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Pré-moldados vencem grandes vãos
e mais de 40 m de altura, mas o principal
avanço tecnológico desse sistema foi o desenvolvimento
de estruturas mistas |
A primeira obra com elementos pré-moldados de concreto do Brasil
foi executada em 1926, na então capital Rio de Janeiro. Na época,
a filial brasileira da construtora dinamarquesa Cristhiani-Nielsen ficou
responsável pela construção do Hipódromo da
Gávea.
Segundo o engenheiro Augusto Carlos de Vasconcelos, em seu livro "O
Concreto no Brasil: Pré-fabricados, Monumentos e Fundações",
a obra bateu o recorde sul-americano de produção de estacas
pré-moldadas para fundações. Foram produzidos mais
de 8 km de peças com até 24 m de comprimento. O Cimento
Portland usado era o Aarlborg, importado da Dinamarca, que apresentava
endurecimento rápido e permitia obter, aos três dias de idade,
a resistência normalmente obtida depois de quatro semanas. A obra
também contava com muros pré-moldados de 2,5 m de altura
e 3,5 km de extensão.
Mas o uso dos pré-moldados no país intensificou-se apenas
na década de 1950. No Estado de São Paulo, a Construtora
Mauá utilizou a tecnologia na execução de diversos
galpões industriais. Os elementos eram produzidos deitados, concretados
uns sobre os outros numa seqüência vertical. Logo que endurecia,
a peça de concreto inferior era coberta com papel parafinado e
iria servir como fôrma de base para a peça seguinte. Em seguida,
as fôrmas metálicas laterais e as armaduras dos elementos
pré-moldados eram preparadas para a execução da concretagem.
Com esse método, era possível produzir até dez peças
empilhadas, com elevada produtividade e poucos gastos com o escoramento
das fôrmas.
Inovação importante surgiu na segunda metade daquela década,
com a fábrica de pré-moldados de concreto protendido Protendit.
As primeiras peças fabricadas com a nova tecnologia pela empresa
foram as estacas pré-moldadas de seção 15 cm x 15
cm e quatro fios de protensão de 5 mm de diâmetro. Com isso,
era possível reduzir brutalmente o consumo de material e os custos
de produção das peças, em comparação
com as então tradicionais estacas maciças de 20 cm x 20
cm. A cravação do novo produto mostrava-se mais fácil,
segundo empresas executoras de fundações: a menor seção
e a pré-compressão tornavam o elemento mais rígido
para a propagação das ondas de choque da cabeça da
estaca à sua ponta.
Nas últimas três décadas, o desenvolvimento de estruturas
mistas esteve, para a engenheira Íria Licia Oliva Doniak, diretora-executiva
da Abcic (Associação Brasileira da Construção
Industrializada de Concreto), entre os principais avanços tecnológicos
do segmento. "Atualmente existem edifícios no Brasil de até
20 andares utilizando vigas protendidas pré-fabricadas, lajes alveolares
e pilares moldados no local", afirma Íria.
O desenvolvimento tecnológico não pára por aí.
No País, as principais pesquisas relacionadas com a tecnologia
estão em desenvolvimento no Netpre (Núcleo de Estudo e Tecnologia
em Pré-Moldados de Concreto) da UFSCar (Universidade Federal de
São Carlos), principalmente no segmento de lajes alveolares e ligações.
"O desempenho em relação a cisalhamento e flexão
de lajes alveolares tem correlação direta com o uso desses
elementos em edifícios altos", afirma Íria, da Abcic,
entidade parceira do Netpre. Segundo a engenheira, assim como vem ocorrendo
na Europa, existem perspectivas para a expansão do mercado desse
tipo de construção no Brasil.
Ontem x hoje
1963 – Jogos Pan-americanos de São Paulo
As
provas de boa parte das modalidades esportivas do Pan-1963 seriam disputadas
no complexo poliesportivo da Universidade de São Paulo, localizado
na Cidade Universitária. O alojamento dos atletas ficaria do lado
do complexo, nos apartamentos do conjunto residencial que a USP (Universidade
de São Paulo) já planejava construir para abrigar seus alunos
de fora da capital.
Para garantir a conclusão da construção do conjunto
antes da Competição, o governo estadual impôs pesadas
multas às construtoras que não cumprissem os prazos estipulados
em contrato. Uma das empresas escolhidas para as obras, a Ribeiro Franco,
propôs a execução dos blocos de apartamentos totalmente
em estruturas pré-moldadas reticuladas. Mas como as equipes de
engenharia envolvidas não tinham experiência com a tecnologia,
decidiu-se, por precaução, dividir a obra: uma empresa construiria
metade dos blocos em estrutura convencional, de concreto armado, e a Ribeiro
Franco, a outra metade, em pré-moldados. No final da obra, um fato
curioso: os prédios em concreto armado ficaram prontos antes dos
pré-moldados, em função das dificuldades técnicas
enfrentadas pela construtora com a nova tecnologia. Mas o conjunto é
ainda hoje conhecido como a primeira obra residencial realizada em pré-moldados
no País.
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