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Steel Deck

Fôrma colaborante


Sistema leve, que dispensa escoramento, steel deck pode representar economia na execução das lajes. Seu potencial, porém, depende de partido estrutural racionalizado e, de preferência, com outros elementos industrializados


Por Juliana Nakamura


O steel deck permite a instalação de conectores de cisalhamento, possibilitando que as vigas sejam calculadas como vigas mistas (aço–concreto), reduzindo o peso em até 35%

A necessidade de racionalizar os processos construtivos e vencer prazos curtos de obra não deixam de ser fatores alavancadores do uso de lajes mistas, também conhecidas como "lajes colaborantes", como o steel deck. É, por excelência, o sistema de lajes de estruturas metálicas e de outros partidos estruturais pré-fabricados. A economia de que falam os fabricantes, embora não tenham sido realizados comparativos de custos seguros, estaria na rapidez com que se executam as lajes. Recentemente, na construção do Shopping Salvador, na capital baiana, foram montados e concretados 10 mil m² de laje por semana.

"É em função de características como essa que a aplicação do steel deck vem crescendo, acompanhando o boom da construção civil, que impõe a necessidade de agilizar, cada vez mais, a entrega das obras, sem abrir mão da segurança", comenta a engenheira Catia Mac Cord Simões Coelho, gerente-executiva do CBCA (Centro Brasileiro da Construção em Aço). Catia destaca como ponto-forte do sistema integrar as virtudes do aço e do concreto. "Depois do aço presente nas armaduras convencionais, a laje mista surge como uma das formas mais simples de se integrar os dois materiais em uma construção", garante.

O sistema consiste na utilização de uma fôrma permanente de aço galvanizado, perfilada e formada a frio, com nervuras (mossas). Antes da cura do concreto, essa chapa metálica atua como plataforma de serviço e suporte para o concreto. Depois, os dois materiais (aço e concreto) solidarizam-se, formando o sistema misto que atua como armadura positiva. Em função dos vãos adotados, as lajes podem suportar sobrecargas de utilização de 1 mil kg/m² a 2 mil kg/m². Assim, pode-se eliminar parcialmente ou totalmente a necessidade de escoramentos para a execução das lajes, e reduzir, conseqüentemente, custos com aluguel, montagem e desmontagem, por exemplo, bem como mão-de-obra. A dispensa do escoramento traz reflexos, ainda, no cronograma da obra, uma vez que permite o trabalho em vários pavimentos ao mesmo tempo e a execução das lajes deixa de estar condicionada ao tempo de endurecimento do piso de concreto. Além disso, o projeto estrutural pode tirar proveito da geometria das lajes para facilitar a passagem de dutos das instalações, bem como a fixação de forros. Em algumas situações, aliás, a fôrma metálica pode ser fornecida com pintura eletrostática na face inferior para ficar aparente, eliminando a colocação de forros.

Embora admita compor um conjunto estrutural com vigas e pilares de concreto, geralmente o steel deck é utilizado junto com estruturas metálicas. Nesses casos, para serem executadas sem escoramentos e manterem-se competitivas, as lajes costumam contar com vãos entre 2 m e 4 m. Mas também são usuais, em edifícios com estrutura metálica, modulações de 8 m x 8 m ou 10 m x 10 m entre pilares.

O engenheiro Sebastião Arthur Lopes de Andrade, professor do curso de estruturas metálicas da Faculdade de Engenharia da PUC-Rio, conta que a especificação do steel deck mostra-se pertinente em toda e qualquer obra em que rapidez de execução seja decisiva, assim como em obras com grandes áreas de piso e cuja planta apresente razoável repetição de vãos.

Com 3.120 m de extensão, a segunda ponte sobre o rio Orinoco, na Venezuela, utilizou mais de 110 mil m² de lajes steel deck com espaçamento entre vigas de 3 m

No entanto, Andrade ressalta que o sistema poderia ser mais bem explorado se houvesse maior disponibilidade de tipos e geometrias. "Hoje, a indústria atende parcialmente aos projetistas, pois praticamente só há steel decks com altura de canaleta da ordem de 50 mm. Enquanto isso, no mundo afora, há inúmeras opções com altura variando de 16 mm a 210 mm", compara o professor.

Seja em instalações industriais ou comerciais, shopping centers, hospitais e edifícios-garagem, em todos os casos é importante que a especificação da laje metálica seja acompanhada de alguns cuidados. Para começar, o projeto deve, desde o início, prever o uso dessa solução estrutural, respeitando os limites de vãos, sobrecargas, espessuras de chapa e concreto indicados pelo fabricante da laje. O mesmo se aplica para o sistema de apoio e fixação.

"Outra exigência é o uso de tela soldada para controle de fissuração, com área mínima igual a 0,1% da área de concreto acima do topo do perfil", comenta o engenheiro e projetista estrutural Carlos Freire, que complementa destacando a necessidade de se utilizar concreto de resistência igual ou superior a 20 MPa.

Atenção à execução também é importante, sobretudo no que diz respeito ao correto posicionamento e fixação da fôrma metálica na estrutura de apoio, à distribuição uniforme do concreto durante a concretagem e à colocação de arremates de contenção lateral do concreto. Aditivos à base de cloretos para aceleração de cura do concreto são terminantemente proibidos, já que eles podem comprometer a galvanização das chapas de aço. Pelo mesmo motivo – risco de corrosão – em edificações erguidas em ambientes agressivos como áreas costeiras, sujeitas a sais clorados, as lajes mistas podem exigir armaduras de reforço.

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