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Carreira
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Abram Belk


Atraído pela programação de computadores, trabalhou no desenvolvimento de sistemas pioneiros de auxílio ao projeto estrutural


Por Bruno Loturco


PERFIL

Nome: Abram Belk
Idade: 49 anos
Graduação: Engenharia civil, em 1981, pela Escola Politécnica da Universidade de São Paulo; especialização em Administração de Empresas, na Fundação Getúlio Vargas, em 1984
Empresas em que trabalhou: no escritório técnico J.C. Figueiredo Ferraz, entre 1977 e 1986, na Intertec, do grupo Themag; Compugraf, Método Informática e, a partir de 1987, na TQS Informática
Cargos exercidos: engenheiro de desenvolvimento de sistemas aplicados à engenharia em todos os escritórios em que trabalhou, e diretor de desenvolvimento da TQS

Por trás do sistema para projeto estrutural em concreto armado e protendido produzido pela empresa TQS há um profissional que dedicou a maior parte da carreira ao seu desenvolvimento. O engenheiro paulistano Abram Belk, autodenominado "rato de cidade", sempre teve gosto pela matemática e pela física. No entanto, as dúvidas inerentes a um jovem de 17 anos e a influência do pai, um engenheiro civil politécnico, o levaram à Escola Politécnica da USP, em 1976, com a opção pelo curso de engenharia civil. "Era a área que oferecia mais opções de trabalho", lembra.

Ocorreu que, ainda no primeiro ano, apaixonou-se pelo computador Burroughs B6700 da Universidade e freqüentemente se desviava das aulas para programar em Fortran, a linguagem ensinada na época do cartão perfurado. A ânsia de programar foi amainada quando conseguiu um estágio no Escritório Técnico J.C. Figueiredo Ferraz, onde trabalhou sob orientação do engenheiro Hideki Ishitani no CPD (Centro de Processamento de Dados), ligado a um Control Data CDC-6600, um dos primeiros supercomputadores. "O Hideki me ensinou a gostar e a praticar a programação em Fortran. Foi um privilégio trabalhar com ele, cujos programas rodavam 1.800 processamentos por mês em 1978."

Nessa empresa, Belk não trabalhou na área de estruturas. Estagiário orientado pelo engenheiro Ettore Bottura, desenvolveu os sistemas "Traçado" e "FFCogo" para traçado longitudinal e transversal de estradas, usados no projeto da Rodovia dos Bandeirantes. Também desenvolveu sistemas para projeto de redes de água e esgoto, usados na concepção da rede Cabuçu de Baixo, na Freguesia do Ó.

Em paralelo ao curso de engenharia civil entrou no Instituto de Matemática e Estatística da USP, abandonado no segundo ano, quando da formatura na Poli. "Tinha uma oportunidade de trabalho que exigia dedicação de corpo e alma, e não era possível conciliar com o curso." Tal proposta veio em 1982, por meio do engenheiro Nelson Covas, também politécnico, e com experiência em projeto pela Maubertec e pela Promon. A parceria dura até os dias de hoje.

Covas foi contratado pela Intertec, pertencente ao grupo Themag, para escolher e adaptar o software gráfico para os projetos de tubulações industriais da usina de reprocessamento de urânio, a ser construída em Vitória, no Espírito Santo, e de prospecção de poços de petróleo, da Paulipetro. "Fui chamado para estudar e programar o equipamento Intergraph, que só a Intertec tinha."

Nessa época, o Brasil entrou numa grave crise econômica e ambos os projetos foram cancelados. "Ficou o desafio de tornar o caro equipamento e software gráfico adquiridos pela empresa em algo viável", lembra. Assim, desenvolveram uma aplicação de coleta de dados gráficos de prospecção de petróleo para a Petrobras e um sistema para dimensionamento, detalhamento e desenho de vigas de concreto armado. "Esse sistema de vigas foi um protótipo do que viria a ser o sistema da TQS", conta. Entretanto, era um sistema inviável pelo custo do equipamento.

Em 1985, por conta da crise, saiu da Intertec e trabalhou por um breve período na Compugraf, uma representante de softwares CAD. "Foi um período de muito aprendizado nas linguagens C/C++ em programas de roteamento de placas de circuito impresso." Logo depois foi trabalhar na Método Informática, em funções técnico-administrativas. Paralelamente, voltando às origens juntamente com Covas, iniciou o desenvolvimento dos sistemas de vigas e pilares para os microcomputadores que começavam a surgir.

O aquecimento econômico propiciado pelo Plano Cruzado, por volta de 1986, levou à necessidade de automação dos projetos, tornando o CAD/Vigas um sucesso imediato. Voltando esforços para a engenharia estrutural, fundaram a TQS inicialmente chamada Teqsis e passaram a desenvolver sistemas para cálculo em concreto armado. "A expectativa inicial era de que fosse um bom negócio por três anos, no máximo", lembra.

A inexistência de boas bibliotecas em DOS para programação gráfica representou um novo desafio, resolvido com o desenvolvimento, em linguagens C e Assembler, de sistemas de edição gráfica e drivers para plotters, impressoras, mouses e mesas digitalizadoras. "Os sistemas gráficos tornaram-se uma vantagem competitiva para nós, que desenvolvemos bibliotecas próprias." Os sistemas evoluíram gradativamente, de acordo com as demandas dos clientes, e os modelos iniciais de cálculo se transformaram em um modelo de pórtico espacial, flexibilizado com análise não-linear física e geométrica. "Passei a entender melhor o comportamento de estruturas espaciais apenas depois de criar o sistema e vê-lo funcionando", conta.

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