A quantidade de pessoas morando no condomínio é
o que define as instalações a serem implantadas?
A quantidade de moradores define as instalações de forma
empírica, não há regras ou parâmetros de projeto
estabelecidos. Há algumas condições definidas pela
legislação, mas que não abrangem características
específicas.
Quais os aspectos técnicos mais difíceis de atender
no projeto?
As implantações dos empreendimentos exigem muito de toda
equipe. A adequação à topografia, locação
das torres, vagas e áreas de lazer, coordenadas com a legislação
e os parâmetros técnicos de baixo orçamento criam
um conjunto de diretrizes de implantação que exige muita
experiência e conhecimento.
Qual é o papel da arquitetura na redução
de custos de condomínio?
Pode dar soluções de materiais de acabamento e espaços
que exijam manutenção de baixo custo dos edifícios
e dos equipamentos comunitários. Pode permitir implantação
que minimize o consumo de energia, aproveitando a orientação
solar. Pode gerar economia de dispositivos de segurança com a implantação
que permite o controle de acesso e da periferia pela portaria, entre outros
itens. Um projeto de arquitetura bem desenvolvido é peça-chave
para a geração de economia desde a construção
até a ocupação. Essa inteligência precisa ser
melhor aproveitada e valorizada, pois atende aos interesses dos incorporadores
e do usuário final.
Seu escritório tem experiência com projetos para
hotéis econômicos. Em termos de concepção,
o que esses empreendimentos podem agregar aos projetos habitacionais econômicos?
Desenvolvemos alguns dos projetos da rede Formule 1 para a Inpar e para
a Accor, na cidade de São Paulo. O conceito e as metas desses projetos
são muito parecidos, envolvem racionalidade e funcionalidade. As
pesquisas para inclusão de elementos prontos, como banheiros pré-moldados,
indicam um caminho possível para os edifícios residenciais.
As formas de financiamento influenciam os métodos construtivos
ou a arquitetura? De que maneira?
Interferem na medida em que normalmente exigem rápida velocidade
de execução para que os moradores possam usufruir o imóvel
rapidamente sem comprometer sua renda com o financiamento e também
com um aluguel, por exemplo, durante a obra.
Costuma-se dizer que o resultado de uma construção
não é obra do arquiteto, mas da vontade do incorporador.
Às vezes, por causa dos custos, os limites éticos e da boa
arquitetura precisam ser rompidos?
Uma boa obra resulta de um esforço coletivo cujo empenho do incorporador
é determinante, e cada profissional é responsável
por uma parte do sucesso. A arquitetura, por onde transitam todas as demandas
de projeto, é a grande catalisadora e a síntese das soluções
a serem empregadas. Por ser a inteligência que envolve esses aspectos,
e não apenas o conjunto de plantas e desenhos, o nosso trabalho
vincula-se às idéias e à sua transformação
em realidade. O limite de custo é mais um parâmetro, não
havendo necessidade de romper limites éticos para atendê-lo.
E "boa arquitetura" é um termo muito vago e relativo,
que alguns erguem como bandeira para defender uma visão e valores
ultrapassados.
A necessidade por repetitividade afeta de alguma maneira os projetos?
Interfere por permitir que os projetos sejam retroalimentados pelas informações
advindas das obras, possibilitando o aprimoramento de questões
construtivas, de custo e de ocupação dos espaços.
A retroalimentação acontece por meio das complementações
de detalhes e soluções observadas, pelo as builty e análises
criticas do projeto em obra.
Há aspectos negativos relativos à repetitividade?
Poderia ser a falta de identidade de um empreendimento, o que criaria
empatia do morador com sua moradia. Outro possível problema seria
se as soluções arquitetônicas não se adequassem
às necessidades e características culturais e econômicas
dos moradores.
Como a questão de logística executiva pode ser
otimizada a partir do projeto?
Por meio de um planejamento de execução de obra que nasça
junto com os projetos, prevendo todos os passos da execução
e da especificação. Por exemplo durante a especificação
de materiais ou componentes que sejam mais facilmente disponibilizados
na região onde a obra se localiza, o que reduz problemas relacionados
à logística de obra.
Quem deve ser o responsável pelo planejamento da execução?
O arquiteto deve acumular a função de coordenador de projetos?
O planejamento da execução de obra deve ser de responsabilidade
da construtora responsável, que pode delegar a função
a um engenheiro, um consultor ou uma equipe de engenheiros. Não
há modelo ideal, cada empresa pode encontrar seu próprio
caminho. O arquiteto pode, sim, acumular a função de coordenador
de projetos, pois a interação de toda a equipe e dos diversos
projetos passa necessariamente pelo projeto de arquitetura.
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