampeador com grampos de aço CA 60 (o mesmo que prende a malha aos painéis). O trabalho de montagem poderá ser facilitado com a numeração dos painéis. As abas dos painéis deverão ser reforçadas com telas de aço eletrossoldadas sobrepostas ao painel ao lado. Nos cantos dos painéis e nos cantos das portas e janelas (foto 10) pedaços de tela devem ser colocados nos lados interno e externo na posição diagonal, para absorver tensões e eventuais trincas.

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