Poucos duvidam que o Complexo Viário Real Parque, uma das maiores
obras viárias em execução na capital paulista, será
um novo marco urbano da cidade. Obra-de-arte rara no mundo, possui dois
tabuleiros estaiados em curva, com 18 pares de estais ancorados em um
enorme "X" de 138 m. Dá mostras claras do potencial da
engenharia civil no País e do desejo da metrópole em ganhar
um novo cartão-postal. Lança, entretanto, pelo menos duas
polêmicas: por que a opção por uma ponte estaiada
se haviam outras soluções econômicas e, ao mesmo tempo,
viáveis sob o ponto de vista técnico? Por que investir tanto
em uma obra que, numa rígida escala de prioridades, não
ocuparia as primeiras posições em uma megalópole
repleta de problemas como São Paulo? Projetistas entrevistados
por Téchne garantem que soluções estaiadas são
indicadas para vencer vãos superiores a 200 m – o rio Pinheiros
ocupa pouco mais de 150 m naquele trecho. A segunda crítica refere-se
à eficiência do ponto de vista da engenharia de tráfego.
Por enquanto, a ponte deve aliviar a congestionada avenida dos Bandeirantes,
principal via de escoamento para a Rodovia dos Imigrantes enquanto o trecho
Sul do Rodoanel Mário Covas não fica pronto. De outro lado,
os mais de R$ 230 milhões gastos na obra, dizem os críticos,
seriam suficientes para construir ao menos 3 km de linha de Metrô.
Eis aqui uma importante questão também tratada na revista
Construção Mercado no 80, de março/2008: até
quando continuaremos míopes sem enxergar a premente necessidade
de se investir em transporte coletivo em São Paulo? A cidade terá
que travar (literalmente) para que se reconheça a falência
do modelo voltado exclusivamente ao automóvel particular? A despeito
de tais questões, cabe-nos destacar de forma enfática a
capacidade dos projetistas e das construtoras brasileiras na execução
de grandes obras como o Complexo Viário Real Parque. Mais um motivo
de orgulho para a engenharia nacional.