Com o crescente emprego do sistema construtivo de alvenaria estrutural,
os edifícios vêm apresentando maior número de pavimentos
e menor quantidade de paredes estruturais, tornando mais complexos e desafiadores
os projetos estruturais. Assim, o comportamento do sistema deve ser mais
bem entendido, de modo a se conceber estruturas econômicas utilizando-se
modelos de cálculo seguros e eficientes.
Com o objetivo de avaliar o comportamento estrutural, foi idealizado
um programa experimental para ensaios com painéis de alvenaria
de blocos cerâmicos vazados. Esses painéis foram construídos
na escala 1:3, sendo solicitados por forças verticais e horizontais.
Os ensaios foram realizados no Laboratório de Estruturas da Escola
de Engenharia de São Carlos da USP (Universidade de São
Paulo).
O emprego de modelos reduzidos para avaliação do comportamento
da alvenaria estrutural vem se tornando prática comum entre pesquisadores
devido, principalmente, à possibilidade de emprego de equipamentos
de ensaios com menor capacidade de carga. Um programa experimental para
avaliação do comportamento de painéis de alvenaria
estrutural vem sendo desenvolvido na EESC-USP. Entre os estudos que fazem
parte desse programa podem ser citados: a análise dos efeitos de
recalques em painéis, Holanda Jr. (2002); a investigação
do comportamento de painéis submetidos à força horizontal,
Nascimento Neto (2003); e a avaliação da interação
entre paredes, Cappuzzo Neto (2005). O estudo aqui apresentado corresponde
à avaliação do comportamento de painéis pré-comprimidos,
submetidos à ação horizontal, sendo avaliados os
efeitos de armaduras verticais construtivas especialmente focalizando-se
os seus aspectos qualitativos. Apesar de ter sido utilizado bloco cerâmico
é esperado comportamento semelhante, sob o ponto de vista qualitativo,
caso a opção tivesse sido por bloco de concreto.
Programa experimental – Ensaios de caracterização
Inicialmente foram realizados ensaios de caracterização
dos blocos e dos prismas em escala reduzida, cujos resultados estão
sintetizados na tabela 1.
Para a resistência à compressão simples dos blocos,
obteve-se o valor médio de 31,2 MPa, na área bruta, a partir
de seis exemplares. Para os prismas, foram realizados ensaios com 18 exemplares
nas idades de oito, 14, 21 e 28 dias. Os resultados, também na
área bruta, indicam que não houve modificação
substancial na resistência com a idade, chegando-se ao valor médio
de 18,3 MPa. A figura 1 ilustra os blocos utilizados, em escala reduzida,
para os quais se obteve razão área líquida/área
bruta igual a 0,55, próxima da usualmente encontrada nos blocos
estruturais em escala natural.

Tipo de painéis e intensidade da pré-compressão
Foram ensaiados painéis com aberturas típicas de porta e
de janela, sendo os trechos de alvenaria ao lado das aberturas denominados
"porções contínuas". Para cada tipo foram
ensaiados dois painéis, um com armadura e grauteamento vertical
e outro sem.
A figura 2 ilustra dois painéis com armadura vertical, destacando-se
a presença de vergas e contraverga, cuja armação
consistiu em barras únicas com 6,3 mm de diâmetro.
Os painéis ensaiados foram identificados como:
PPCG – Painel com abertura de porta com
armadura e graute vertical
PPSG –
Painel com abertura de porta sem armadura e graute vertical
PJCG – Painel com abertura de janela com armadura
e graute vertical
PJSG – Painel com
abertura de janela sem armadura e graute vertical.
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