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| Central de automação aciona equipamentos
de ar-condicionado apenas sob demanda dos ambientes internos da clínica |
Entrou em operação em fevereiro, em São Paulo, o
primeiro laboratório clínico construído segundo os
requisitos do Leed (Leadership in Energy and Environmental Design). Trata-se
da unidade Dumont Villares da Delboni Auriemo Medicina Diagnóstica,
construída pela RMA Engenharia. O destaque da obra foi a automação
do sistema de ar-condicionado, que detecta as demandas por climatização
dos ambientes e permite racionalizar o consumo de energia elétrica.
Nelson Ogassawara, gerente técnico da RMA, conta que não
é possível estimar diretamente a economia de energia elétrica
proporcionada pelas instalações de ar-condicionado da nova
unidade. Para chegar a esses valores, seria necessário, segundo
ele, avaliar o consumo dos equipamentos durante as primeiras semanas de
operação plena da unidade. Entretanto, é possível
afirmar que, em uma construção "comum", similar
à da unidade Dumont Villares, entre 40% e 60% do consumo energético
total do edifício abastecem apenas os equipamentos de ar-condicionado.
"Nessa obra, estimamos que o sistema consuma entre 10% e 15%",
afirma o engenheiro.
O sistema está dividido em 16 zonas de climatização,
que cobrem todas as salas e corredores do edifício de quatro andares.
Sensores inteligentes instalados nos ambientes que dispensam climatização
permanente - salas que não têm equipamentos, por exemplo
- "informam" ao sistema central de automação
a redução na demanda. A central, então, aciona variadores
de freqüência que reduzirão as atividades das bombas
de água gelada que alimentam os fancoils. Com isso, diminui também
a operação do chiller que refrigera a água, gerando
economia de energia elétrica.
Os 16 fancoils, equipamentos que renovam e refrigeram o ar que será
lançado nos ambientes, também foram especificados para reduzir
o consumo energético. Todos eles contam com motores de alto rendimento
(90%), identificados pela cor azul. Os motores tradicionais, de cor verde,
apresentam rendimento médio de 50%.
Para atender aos requisitos de sustentabilidade do Leed para os sistemas
de ar-condicionado, o empreendimento deve ter garantido um consumo máximo
de 1,7 kW/m³/s. Ensaios feitos nos equipamentos do novo laboratório
da capital paulista mostram que o sistema atende com folga às exigências:
obteve-se ali a taxa de 1,51 kW/m³/s. Outro indicador, o coeficiente
de performance, ficou em 2,83. O Leed exige um coeficiente mínimo
de 2,80.
O sistema de iluminação também foi dividido em
circuitos setorizados que, da mesma forma, permitem acionar separadamente
as lâmpadas dos ambientes. Na área externa, o projeto luminotécnico
também limitou a potência das luminárias, mantendo
um nível de iluminação confortável. Não
se usaram produtos que utilizassem mais do que 11 W/m² de terreno.
No ambiente interno, algumas salas também foram equipadas com sensores
de presença que acionavam as lâmpadas apenas sob o estímulo
de movimentação no ambiente.
A RMA, que já construiu outras unidades da rede de laboratórios,
conhece o perfil dos edifícios do cliente. Segundo o diretor de
operações da construtora, Renato Auriemo, a construção
da nova unidade ficou cerca de 14% mais cara em comparação
com as demais obras "tradicionais". "São custos
adicionais com projetos, treinamento das equipes, certificação",
explica. Além disso, lembra o engenheiro, os custos com os materiais
de construção aumentam, já que a rigorosa lista de
exigências para os produtos tende a reduzir os fornecedores. "Com
isso, a concorrência diminui e fica mais difícil negociar
uma redução dos preços", acredita Auriemo.
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