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Batimat 2007

Preocupação sustentável


Produtos apresentados no Salão Francês da Construção - a Batimat - refletem preocupação com desenvolvimento sustentável. Sistemas construtivos geradores de eletricidade marcaram evento


Por Renato Faria


No final de outubro, Nicolas Sarkozy, presidente francês, apresentou um plano de ações para promover efetivamente, a longo prazo, o desenvolvimento sustentável e a proteção dos recursos naturais de seu país. Elaborado conjuntamente por representantes do Estado e da sociedade civil durante a conferência ambiental "Grenelle de l'Environnement", o documento reconhece que o setor da construção é o que consome mais recursos naturais na França.

Foi logo após o término dessa conferência, que promete mudar drasticamente a indústria da construção daquele país, que aconteceu a 26a edição da feira francesa Batimat, em Paris. Alinhados com o tema central do evento, "Desenvolvimento Sustentável", os principais lançamentos procuram aumentar a eficiência energética da edificação. As decisões tomadas na Grenelle de l'Environnement prevêem que, até 2012, todos os novos edifícios construídos no país deverão atender às normas governamentais de baixo consumo de energia; a partir de 2020, todos os novos edifícios deverão produzir mais energia do que consumirem.

E o atual estágio tecnológico dos materiais e sistemas de construção já permite que o setor dê os primeiros passos em direção a esse futuro. Conceito pesquisado e desenvolvido à exaustão na última década no país, a integração de elementos fotovoltaicos aos sistemas construtivos foi destaque na Batimat 2007. Adaptados às coberturas ou aos painéis de fachada, esses elementos possibilitam aos imóveis gerar sua própria energia elétrica a partir da radiação solar. Assim, podem complementar o fornecimento proveniente da rede pública de energia ou vender o excedente à empresa de abastecimento. Homenageados no concurso de inovação da feira, destacaram-se os sistemas Arsolar by Arval, da ArcelorMittal, o Solatuile, da Baruch & Fisch, e o Systeme Solaire, da Systaic France.

Os sistemas de isolamento térmico e acústico também se destacaram na feira. A janela Twinea, da Bouvet-Lorillard, foi desenvolvida em PVC reforçado com fibra de vidro, dispensando peças metálicas. Mais fina, torna possível a passagem de até 40% mais calor do sol; mesmo assim, reduz em 35 dB os ruídos externos. Medalha de bronze na categoria Estrutura do concurso de inovação, a Wallflore Per, da Wallflore, é um painel pré-fabricado de revestimento vegetal. Estruturado com blocos de lã-de-rocha de alta densidade e perfis de alumínio, o painel tem sua área preenchida com folhas e vegetais pré-plantados, entregues prontos para a montagem na obra.

Visitas técnicas
Convidados pela Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo) e pela Universidade de Marne-la-Valée, alguns profissionais brasileiros presentes na Batimat participaram de visitas técnicas a uma obra da construtora francesa Bateg e a uma usina de triagem de resíduos de construção. No canteiro localizado em Saint Denis, próximo ao Stade de France, a empresa apresentou seu sistema de gestão de resíduos e as ações que permitirão atribuir ao empreendimento o certificado HQE (Haute Qualité Environnementale) de sustentabilidade para edifícios do setor de serviços.

O sistema de gestão de resíduos levado a cabo pela construtora começou há cerca de cinco anos. A empresa pretendia, com isso, obter maior economia com o descarte dos dejetos dos canteiros, além de atribuir-lhes uma maior rastreabilidade. "Queríamos estar seguros de que nossos descartes seriam tratados adequadamente", afirma o arquiteto Michel Levasseur, da Bateg.

A partir de então, a empresa passou a fazer uma pré-triagem dos resíduos, classificando os materiais descartados no canteiro e destinando-os a compartimentos exclusivos. Nas obras da Bateg, eles são divididos em quatro categorias. Os orgânicos, compostos por descartes alimentares e similares, são separados em caçambas de cor azul e coletados periodicamente pelo poder público municipal, que lhes dá a destinação correta. Às caçambas verdes são destinados os materiais considerados inertes ao ambiente, como concreto, pedras, terra limpa, telhas e blocos. Os descartes recicláveis - que compreendem, por exemplo, madeira limpa, aço, plástico, vidro e papelão - são acondicionados em compartimentos de cor amarela. As caçambas especiais vermelhas, que são fechadas e isoladas do ambiente externo, recebem os produtos tóxicos, como tintas, silicones e colas.

Segundo Levasseur, como é a construtora que custeia o tratamento dos materiais, a organização dos descartes tem impacto direto no orçamento da obra. Proporcionalmente, de acordo com o arquiteto, o valor do tratamento dos resíduos inertes é cerca de dez vezes menor que o dos recicláveis e até 100 vezes menor que o dos tóxicos. "Se misturados os descartes tóxicos e recicláveis, o custo total é o do tratamento do lixo tóxico", explica.

As caçambas de resíduos inertes, recicláveis e tóxicos são recolhidas por empresas especializadas no tratamento desse tipo de descarte. Ali, os materiais são encaminhados para reciclagem, incineração e até para exportação. É o caso do papelão - considerado material de baixa qualidade, não tem espaço no mercado de reciclagem europeu -, que tem a China como seu principal comprador.

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