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| Implantação de conjuntos habitacionais
deve considerar a existência de infra-estrutura social e de
transportes, além de uso misto para geração de
empregos locais |
O aquecimento do mercado imobiliário, especialmente de 2004 para
cá, acrescenta exigências adicionais de planejamento aos
órgãos governamentais ligados à habitação
a fim de evitar que erros graves cometidos em décadas passadas
se repitam. As estimativas e pesquisas sobre o déficit habitacional
indicam que faltam cerca de 8 milhões de moradias no País,
dos quais 93% concentrados em famílias com renda de até
cinco salários mínimos. Em 2006, foram produzidas 1,5 milhão
de unidades, a maioria para as classes de renda de mais de cinco salários
mínimos.
Produzir unidades habitacionais na escala requerida para suprir esse
gigantesco déficit exige, fundamentalmente, um planejamento rigoroso,
além da contratação de projetos em nível executivo
com a antecedência e a qualidade necessárias, como método
essencial para a realização de obras bem-pensadas e bem-executadas.
Hoje já se tem plena consciência, até mesmo pelos
equívocos cometidos nos anos 1960 a 1980, de que não é
possível desenvolver megaprojetos habitacionais em locais distantes
dos centros urbanos, sem oportunidades de emprego, de saúde, educação
e lazer, e que exigem investimentos pesados em infra-estrutura de transportes
e de saneamento, por exemplo. Conjuntos habitacionais como a Cohab de
Itaquera, situada no extremo leste de São Paulo e implantada nos
anos 1970, quando a região não possuía nenhum tipo
de infra-estrutura de saúde, educação e lazer e os
transportes eram extremamente precários, ajudaram a formar os conceitos
atuais, que rejeitam esse tipo de implantação e preconizam
uma concepção mais abrangente e sustentável para
os complexos de moradia populares.
Regularização do lote
Quando se pensa em conjuntos habitacionais voltados para a baixa renda,
é necessário prever que a primeira - e fundamental
- infra-estrutura reside no lote plenamente regularizado, que garanta
ao adquirente um imóvel com titularidade e registro de imóveis.
Esse é o primeiro e essencial passo para garantir a cidadania plena
ao comprador de um imóvel popular. Algumas companhias habitacionais,
como a CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), em São
Paulo, já estão adotando essa medida. A titularidade, com
a regularização da propriedade do imóvel, também
é essencial para equacionar a questão das moradias em áreas
de favela. De acordo com pesquisa realizada pelo SindusCon-SP (Sindicato
da Indústria da Construção Civil do Estado de São
Paulo) e Fundação Getúlio Vargas, divulgada em novembro
último, o número de moradores em favelas vem crescendo nas
principais cidades. Em 1993, englobava 1,190 milhão de pessoas
enquanto dez anos depois esse número atingia 1,860 milhão
de moradores, montante que atingiu 1,972 milhão em 2006. Mesmo
com a relativamente lenta evolução no período 2003-2006,
devido ao aumento de renda, que permitiu a passagem de considerável
contingente de brasileiros das classes D e E para a C, ainda assim o elevado
custo dos terrenos e das habitações "normais"
nas principais cidades impede o acesso ao mercado formal a milhares de
pessoas. Nesse caso, a solução continua sendo o subsídio
habitacional, em parte ou no todo, para resolver a questão do déficit
de moradias - cujo prazo para resolução é estimado
em 15 anos pelo Ministério das Cidades/Secretaria Nacional da Habitação.
Outro ponto importante de planejamento é a definição
de usos mistos nas regiões que receberão os novos conjuntos
habitacionais, muitos deles - públicos e privados -
compostos por milhares de unidades. O planejamento urbano pode induzir
à instalação, por exemplo, de indústrias não-poluentes
(montadoras de produtos eletroeletrônicos, confecções
etc.), comércio e áreas de lazer, contemplando boa parte
das necessidades de emprego daquela população e evitando
que os moradores dos conjuntos habitacionais necessitem perder até
seis horas diárias somente na locomoção entre a residência
e o local de trabalho. Importante para a qualidade de vida, esse planejamento
urbano ajuda a reduzir o pico de demanda de transporte.

Tecnologia para a sustentabilidade
Os novos conjuntos habitacionais, porém, precisam ser concebidos,
cada vez mais, como complexos sustentáveis em importantes pontos
de sua infra-estrutura, visando a economizar recursos do Estado, dos seus
moradores e a ajudar na preservação ambiental, um dos pressupostos
mais difundidos neste início do século 21. Há, portanto,
a necessidade de ser pensada, ainda na fase de projeto dos conjuntos habitacionais,
a instalação de itens fundamentais de sustentabilidade,
como pequenas estações de tratamento de esgoto (ETE), diminuindo
os custos de transporte e de tratamento do esgoto em grandes complexos,
além de mecanismos que permitam a reutilização de
água servida na irrigação de áreas verdes,
limpeza de calçadas e áreas de lazer e na descarga de bacias
sanitárias. Ganham os moradores, a sociedade/Estado e o meio ambiente.
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