O arquiteto Siegbert Zanettini é livre-docente da Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAUUSP) desde
2001. Apesar de rejeitar o rótulo de especialista, é reconhecido
em todo o País como autoridade no uso do aço na construção
civil. Sempre que o assunto são estruturas metálicas tem
convite certo. Quem o ouve pela primeira vez parece estar diante de um
mestre renascentista, que se encanta com o pássaro, mas faz questão
de entender como ele pode voar. Enquanto colegas mais novos lamentam as
razões de o mercado de estruturas metálicas não ultrapassar
os 4% no Brasil, Zanettini vê um fosso mais profundo. O recorrente
desejo político de manter o caráter artesanal da construção
civil no País para empregar grandes contingentes de mão-de-obra,
o marketing irresponsável, o horror das construtoras à industrialização
e a falta de conhecimento sobre o aço continuarão a ditar
o mercado. O desconforto só não é maior com a falta
de cultura geral e de interesse técnico dos nossos profissionais.
Pela FAU-USP, coube a ele tocar o programa que forma, desde 2005, em conjunto
com a Escola Politécnica, engenheiros-arquitetos e vice-versa,
resgatando a dupla formação, extinta no final dos anos 1940.
É a visão holística que preocupa o mestre. A obra
de capa desta edição é um bom exemplo. Projeto de
Zanettini, a Unidade Tatuapé do Hospital e Maternidade São
Luiz migrou da estrutura metálica para o concreto armado quando
os custos apontaram uma diferença de 25%. Sem lamentar, Zanettini dispensou a idéia de uma "caixa de concreto" e recorreu
a balanços escalonados, para "pendurar" os primeiros
andares em uma estrutura rígida no quarto pavimento. Enquanto a
Cia de Engenharia Civil, do engenheiro Virgílio Ramos aceitava
o desafio de projetar uma estrutura tão inusitada e complexa, Zanettini tecia
pacientemente uma transição bem-sucedida.Autor de projetos
marcantes tanto em aço quanto em concreto armado, o professor brindou
a zona Leste da capital paulista com uma construção ousada
e, ao mesmo tempo, equilibrada.