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Gesso

Acabamento projetado


Tradicional, o gesso liso é largamente empregado em revestimentos internos. Uso de equipamentos mecânicos aumenta produtividade, mas ainda tem altos custos


Por Giovanny Gerolla


A depender do lugar onde se constrói, pode ser bem difícil encontrar empresas que tenham à disposição bombas-misturadoras para a aplicação do revestimento interno de gesso. Em todo o Brasil, há apenas cerca de 130 desses equipamentos, e em cidades como São Paulo, ainda costuma-se dar preferência à aplicação manual do gesso liso.

"O gesso projetado, por sua vez, mesmo que ofereça maior produtividade e melhor desempenho, tem uma grande desvantagem: custa, em média, 40% mais", aponta Marcelo Stievano, engenheiro civil da Brascad Engenharia de Revestimentos.

Para São Paulo, o problema do custo está na distância até os fornecedores, que ficam, em sua maioria, no Nordeste do País, quando se contabiliza o frete. No Sudeste, enquanto o metro quadrado do gesso liso aplicado sai por R$ 8 ou R$ 9, o projetado pode chegar a custar mais que R$ 13.

Outro item que deve ser considerado na utilização do gesso projetado é manutenção das máquinas, que exige planejamento e mão-de-obra especializada. Uma máquina nova, importada, custa a partir de R$25 mil – e é preciso considerar que poucas peças de reposição são fabricadas no Brasil. Além disso, o uso do gesso projetado exige material de melhor qualidade, que não é encontrado em qualquer lugar, ou mesmo próximo dos grandes centros consumidores.

A máquina de projetar argamassa exige um operador experiente, cuidados para o equipamento não entupir e matérias-primas de qualidade

Prós e contras
É possível encontrar no mercado, assim, duas formas de uso do gesso como revestimento interno. O liso é aplicado manualmente, enquanto o projetado, em material também conhecido como argamassa de gesso projetada, tem como principal aglomerante o gesso (sulfato de cálcio hemidratado tipo beta, carbonato de cálcio, cal hidratada e aditivos orgânicos), e é aplicado com uma bomba-misturadora.

O gesso projetado é uma técnica de revestimento para tetos e paredes executada mediante projeção mecânica do material, por equipamento especializado que dosa, mistura e bombeia a matéria-prima através da mangueira de projeção.

A argamassa de gesso pode ser aplicada diretamente sobre a alvenaria, substituindo o sistema tradicional de chapisco, emboço e reboco. Por não ser muito resistente à umidade, ela só é utilizada em ambientes internos, mas proporciona grande economia no custo final da obra, tanto em material – a máquina reduz o desperdício –, quanto em mão-de-obra, ao aumentar bastante a produtividade.

Segundo Gilberto Nunes Ferreira, da Arga Jet Mix, um gesseiro faz 25 m2 numa espessura entre 0,50 e 1 cm por dia de trabalho, enquanto um aplicador de projetado consegue cobrir 40 m2/dia, em espessuras de até 4 cm.

Para Marcelo Stievano, "o gesso liso não é a melhor solução, porque não possui aderência ideal nem flexibilidade suficiente, e sua trabalhabilidade é menor, o que significa que a mistura se inutiliza em pouco tempo, provocando grande desperdício de material". Ele conta que, hoje, como os pilares são mais estreitos do que antes, quando tudo era mais superdimensionado, os revestimentos têm de ser mais flexíveis. "As deformações naturais tornam-se cada vez mais presentes e precisam ser absorvidas pela camada de gesso."

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