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Reportagens
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Complexo hidroelétrico Rio das Antas

Força subterrânea


Grandes túneis reduziram área de alagamento e impacto ambiental


Por Bruno Loturco


Os estudos para aproveitamento da bacia hidrográfica Taquari/Antas remetem à década de 30. Mas foi em meados de 1990 que novas investigações da CEEE (Companhia Estadual de Energia Elétrica do Rio Grande do Sul) identificaram 57 aproveitamentos com potências variáveis entre 1 MW e 130 MW, incluindo as usinas de Castro Alves, Monte Claro e 14 de Julho, que formam o Complexo Energético do rio das Antas.

RESUMO
Obra: Complexo Energético do rio das Antas
Contratante: Ceran (Companhia Energética Rio das Antas)
Execução: Camargo Corrêa (obras civis e montagem eletromecânica); Alstom (equipamentos eletromecânicos); Engevix (projeto de engenharia)
Localização: região Nordeste do Estado do Rio Grande do Sul, entre os municípios de Antônio Prado, Bento Gonçalves, Cotiporã, Flores da Cunha, Nova Pádua, Nova Roma do Sul e Veranópolis
Construção: entre abril de 2002 e junho de 2008
Capacidade energética: total - 360 MW; Castro Alves - 130 MW; Monte Claro - 130 MW; 14 de Julho - 100 MW.

Em novembro de 2000 o consórcio formado por CPFL - Geração de Energia S.A., CEEE e Desenvix S.A. venceu a licitação da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) para implantar e operar tais aproveitamentos, com contrato de concessão de 35 anos, contados a partir de março de 2001. Atualmente, as usinas Castro Alves e 14 de Julho estão em fase de construção. A única em operação é a Monte Claro, que tem capacidade instalada de 130 MW. Com reservatório que ocupa uma área de 1,4 km², está localizada entre as cidades de Bento Gonçalves, à esquerda, e de Nova Roma do Sul e Veranópolis, à direita. Essa última, cidade com 23.904 habitantes e área de 289 km², também abriga a barragem.

Essa barragem foi executada com CCR (concreto compactado com rolo), tem 36 m de altura e comprimento de crista de 250 m. Dois túneis forçados levam a água da barragem para as duas turbinas tipo Kaplan localizadas na casa de força. As outras duas usinas têm estrutura e metodologia construtiva semelhantes à de Monte Claro.

Para diminuir a área de alagamento dos reservatórios, o projeto priorizou a construção de túneis que aproveitassem o declive natural dos terrenos. O maior deles tem 7.120 m de extensão

Quando da inauguração da primeira turbina dessa unidade, a então ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, afirmou que o complexo energético do rio das Antas era um bom exemplo de PPP (Parceria Público-Privada), com 65% do investimento feito pela iniciativa privada. Os investimentos totais são de aproximadamente R$ 1,073 bilhão, sendo um terço, em média, para cada unidade. Os números são de dezembro de 2005.

Com a conclusão das obras das três usinas, 360 MW de potência instalada terão sido agregados ao sistema nacional, montante suficiente para suprir 10% da demanda gaúcha, o equivalente a 1,3 cidade do porte de Campinas, no interior paulista.

Todo o fornecimento para o complexo é feito por intermédio do Cofran (Consórcio Fornecedor do Complexo Rio das Antas). Ele é responsável pelo projeto, construção, fornecimento e montagem dos equipamentos eletromecânicos, comissionamento das instalações, geração comercial de todas as unidades e testes de desempenho. Compõem esse consórcio três empresas: Construções e Comércio Camargo Corrêa, Alstom Brasil e Engevix Engenharia.

O mesmo local que abriga o dispositivo que evita a entrada de pedras no túnel adutor atua como chaminé de equilíbrio, evitando que as tensões de eventuais golpes de aríete atinjam o túnel

Redução do alagamento
A implantação do Complexo Energético do rio das Antas foi pautada pela questão ambiental. Como todo empreendimento que impacta a natureza, teve de desenvolver e se responsabilizar pelo cumprimento do PBA (Projeto Básico Ambiental). As licenças foram condicionadas pela Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roessler) para a implantação, operação e execução desse projeto.

O PBA, por sua vez, é formado por 27 programas específicos que abrangem aspectos socioeconômicos, culturais e ecológicos, compostos por três programas: do meio físico, do meio biótico e do meio antrópico. Dentre outros aspectos, exige Gestão dos Reservatórios, Monitoramento das Condições Climáticas e da Qualidade da Água, Controle da Proliferação de Macrófitas, dentre outros.

No caso de usinas hidrelétricas, que geram energia de forma considerada limpa, um dos maiores problemas diz respeito ao represamento da água, que exige o desmatamento de grandes áreas. Para as usinas do rio das Antas, a abertura de túneis reduziu substancialmente as áreas alagadas, diminuindo a interferência no ambiente natural. Na usina de Castro Alves, por exemplo, que tem reservatório de 5 km², o túnel de adução - entre a barragem e a tomada d'água - tem pouco mais de 7 km de extensão. O resultado é uma queda bruta de 92 m, sendo que 52 m são obtidos pelo desnível natural do rio ao longo da volta.

A escavação desse túnel se deu com uso de explosivos e levou quase dois anos até a conclusão. A cada carga de fogo os avanços eram de cerca de 3 m. Com a escavação pronta há cerca de seis meses, apenas há um mês o revestimento do piso, em concreto, ficou pronto.

Um túnel tão longo amplifica as conseqüências de eventuais golpes de aríete, pois é mais frágil que um túnel curto, com maior possibilidade de ocorrerem desplacamentos. Com três máquinas na casa de força, localizada na extremidade final desse túnel, é pouco provável que o fluxo de água seja interrompido abruptamente. Afinal, caso uma - ou mesmo duas - trave, as restantes dariam conta de manter o fluxo de água.

No entanto, para evitar problemas no caso de uma eventualidade como essa, há uma estrutura intermediária que permite ao nível d'água variar livremente. Denominada chaminé de equilíbrio, esse dispositivo "evita a transferência das tensões de um golpe de aríete ao maciço rochoso", explica o gerente técnico da Camargo Corrêa, engenheiro Ricardo Corrégio.

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