O mercado de habitações econômicas, com valores
de venda entre R$ 50 mil e R$ 150 mil, se mostra cada vez mais promissor.
Antes ignorada pela maioria das incorporadoras, a classe C começa
a ser beneficiada pelo crédito imobiliário abundante, pelos
juros descendentes e prazos de pagamento dilatados. Em 2007, o número
de lançamentos para o segmento econômico quadruplicou, o
que já deve injetar 60 mil novos imóveis no mercado nos
próximos anos. A forte expansão impõe uma série
de desafios aos profissionais do setor, visto que se trata de uma atividade
caracterizada por condomínios com grande número de unidades,
pouca variação de tipologia e margem de lucro apertada.
É um segmento no qual a nossa engenharia será colocada à
prova pela sua capacidade de otimização de custos, pela
alta repetição isenta de erros, pelo planejamento da logística
de produção, compatibilização e integração
de projetos e coordenação das equipes de trabalho. Trata-se
de um momento único para a tão esperada industrialização
dos canteiros e a valorização da arquitetura e da engenharia
civil, especialmente na área de projetos. Bons exemplos já
estão surgindo em diversas incorporadoras e construtoras. Algumas
já levantam "protótipos" das unidades para a realização
de ensaios e detalhamento do projeto executivo. De outro lado, o boom
da baixa renda gera incertezas. Há sempre o risco de a necessária
busca pela redução de custos ser empreendida no sentido
contrário do desejável, ou seja, pela informalidade e pela
falta de boa engenharia. Infelizmente, isso tem ocorrido com algumas incorporadoras,
que registram altos índices de devolução das unidades.
Nesse contexto, a nova Norma de Desempenho de Edifícios, que deve
entrar em vigor dentro de pouco mais de um ano, pode ter contribuição
fundamental, ao estabelecer regras claras para as ações
judiciais envolvendo incorporadoras e compradores. Se a norma se disseminar
como deveria, será um importante instrumento para depurar o mercado,
protegendo as boas incorporadoras e construtoras e penalizando as negligentes.
Se a norma não for assimilada e algumas empresas apostarem na redução
de custos por meio de informalidade e comprometimento da qualidade, o
meio técnico terá perdido uma valiosa chance de se revalorizar
e ganhar um novo status perante a sociedade.