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Alvenaria estrutural

Blocos delgados


Com a evolução tecnológica, foi possível criar blocos estruturais de concreto simples mais leves. Norma revisada adapta-se à nova realidade


Por Renato Faria


Há alguns meses, já é possível utilizar blocos de concreto estruturais mais delgados em construções de menor porte, como casas e sobrados. A novidade está na revisão da NBR 6136, que unificou as normas brasileiras de blocos de concreto.

Antes da revisão, duas normas regiam as características físicas dos blocos de concreto - a própria NBR 6136, de 1994, para blocos estruturais; e a NBR 7173, de 1982, para blocos de vedação. Mas com a evolução das pesquisas com concreto, sobretudo a NBR 6136 tornou-se obsoleta. O aumento das resistências obtidas do material permitia o desenvolvimento de peças de concreto com dimensões menores e com mesmo fbk. Foi o que ocorreu em 1997, quando a fábrica de blocos Glasser criou blocos com paredes menos espessas, sem perda significativa de resistência. "São peças com características mais econômicas", afirma o arquiteto Luciano Pradella Zöllner, da Glasser, que participou da equipe técnica de revisão da norma.

Junto com o IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo), foram realizados diversos ensaios no novo produto - resistência à compressão do bloco, do prisma, de paredes inteiras, flexocompressão e cisalhamento. Em 1998, como teste, foram erguidos dois prédios com características idênticas, cada um construído com um tipo de bloco de concreto estrutural - o novo e o tradicional. Avaliado pela entidade paulista, o comportamento estrutural de ambas as construções mostrou-se o mesmo.

Estava aberto o caminho para baratear os custos de construções populares, obras de menor porte, como casas, sobrados e prédios de até cinco pavimentos. Entretanto, como os novos blocos não estavam previstos em normas técnicas, não era possível obter financiamento para execução das obras.

Foi solicitada, em 1999, ao CB-18, Comitê de Cimento, Concreto e Agregados da ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), a abertura de processo de revisão da NBR 6136. Os trabalhos se estenderam por mais de seis anos, até a conclusão do texto, no final de 2006.

Antes de ser solicitada a revisão da NBR 6136, novo bloco passou por diversos ensaios
Texto
A mudança fundamental da norma está na classificação dos blocos de concreto. A NBR 6136, de 1994, que tratava apenas dos blocos estruturais, os dividia em classes A, mais resistentes (fbk ³ 6 MPa) e B (fbk ³ 4,5 MPa). Até 2006, qualquer construtor que pretendesse executar uma casa ou sobrado em alvenaria estrutural respeitando as normas técnicas tinha que usar, pelo menos, blocos da classe B - peças mais pesadas e maiores, com, no mínimo, 14 cm de largura.

No documento revisado, essas classes de blocos estruturais se mantiveram, mas uma outra categoria foi acrescentada: a classe C (fbk ³ 3 MPa), que regulamenta os novos blocos. Além de admitir blocos estruturais com paredes longitudinais e transversais menos espessas, de 18 mm, a norma permite, ainda, que blocos de 9 cm de largura sejam usados na construção de imóveis de um pavimento e blocos de 11,5 cm de largura, em sobrados. Para construções maiores, devem ser utilizados os blocos de 14 cm e 19 cm de largura. "Entretanto, para a definição da largura do bloco a ser adotado, devem ser considerados outros parâmetros de desempenho além do comportamento estrutural, como conforto térmico, desempenho acústico, resistência ao fogo", lembra Cláudio Vicente Mitidieri Filho, pesquisador do IPT.

A nova norma também teve adicionada a seu texto a classe D (fbk ³ 2 MPa), com as especificações para blocos de concreto sem função estrutural (somente vedação), objeto da antiga NBR 7173/82.

A estimativa de redução de custos na compra de blocos pelos construtores é de aproximadamente 10%. Além disso, é possível haver ganhos de produtividade, já que os novos blocos são cerca de 2,5 kg mais leves que seus similares de classes A e B. "Em 1 m2 de parede, são 30 kg a menos. A parede fica mais leve e a mão-de-obra, mais produtiva", explica o arquiteto Carlos Alberto Tauil, que também acompanhou a revisão da norma. Ele lembra que é possível, com peças mais leves, haver barateamento do frete.

Além da NBR 6136, também foi criada a NBR 12.118, que regulamenta o método de ensaio dos blocos vazados de concreto simples. Quando forem adquiridas, ambas devem ser acompanhadas de emendas ao texto principal, publicadas no último dia 10 de janeiro de 2008.

O que mudou na norma
Confira algumas alterações na NBR 6136 - Blocos Vazados de Concreto Simples

Espessura de parede
Admite blocos estruturais, na classe C, com paredes menos espessas (18 mm). A norma anterior só admitia blocos com, no mínimo, 25 mm de espessura.

Aplicação
Blocos de 9 cm e 11,5 cm de largura, da classe C, podem ser utilizados na construção de casas térreas e sobrados, respectivamente. Antes, esses imóveis só poderiam ser construídos com blocos de 14 cm ou 19 cm de largura.

Classificação
A norma inclui especificações de blocos de concreto de vedação, classe D, antes abordada por norma específica (NBR 7173)

 
 
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