Erguido
em local privilegiado, junto a um dos mais tradicionais shoppings de São
Paulo, de frente à Marginal Pinheiros e com acesso pelas avenidas
Nações Unidas e Rebouças, o edifício Eldorado
Business Tower, inaugurado em novembro, impõe sua marcante arquitetura
como marco urbano da região. A gigantesca torre, inteiramente revestida
de vidros especiais - brancos nos fechamentos e verdes nas aberturas
-, destaca-se, também, pela adoção de soluções
tecnológicas inovadoras, que propiciam a redução
do custo operacional e baixo impacto ambiental. O escritório Aflalo
& Gasperini foi responsável pelo projeto de arquitetura, e
a Gafisa pela construção, gerenciamento e consultoria.
De acordo com o arquiteto Roberto Aflalo, o Eldorado Business Tower
nasceu no século passado, com um outro empreendedor, e para o qual
foi desenvolvido um projeto de uso misto, que reuniria hotel cinco estrelas
no alto, e escritórios nos pisos inferiores. "Quando o projeto
já estava bastante evoluído, tivemos de parar porque o grupo
empreendedor não conseguiu viabilizar o negócio", conta
o arquiteto. No final de 2000, a Gafisa entrou no processo para tentar
executar o projeto, e como o mercado estava preferindo edifícios
comerciais, a idéia de hotel foi descartada.
Apesar da
mudança de programa, Roberto Aflalo manteve o mesmo partido arquitetônico,
fazendo apenas algumas adaptações relacionadas à
área de estacionamento. Como haveria necessidade de mais vagas,
por se tratar de edifício de escritórios, o prédio
anexo, que no projeto original seria utilizado para convenções
e restaurantes do hotel, foi transformado em garagem. Em 2001, logo após
o desastre das torres gêmeas de Nova York, a demanda de edifícios
de escritórios sofreu uma redução drástica,
e os novos empreendimentos ficaram congelados. Como o processo do Eldorado
Tower ainda estava em andamento na prefeitura, a Gafisa deixou que tudo
fosse solucionado com o tempo e, só há três anos,
quando o mercado deu sinal de aquecimento, iniciou a construção.
"Na verdade - explica o engenheiro Luis Fernando Bueno, gerente
geral de obras da Gafisa - o empreendimento passou por uma análise
complexa e demorada na prefeitura, que o incluiu na Operação
Urbana Faria Lima, e exigiu da empresa uma contrapartida para aprovação
do seu uso comercial, inclusive a execução de obras viárias
na Marginal."
Para o novo
edifício, a Gafisa decidiu investir em alta tecnologia. Sua tecnologia
deveria ser atual não só na época da inauguração,
mas por, pelo menos, mais dez anos. De linhas contemporâneas e arrojadas
- mas sem ostentação -, e com espaços
conectáveis e flexíveis, a construção deveria
propiciar custos operacionais reduzidos e apresentar baixo impacto ambiental.
"A empresa trouxe inovações de várias partes
do mundo e trabalhou com o conceito de integração de sistemas
- explica o engenheiro Luis Fernando -, mas o fundamental
foi desenvolver tudo junto com as empresas brasileiras."
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| O revestimento das fachadas é
de vidro branco (no alto, detalhe de fixação). Já
as aberturas e janelas são de vidro esverdeado (acima), com
esquadrias estanques |
Obras
No total, foram 30 meses de obra, dos quais oito gastos na execução
das fundações dos quatro subsolos de garagem, todos na rocha.
No último subsolo, a área da garagem ficou menor porque
foi impossível retirar toda a rocha. A escavação
foi feita por etapas, com quatro linhas de tirantes, execução
de parede-diafragma, e atirantamento. Segundo Luis Fernando Bueno, depois
do desmonte da rocha, a execução da fundação
propriamente dita foi muito simples. "Foram retirados, no total,
2.500 m³ de rocha, e utilizados 53 mil m³ de concreto",
acrescenta. Na obra foi usado o cimento pozolânico, de alto nível
de resistência a ataques químicos e baixo calor de hidratação.
O edifício foi implantado numa ponta do estacionamento do Shopping
Eldorado, em terreno de formato triangular, com o térreo elevado
a 4 m do nível da Avenida Nações Unidas, o que proporcionou
o desejável distanciamento do intenso tráfego da área,
e ainda vistas privilegiadas para o entorno. Esse piso tem pé-direito
duplo, e o fechamento do lobby foi todo estruturado em vidro - tanto
as colunas que sustentam as placas de vidro do fechamento, quanto as vigas
que o apoiam. Placas de vidro branco (semelhantes às das fachadas,
mas sem a proteção térmica) foram usadas no fechamento
e, nos pilares, placas coladas de vidro transparente. O térreo
está ligado ao Shopping Eldorado por uma passarela coberta de vidro,
facilitando o acesso dos usuários da torre ao shopping.
A planta do edifício, quase quadrada para atender aos interesses
de ocupação dos grandes escritórios, tem seu perímetro
suavizado por curvas discretas, reveladas pela fachada de vidro branco.
Com 141 m de altura (limite estipulado pelo DAC - Departamento de
Aviação Civil para a região), a torre tem 32 pavimentos
de lajes planas protendidas, que suportam cargas de 500 kg/m². No
projeto original, cada pavimento seria ocupado por quatro conjuntos, mas
como a demanda era de grandes escritórios, a versão definitiva
ficou de andares únicos ou de dois conjuntos por andar, que podem
ser subdivididos. As dimensões desses pavimentos variam de 1.961
m² a 2.004 m², em função das pequenas variações
de desenho, e têm uma distância de forro a forro de 3,80 m,
sendo 3 m livres de pé-direito, e os 80 cm restantes para piso
elevado e forro. As garagens, em cinco níveis inferiores e três
elevados, comportam 1.815 vagas. No alto da torre, um heliponto de 24
m x 24 m está capacitado a receber helicópteros civis com
até 10 t. O heliponto permite ainda o estacionamento de mais um
helicóptero, e dispõe de sala vip, com elevador de acesso
direto à plataforma de pouso. A superfície total construída
do edifício é de 118.204,10 m², sendo 58,5 mil m²
de área privativa.
Vidros especiais
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| Com 141 m de altura, o edifício
tem 32 pavimentos de lajes planas protendidas, que suportam cargas
de 500 kg/m² |
Uma das características fortes da grande torre é o revestimento
de suas fachadas totalmente em vidro branco, com aberturas e janelas de
vidro esverdeado. No total, o edifício utilizou 32 mil m²
de vidro. Desde o início, a idéia do arquiteto era fazer
o prédio branco, em contraponto ao edifício do Unibanco,
ao lado, um marcante ponto preto. Trabalhou inicialmente com granito branco,
mas o material apresentava muita absorção de água,
depois mudou para o granito cinza, mas era muito susceptível à
agressividade do meio e exigia alta manutenção. Na pesquisa
de novos materiais no mercado internacional, a opção recaiu
sobre as placas do vidro extra-clear, com pintura cerâmica especial,
que protege a entrada de calor e proporciona a cor desejada. O material
tinha sido exposto em Paris durante a Batimat, a grande feira francesa
de material de construção. Os vidros foram encomendados
à Glaverbel, sendo os brancos fabricados na unidade da fábrica
na Bélgica, e os verdes, na unidade holandesa. As placas de vidro
permitiram uma modulação da fachada de 76 cm em 76 cm na
horizontal, com alturas que variam de 1,50 m a 3,50 m. Essa modulação
serviu de referência para implantação de layouts e
colocação de forros, iluminação, sprinklers
etc.
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