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| Advento dos tirantes alterou a concepção
das obras de contenção, que até então
se baseavam no peso das estruturas e no reaterramento dos taludes |
A comparação entre a evolução histórica
das contenções de taludes e dos aterros e a evolução
das técnicas e tecnologias apenas brasileiras para o mesmo fim
têm uma semelhança marcante: a demanda por novos conceitos.
O desenvolvimento das técnicas e tecnologias de contenção
foi motivado pela expansão colonizadora européia, no século
16, que requereu a construção de estruturas de defesa e
fortificações militares em terrenos bastante diversos.
Esses mesmos tipos de contenções chegaram ao Brasil no
século 18 para serem aplicados em fortes costeiros, sendo adotados
também para obras portuárias e de contenções
urbanas, na Bahia e no Rio de Janeiro, quando da chegada da Corte portuguesa.
"A difusão só iria ocorrer com a expansão das
obras ferroviárias", especialmente a Estrada de Ferro de Petrópolis,
em 1854, e a Companhia Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1864, conforme
descrito no capítulo "Obras de contenção: tipos,
métodos construtivos, dificuldades executivas", do livro Fundações
- Teoria e Prática, editado pela PINI.
Uma vez que as contenções se dividem entre obras de corte
e de aterro, as demandas evolutivas também são diferenciadas.
As primeiras geralmente têm de lidar com a questão do espaço
- e por isso são comuns em obras urbanas. Para as demais
está dentre os maiores desafios manter os custos baixos, assim
como a demanda por mão-de-obra e materiais.
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| Contenções com perfis metálicos
e pranchões em madeira ou concreto surgiram para diminuir as
perdas de terreno |
Tanto que, à época da escravidão no Brasil, surgiram
os chamados "muros de cantaria". Os escravos, cantando -
e daí vem o nome -, empilhavam pedras até que o peso
fosse suficiente para conter o aterro a ser executado. Eram os primeiros
muros de gravidade, inspirados nas mais antigas obras de contenção
da humanidade, que remetem aos muros de alvenaria de argila na região
sul da Mesopotâmia, construídos entre 3.200 e 2.800 a.C.
Os gabiões e o crib wall são a evolução
natural dessa técnica. O ocaso da segunda, estrutura formada por
elementos pré-moldados montados em forma de fogueira e preenchida
com material local, se deu justamente em virtude dos primeiros. "Não
lembro de nenhum caso recente de uso de crib wall, o gabião tem
execução mais simples", comenta Jaime Domingos Marzionna,
da Engeos Engenharia e Geotecnia e professor assistente da Escola Politécnica
da USP (Universidade de São Paulo).
Algo semelhante ocorre com os muros de flexão e de contrafortes,
que têm o lastro na própria terra. Perderam espaço
para a chamada terra armada, em que há a formação
de um corpo monolítico que atua de forma única. Caso dos
muros de geotêxteis, compostos por mantas dobradas. Os gabiões,
versáteis, também estão presentes nesse campo, quando
recebem telas compridas que atuam como tirantes e reforçam o solo.
"Quando não é possível adaptar uma tecnologia,
ela cai em desuso", explica Marzionna.
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| Demanda por mais vagas de estacionamento levou ao
uso intensivo dos subsolos, o que exigiu contenções
que interceptassem o lençol freático, caso das paredes-diafragma |
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