RENATO DINIZ
O diretor
de Negócios da Rossi Residencial é formado em engenharia
civil pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais). Graduado em
1992, fez pós-graduação em Qualidade Total pela
Fumec (Fundação Mineira de Educação e Cultura),
em 1994. No ano de 1995 concluiu a pós-graduação
em Engenharia Econômica pela Fundação Dom Cabral,
também de Minas Gerais. A construção de habitações
para o segmento de baixa renda, para ele, depende de investimentos em
projeto e da melhoria contínua de produtos e processos construtivos.
Ao longo dos últimos anos o setor imobiliário
experimenta um crescente nível de industrialização,
principalmente da execução, utilizando-se de sistemas completos
de construção, equipamentos e insumos padronizados. A construção
ainda mantinha, até há pouco tempo, alguns dos aspectos
artesanais que a caracterizavam, porque as empresas viam-se obrigadas
a tratar cada empreendimento como um produto finito, que jamais seria
repetido, e não poderiam sanar pontos fracos. A injeção
de crédito imobiliário a juros baixos fez os construtores
abrirem os olhos para um nicho pouco explorado – o de baixa renda
ou econômico. Nesse segmento o preço de venda de cada unidade
deve ser o mais baixo possível. Logo, a margem de lucro é
reduzida e os ganhos decorrem do volume de vendas. A saída, portanto,
é reduzir custos de construção. Para não perder
a onda, antes de buscar soluções construtivas totalmente
novas, o mercado tem aprimorado o que já existe, como a alvenaria
estrutural, e buscado modelos de gestão e logística eficientes.
Com investimentos maiores em projeto e busca por desenvolvimento contínuo
dos produtos, a engenharia vê seus fundamentos despertarem. Nas
palavras do professor da Escola Politécnica da USP (Universidade
de São Paulo), Ubiraci Espinelli, "é um momento rico,
em que começamos a efetivamente fazer tudo o que sempre foi pregado".
Nesta entrevista, o diretor de negócios da Rossi, Renato Diniz,
fala sobre a importância de investir em ensaios e protótipos
e de revisar projetos continuamente como forma de reduzir custos e desenvolver
produtos.
Qual a definição de empreendimento destinado à
população de baixa renda?
Não há uma definição clássica, varia
de acordo com a empresa. A Rossi define a partir de três critérios.
Custo até R$ 160 mil; repetitividade e que possa ser feito em escala;
e que seja destinado a famílias com renda de quatro a 12 salários
mínimos. Não é um produto específico, mas
precon-cebido e repetido em vários locais. Atendendo a um desses
requisitos, é considerado econômico.
Quando o senhor fala em repetitividade, fala em quantas unidades?
Temos três linhas de produto. Uma de casas, em que fazemos o loteamento
e a incorporação. Esse tem que ser muito barato, porque
a densidade é mínima. Outra de prédios com térreo
e três ou quatro pavimentos dentro da cidade. Por último,
empreendimentos verticais, com até 16 andares e densidade muito
grande, para grandes centros urbanos. Essas plantas repetem-se no Brasil
todo, com adaptações locais e mais ou menos coisas a depender
do preço final que se quer atingir. O importante é ter um
produto cujo chassi seja o mesmo, mantendo-se intacta a forma de produzir.
Quais as diferenças no projeto e execução
desses empreendimentos?
O mais importante é a concepção. Talvez o maior know-how
da Rossi, que vem desde o Plano 100, seja o desenvolvimento de projeto
em larga escala. As equipes têm sempre engenheiros de fundações,
de estruturas, arquiteto, paisagista, urbanista, decorador, engenheiro
de instalações e a equipe interna. Alguns índices
avaliam as eficiências e permitem analisar o custo–benefício
do projeto. Isso propicia projetos racionais e de boa qualidade arquitetônica.
E com relação à execução?
Como atuamos há bastante tempo, conhecemos os sistemas construtivos
mais competitivos para esse tipo de habitação. Por isso,
o projeto contempla a facilidade de executar em larga escala, o que é
muito importante. Sabendo de antemão qual será o sistema
construtivo, com inúmeros testes, sabemos como construir e direcionamos
o projeto para o sistema.
Quais as características dos sistemas utilizados pela
Rossi no segmento econômico?
Para casas, fazemos radier com fibra e alvenaria estrutural. Depois, pré-laje
e telhado com madeira de reflorestamento. Contramarcos e escadas são
pré-moldados em concreto. O revestimento é uma camada de
argamassa polimérica bem fina. No caso dos prédios, fundações
e baldrames com fôrma metálica, alvenaria estrutural, laje
pronta – não pré-laje – e, de novo, telhado
com madeira de reflorestamento.
Por que utilizar madeira de reflorestamento?
Há cerca de dez anos contratamos a consultoria da USP de São
Carlos. Os primeiros números que obtivemos de consumo, com empresas
executoras de telhados, indicavam 0,048 m3/m2 de telhado com madeira nativa.
Essas estruturas foram ensaiadas em programas estruturais e apresentaram
vários pontos de flambagem. Com a USP, o primeiro consumo foi de
0,028 m3/m2 de telhado, e hoje trabalhamos com 0,022 m3. A questão
não é custo, mas ambiental, de ter certeza da origem da
madeira utilizada.
Em relação ao desempenho?
As madeiras de reflorestamento são pínus ou eucalipto, com
características conhecidas. Quando a madeira é nativa, mesmo
que certificada, o grau de umidade nem sempre é controlado e a
compra não é necessariamente pelo nome científico.
Muitas vezes compra-se gato por lebre, sem que se tenha certeza da entrega
no prazo. Também há o problema do deslocamento, que muitas
vezes vem do Norte. Ao usar madeira de reflorestamento, há essas
garantias.
Por que essa preocupação com o telhado?
Num prédio de alto luxo a cobertura é algo irrisório.
Geralmente é impermeabilizada ou tem estrutura metálica
com telha de fibrocimento. Já os telhados dessas habitações
são importantes, fazem parte da fachada. Temos que ter certeza
de que vai durar.
O mesmo ocorre com outros sistemas?
Na época de lançamento de um empreendimento, por exemplo,
já estávamos fazendo teste do baldrame. Quando a obra começou,
o sistema já tinha sido ensaiado à exaustão, todas
as soluções de impermeabilização nessa altura
já tinham sido tomadas. Esses baldrames são elevados para
evitar que o térreo fique devassado para a área externa.
No lançamento do empreendimento, para ser executado um ano depois,
já tínhamos projeto executivo e estávamos tocando
a obra. O pulo do gato é fazer protótipo de tudo.
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