PERFIL
Nome: Péricles Brasiliense Fusco
Idade: 78 anos
Graduação: Engenharia Civil em 1952 e
Engenharia Naval em 1960, ambas pela Universidade de São Paulo
Especializações: Pós-doutorado
em curso internacional de divulgação científica
do CEB (Comitê Euro-Internacional do Concreto) em 1973
Instituições nas quais trabalhou: IPT,
Themag, USP, FEI e Fundação Salvador Arena
Cargos que exerceu: engenheiro-assistente no IPT, diretor
de projetos na Themag, professor na USP, professor e responsável
de disciplinas na FEI e diretor-acadêmico na Fundação
Salvador Arena
O engenheiro Péricles Fusco é um convicto defensor do curso
de Engenharia básico nos primeiros anos de graduação.
A maioria dos jovens que ingressam na universidade com seus 17 ou 18 anos,
acredita, ainda não tem maturidade suficiente para tomar uma decisão
tão definitiva a respeito de seu futuro profissional. A escolha
de uma área de especialização nesse momento é
um risco desnecessário. Quando ele prestou o vestibular para a
Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo), no
final de 1947, não teve essa "mordomia": era preciso
escolher de pronto a área de Engenharia que desejava seguir. Verdade
que, na época, não havia muitas opções à
disposição: apenas os cursos de engenharia civil, de mecânica-eletricista,
de engenharia química e de minas e energia. Confiante, escolheu
a primeira e não se arrependeu.
"Quando fiz o curso, o Brasil era ainda um País agrícola",
explica Péricles. Era uma época de pouca oferta de engenheiros
no mercado, o que fazia com que as empresas já contratassem os
futuros engenheiros antes mesmo de se formarem. Durante a graduação,
Telemaco Van Langendonck, seu professor, o indicou para estagiar no escritório
de engenharia estrutural de Paulo Franco Rocha, onde trabalhou até
alguns meses após a formatura. Graças a essa experiência,
mesmo antes da graduação Fusco já podia ser considerado
engenheiro formado. "Quando eu me formei, já tinha projetado
meu primeiro arranha-céu", revela.
Na seção de estruturas do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas
do Estado de São Paulo), onde ficou por três anos, deu os
primeiros passos na carreira acadêmica. Ela amadureceu quando começou
a dar aulas de estabilidade das construções e de estruturas
metálicas na FEI (Faculdade de Engenharia Industrial) e se consolidou
ao ser chamado para ser professor-assistente da cadeira de concreto da
Poli-USP. Sem grandes desvios, a carreira acadêmica de Péricles
Fusco seguia a rota planejada dentro da engenharia de estruturas. Mas
ventos inesperados o conduziram para um caminho não previsto, fazendo
necessário um hiato nos estudos da engenharia civil.
A partir da metade da década de 1950, no auge do processo de industrialização
do País, crescia a preocupação da Marinha Brasileira
em defender a extensa costa brasileira. Até então, todos
os engenheiros navais brasileiros formavam-se no MIT (Massachusetts Institute
of Technology). Se por um lado não havia reclamações
sobre a formação tecnológica desses engenheiros,
faltava-lhes maior conhecimento sobre as necessidades e o contexto brasileiros.
Com assessoria técnica da Marinha estadunidense, o governo brasileiro
montou, na Escola Politécnica da USP, o primeiro curso de engenharia
naval tupiniquim. Engenheiros do mundo todo foram chamados para ministrar
as primeiras disciplinas, mas faltavam professores disponíveis
com conhecimentos aprofundados na área de projeto de estruturas
de navios de guerra.
O primeiro responsável pela cadeira seria o contra-almirante
reformado da Marinha Americana e ex-professor do MIT, George Charles Manning.
Mas a vaga de assistente ainda esperava por alguém. "E esse
alguém fui eu", brinca Péricles, que fora chamado por
seus conhecimentos de estruturas em construção civil. A
previsão era a de que Manning começasse a dar o curso em
1959, com a ajuda de Fusco. Mas, pouco antes da estréia, o "titular"
preferiu inverter os papéis e transferiu seu cargo ao auxiliar.
"Ele acreditava que eu tinha mais conhecimentos de estruturas",
explica Fusco.
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