Executar
as paredes na horizontal, erguendo-as prontas depois "é uma
prática adotada desde o Império Romano", conta Ercio
Thomaz, engenheiro civil, pesquisador do Cetac (Centro Tecnológico
do Ambiente Construído), do IPT (Instituto de Pesquisas Técnológicas
do Estado de São Paulo). No século 19, as edificações
de madeira também eram feitas dessa forma – e até
hoje nos Estados Unidos.
Só no início do século 20, o método foi
reconhecido como sistema construtivo e passou a ser chamado de tilt-up,
que significa colocar para cima ou de pé. No Brasil virou marca
registrada da Construtora Walter Torre Jr. "A invenção
é atribuída a Thomas Edison, em 1906", ensina o engenheiro
civil Francisco Oggi, consultor em sistemas construtivos.
O precursor do tilt-up foi o arquiteto construtor americano Robert Aiken,
que em 1909 experimentou a novidade na construção do frontal
da Igreja Metodista em Zion-Illinois, nos Estados Unidos. Ele construiu
a parede pré-moldada de concreto sobre um estrado, que depois foi
elevado por uma plataforma basculante, levando-a até a posição
final.
Após a Segunda Guerra Mundial, o tilt-up evoluiu e passou a ser
muito empregado nos Estados Unidos em galpões industriais. "Com
o surgimento das máquinas de içamento e das grandes centrais
de concreto, na década de 50, o método tomou impulso e hoje
é referência em sistema construtivo", conta o engenheiro
civil Francisco Caçador, diretor técnico da WTorre Engenharia,
construtora especializada no sistema.
A partir de então, o tilt-up virou sinônimo de processo
pré-moldado em canteiro. As peças são fundidas sobre
o piso e depois içadas para o local definitivo. As paredes são
autoportantes, e as lajes e a cobertura têm a função
de "travar" o conjunto. Isso elimina pilares periféricos
e exige menos elementos de fundação.
No Brasil, o tilt-up chegou em 1989 por meio da Sociedade Torre de Vigia,
"para a construção de seu parque gráfico com
210 mil m² e mil apartamentos, em Cesário Lange (SP)",
lembra Oggi. Quatro anos depois, foi introduzido comercialmente pela WTorre
Engenharia.
Difusão
Hoje o tilt-up é um sistema consagrado e aplicado de Norte a Sul
no território nacional, e em todos os continentes do planeta, tornando
exeqüíveis projetos de grandes dimensões e assegurando
maior controle da obra. "Depois de 14 anos, no Brasil já existem
vários projetistas e, pelo menos, seis construtoras habilitadas
no sistema", afirma Oggi. "Não é mais necessário
importar os acessórios. Ao longo desse tempo, foram desenvolvidos
fornecedores de insertos e de escoras para o sistema", argumenta.
Indicado para obras de um pavimento, com pé-direito de até
15 m, como galpões industriais, armazéns, centros de distribuição
e edifícios corporativos, o tilt-up também pode ser o método
construtivo de edifícios verticais, casas em larga escala, reservatórios,
monumentos, shoppings e até estádios.
"Com a falta de mão-de-obra, a tendência é o
uso do tilt-up, que funciona como uma linha de montagem", prevê
Caçador. "Os custos com transporte e impostos, muitas vezes,
inviabilizam o pré-moldado industrializado", acrescenta o
engenheiro civil Carlos Eduardo Carbone, diretor comercial da Carbone
Construtora, que trabalha há sete anos com o sistema. "O tilt-up
é como uma fábrica itinerante. Equipamento, material e mão-de-obra
são locais. Só levamos o know-how, o gerenciamento e o armador",
justifica.
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