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Contenções - Especial 60 anos

Terras estáveis


Sistemas de contenção de taludes mais modernos evitam perda de área e permitem escavações mais profundas


Por Bruno Loturco


Advento dos tirantes alterou a concepção das obras de contenção, que até então se baseavam no peso das estruturas e no reaterramento dos taludes
A comparação entre a evolução histórica das contenções de taludes e dos aterros e a evolução das técnicas e tecnologias apenas brasileiras para o mesmo fim têm uma semelhança marcante: a demanda por novos conceitos. O desenvolvimento das técnicas e tecnologias de contenção foi motivado pela expansão colonizadora européia, no século 16, que requereu a construção de estruturas de defesa e fortificações militares em terrenos bastante diversos.

Esses mesmos tipos de contenções chegaram ao Brasil no século 18 para serem aplicados em fortes costeiros, sendo adotados também para obras portuárias e de contenções urbanas, na Bahia e no Rio de Janeiro, quando da chegada da Corte portuguesa. "A difusão só iria ocorrer com a expansão das obras ferroviárias", especialmente a Estrada de Ferro de Petrópolis, em 1854, e a Companhia Estrada de Ferro Dom Pedro II, em 1864, conforme descrito no capítulo "Obras de contenção: tipos, métodos construtivos, dificuldades executivas", do livro Fundações - Teoria e Prática, editado pela PINI.

Uma vez que as contenções se dividem entre obras de corte e de aterro, as demandas evolutivas também são diferenciadas. As primeiras geralmente têm de lidar com a questão do espaço - e por isso são comuns em obras urbanas. Para as demais está dentre os maiores desafios manter os custos baixos, assim como a demanda por mão-de-obra e materiais.

Contenções com perfis metálicos e pranchões em madeira ou concreto surgiram para diminuir as perdas de terreno

Tanto que, à época da escravidão no Brasil, surgiram os chamados "muros de cantaria". Os escravos, cantando - e daí vem o nome -, empilhavam pedras até que o peso fosse suficiente para conter o aterro a ser executado. Eram os primeiros muros de gravidade, inspirados nas mais antigas obras de contenção da humanidade, que remetem aos muros de alvenaria de argila na região sul da Mesopotâmia, construídos entre 3.200 e 2.800 a.C.

Os gabiões e o crib wall são a evolução natural dessa técnica. O ocaso da segunda, estrutura formada por elementos pré-moldados montados em forma de fogueira e preenchida com material local, se deu justamente em virtude dos primeiros. "Não lembro de nenhum caso recente de uso de crib wall, o gabião tem execução mais simples", comenta Jaime Domingos Marzionna, da Engeos Engenharia e Geotecnia e professor assistente da Escola Politécnica da USP (Universidade de São Paulo).

Algo semelhante ocorre com os muros de flexão e de contrafortes, que têm o lastro na própria terra. Perderam espaço para a chamada terra armada, em que há a formação de um corpo monolítico que atua de forma única. Caso dos muros de geotêxteis, compostos por mantas dobradas. Os gabiões, versáteis, também estão presentes nesse campo, quando recebem telas compridas que atuam como tirantes e reforçam o solo. "Quando não é possível adaptar uma tecnologia, ela cai em desuso", explica Marzionna.

Demanda por mais vagas de estacionamento levou ao uso intensivo dos subsolos, o que exigiu contenções que interceptassem o lençol freático, caso das paredes-diafragma
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