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Fôrmas - Especial 60 anos

Evolução dos moldes


Em 40 anos, sistemas de fôrmas ganharam em número de reutilizações e produtividade da mão-de-obra. Próximo passo é preparação da norma técnica


Por Renato Faria


Apesar de dispor das mais modernas tecnologias no que se refere a fôrmas para estruturas de concreto, o Brasil ainda não possui normas técnicas específicas para os produtos e para os projetos de fôrmas e cimbramentos. A primeira iniciativa para a criação dessa normatização teve início há pouco mais de um ano e as discussões vêm reunindo fabricantes, projetistas de fôrmas e projetistas estruturais para traçar as diretrizes da nova norma brasileira. Um esboço do texto do documento estava previsto para ser apresentado no final de 2007, mas, como ainda não se chegou a um acordo em algumas questões polêmicas - como a execução do escoramento remanescente -, a previsão de entrega do trabalho do comitê foi prorrogada para o final de 2008.

"Acho que essa norma vai deixar bem claro que a fôrma é um produto técnico que deve ser dimensionado e gerenciado pelo profissional habilitado para tal", afirma Paulo Nobuyoshi Assahi, projetista da Assahi Engenharia. Sobretudo no mercado dos produtos de madeira, é muito comum que os projetos de fôrmas e escoramento sejam elaborados por projetistas não-engenheiros, sem conhecimento técnico adequado do funcionamento do sistema e de sua interação com o restante da obra. "Esse é um serviço que interfere principalmente na qualidade final da estrutura de concreto. Se mal executado ou mal dimensionado, vai afetar de maneira grave o seu desempenho", alerta o engenheiro.

O tempo que a norma levará para ficar pronta é um indício de que a resolução do problema não é tão simples. Como o que está em jogo é a qualidade da estrutura de concreto, é preciso delegar de forma precisa as responsabilidades de cada um dos especialistas envolvidos nessa etapa da obra, principalmente quando o assunto é escoramento remanescente. "É uma 'bola dividida' e nem o projetista, nem o fornecedor de equipamento metálico assumiam a responsabilidade; e apenas alguns poucos projetistas de fôrmas têm feito isso", explica Assahi.

Muitos fabricantes de fôrmas (foto) e cimbramentos metálicos desembarcaram no Brasil após a estabilização da economia
O também projetista de fôrmas Nilton Nazar afirma ainda que a normatização trará benefícios para a qualidade das chapas de compensado disponíveis hoje no mercado. Segundo o engenheiro, poucos são os fabricantes que oferecem produtos duráveis no País. "Em geral são de empresas que exportam para países mais exigentes e que acabam adquirindo maior tecnologia", explica. Nesses países - por exemplo, os europeus e o Japão - existem normas que exigem ensaios e certificação da qualidade para cada um dos lotes adquiridos. Na opinião de Nazar, três ensaios fundamentais devem constar da norma para assegurar a qualidade da chapa de compensado: o ensaio de módulo de elasticidade, o de resistência à tração e de resistência à abrasão. "Isso não é nenhuma utopia", afirma Nazar. "É que nós não estamos acostumados a exigir a qualidade nesse nível de aprofundamento."

Madeira planejada

A norma de fôrmas atualmente em discussão chega quase 40 anos após a primeira tentativa de otimização do sistema. Até o final da década de 1960, pode-se dizer que a execução das estruturas de concreto armado dava-se de forma rústica, com a produção e montagem das fôrmas realizadas de forma desorganizada. As conseqüências eram óbvias: altos índices de desperdício de material, reaproveitamento quase nulo e baixa produtividade da mão-de-obra. Com pouquíssimo ou nenhum planejamento, os ajustes das dimensões eram feitos in loco e mais sujeitos a imprecisões, o que trazia riscos à qualidade final da estrutura. Segundo o engenheiro Paulo Assahi - que pesquisou em seu trabalho de mestrado os sistemas de fôrmas para estruturas de concreto -, com a intenção de buscar a redução dos custos de produção, a melhoria da produtividade e do aproveitamento da madeira na obra, o engenheiro Toshio Ueno desenvolveu na época um sistema de fôrmas embasado na aliança dos conhecimentos da engenharia civil e das experiências práticas nos canteiros de obras.

A sistematização dos projetos de fôrmas de madeira, que trouxe ganho de produtividade e redução de perdas foi um dos principais avanços na área
Com esse sistema, finalmente todas as peças de madeira do sistema de fôrmas e cimbramentos passaram a ser previamente projetadas. Os desenhos passaram a ser entregues ao marceneiro, que já confeccionava as peças em suas dimensões finais. O projeto incluía, ainda, as seqüências detalhadas de montagem e os procedimentos necessários para a inspeção da estrutura pronta. Eliminava-se, portanto, o acerto das dimensões durante a montagem das fôrmas. Bastava encaixar as peças prontas umas nas outras, ajustando-se os encontros entre elas. Surgiu, também, a prática do escoramento residual - a distribuição estratégica de escoras que permitia a retirada de até 90% da fôrma que seria utilizada nas concretagens seguintes. Num primeiro momento, o procedimento previa o posicionamento dessas escoras entre três e cinco dias após a concretagem, pouco antes do descimbramento da estrutura. Tempos depois passou-se a posicionar essas escoras antes ou durante as concretagens das vigas e lajes, para se obter a distribuição mais adequada dos carregamentos. Hoje, ambas as práticas são adotadas: os que adotam a primeira acreditam ser saudável para a estrutura sofrer uma breve deformação nas idades prematuras; os defensores da segunda prática são mais cautelosos e preferem "aliviar" a carga sobre elementos recém-moldados. Esse, aliás, é um dos pontos polêmicos que está sendo debatido pelo grupo que elabora a norma de fôrmas.

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