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Ventura Corporate Towers

Complexo verde


Em busca da certificação Leed, centro comercial de alto padrão é projetado e construído de acordo com critérios de sustentabilidade de ONG norte-americana


Por Valentina N. Figuerola


RESUMO DA OBRA

Ventura Corporate Towers
Endereço: Av. República do Chile, 330, Rio de Janeiro
Início: janeiro de 2006
Término (previsão): junho de 2008
Área do terreno: 8.550 m²
Área total da construção: 169.411 m²
Área útil das unidades: 237,11 m² a 623 m²

Uso racional de energia e da água, planta livre, captação e uso de água pluvial, emprego de materiais reciclados e certificados e controle da emissão de poeira em obra. Essas são algumas das qualidades do Ventura Corporate Towers, complexo de escritórios de alto padrão que está em construção no centro financeiro do Rio de Janeiro pela incorporadora norte-americana Tishman Speyer em parceria com a Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário. O empreendimento, orçado em R$ 450 milhões, deve ser o primeiro edifício da capital carioca a contar com o selo greenbuilding.

As lajes foram executadas com fôrmas plásticas ou cubetas

O edifício ainda está em processo de obtenção do certificado Leed (Leadership in Energy and Environmental Design), emitido pela ONG norte-americana U.S. Green Building Council (USGBC) somente para edifícios prontos para ocupação. "Em agosto deste ano, a obra recebeu oficialmente a pré-certificação Leed, documento que valida a estratégia e a intenção de certificação por parte do empreendimento", explica Saulo Rozendo, engenheiro do CTE (Centro de Tecnologia de Edificações), empresa responsável pela consultoria em sustentabilidade do empreendimento, que será concluído em junho de 2008.

As equipes envolvidas no projeto e construção do Ventura Corporate Towers são unânimes ao apontar o principal desafio do empreendimento: o pioneirismo no desenvolvimento de estratégias para cumprir os requisitos do selo greenbuilding. Para o arquiteto Roberto Aflalo, do escritório Aflalo e Gasperini, outro desafio foi "estabelecer um novo padrão de edifício de escritórios na área central do Rio de Janeiro, dentro das posturas urbanísticas desse setor da cidade". "Para nós, o desafio foi desenvolver um projeto do porte do Ventura Corporate Towers em uma parceria internacional de escritórios de arquitetura, sem deixar de atender às questões de sustentabilidade e urbanismo, dada à relevância do local onde está implantado", acrescenta Aflalo.

O escritório americano Pedersen Fox Associates foi responsável pelo desenvolvimento do partido arquitetônico do projeto a partir do master plan elaborado por Aflalo & Gasperini, englobando todas as definições relativas a fachadas, áreas externas e lobbies do térreo. Coube ao escritório Aflalo & Gasperini o desenvolvimento e coordenação geral de projetos, além da elaboração dos núcleos de circulação vertical e a adequação do projeto à realidade brasileira. "Mesmo com os papéis bem definidos, a interação entre KPF e A&G foi intensa ao longo de todo o processo de projeto", explica Aflalo.

Um dos destaques do edifício é, sem dúvida, o sistema de retenção e reúso das águas pluviais. A água das chuvas é captada em toda a projeção do terreno e conduzida até um tanque de retardo, localizado no terceiro subsolo, para depois ser encaminhada a um tanque de reúso, onde é bombeada para o sistema de ar-condicionado. "A característica principal do sistema é a capilaridade. As águas pluviais captadas por pisos drenantes, grelhas, condutores de descida, são direcionadas ao reservatório de águas de reúso, onde alimentam por bombeamento os sistemas de irrigação, espelhos d'água e lavagem de áreas externas", explica Roberto Aflalo.

Materiais reciclados

Os perfis da fachada, unitizada, são presos à estrutura de concreto por meio de insertes (veja detalhe técnicono box)

Para conseguir a certificação, o Ventura Corporate Towers preenche uma série de requisitos em relação ao projeto e construção. A flexibilidade dos pavimentos é viabilizada pelo sistema estrutural moldado in loco, no qual as lajes nervuradas protendidas são sustentadas por pilares de concreto dispostos no perímetro e no centro da planta baixa, junto aos poços dos elevadores. Não existem pilares intermediários nos escritórios.

O engenheiro de obras Alfredo Martins Pereira, da Tishman Speyer, afirma que a laje nervurada protendida foi fundamental para garantir o "lease span" do edifício, mais especificamente o vão de 14 m entre o "core", ou "núcleo", e a fachada. "As lajes foram executadas por assoalhos de madeira e fôrmas plásticas ou cabaças", acrescenta Pereira. Ele conta que a estrutura consumiu, por pavimento, um volume de 580 m³ de concreto (fck 40 a 50).

Apesar desse número, a obra foi planejada e está sendo realizada de forma a minimizar o impacto no meio ambiente, vizinhança, funcionários e futuros usuários. Um dado interessante é que cerca de 20% a 30% do custo dos materiais empregados na execução do conjunto, como aço, argamassa e concreto, correspondem a materiais reciclados. Além disso, 40% dos insumos e materiais utilizados na obra vêm de empresas situadas, no máximo, a 800 km do empreendimento. Toda madeira incorporada ao edifício, como aquela usada em portas e batentes, é certificada pelo FSC (Forest Stewardship Council).

O entulho gerado será coletado e receberá destinação adequada, em atendimento à resolução no 307 do Conama (Conselho Nacional do Meio Ambiente). "Para viabilizar a coleta seletiva nos andares do edifício foi feito um trabalho de educação ambiental com os funcionários", complementa Pereira.

Daniel Ohnuma, consultor do CTE, diz que a obra também se cercou de cuidados para preservar o solo da contaminação com produtos químicos como tintas e solventes. Segundo Ohnuma, só foram aceitos na obra produtos especificados com baixo teor de compostos orgânicos voláteis (VOC), em conformidade com as normas estabelecidas pelo sistema Leed. "Exigimos uma declaração ambiental dos fabricantes atestando o atendimento a esses limites", acrescenta o engenheiro que, além da especificação correta, ressalta a importância do controle do recebimento do material na obra.

As lajes nervuradas protendidas são sustentadas por pilares de concreto dispostos no perímetro e no centro da planta baixa, sem pilares intermediários
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