Perfil
Nome: Dácio Araújo Benedicto Ottoni
Idade: 72 anos
Graduação: arquitetura pela FAU-USP (Faculdade
de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo) em 1960
Especializações: em Arte e Arquitetura
pelo Museu de Arte Contemporânea, em 1963; em Arquitetura e Urbanismo
pela USP, entre 1964 e 1965, pela Universidade de Florença, na
Itália, em 1967, e pelo Instituto de Arquitetos do Brasil, em
1969; doutorado em Arquitetura e Urbanismo pela USP, em 1973, e especialização
em Desenho de Arquitetura e Urbanismo pela Fundação para
a Pesquisa Ambiental da USP, em 1985
Instituições nas quais trabalhou: Horizonte
Arquitetos, Ottoni Arquitetos Associados, FAU-USP e IAB-SP
A opção por uma carreira ligada à construção
civil foi natural para o arquiteto Dácio Araújo Benedicto
Ottoni. Dentro de casa, influenciaram sua decisão os exemplos do
pai, engenheiro civil construtor de ferrovias e diretor da Companhia Mogiana
de Estradas de Ferro, e do irmão mais velho, David Ottoni, que
havia se formado arquiteto pela Escola Politécnica em 1950. O então
adolescente, além de se interessar por História Geral, ainda
gostava de desenhar. Coincidência ou não, ambientes construídos
e jardins eram temas recorrentes em sua produção nos exercícios
realizados em sala de aula durante o colégio. Um professor, ao
notar o interesse de Ottoni, incentivou-o a cursar arquitetura.
Ele aceitou a sugestão e ingressou no curso da Universidade de
São Paulo em 1955. Freqüentava as aulas na Faculdade de Arquitetura
e Urbanismo da rua Maranhão, na região central de São
Paulo. Durante o curso, participava de grupos de estudos sobre obras produzidas
por arquitetos notórios, como Frank Lloyd Wright. Em 1959, após
o falecimento de Wright, organizou com o grupo uma grande exposição
sobre as obras do arquiteto, apoiada e financiada pelo consulado norte-americano
de São Paulo.
Para Dácio Ottoni, "a arquitetura e a cidade são
um espelho fiel da sociedade que as produziu". E o arquiteto, ainda
cursando a faculdade, identificara o fenômeno pelo qual a sociedade
brasileira passava à época da construção de
Brasília: "Um processo planejado de industrialização
e desenvolvimento que vinha tomando forma desde a década de 1930,
com o fim da República do Café-com-Leite".
Entusiasmado, o então estudante pegou um avião e foi visitar
as obras de construção da futura capital brasileira. Em
Brasília, circulou pelo enorme canteiro, com caminhões e
terra por todos os lados, mas deparou-se também com a ainda precária
infra-estrutura de recepção aos visitantes da cidade. Depois
da procura frustrada por algum alojamento, voltou ao aeroporto para agendar
seu vôo de volta no mesmo dia. Ao explicar sua situação
à balconista, foi interrompido por um homem que lhe indicou um
hotel onde poderia ser acolhido e o convenceu a esticar a estadia. "Um
estudante de arquitetura não pode deixar de conhecer melhor o que
está ocorrendo aqui", disse-lhe. O homem era Osvaldo Maia
Penido, chefe do Gabinete Civil e um dos principais planejadores do governo
Juscelino Kubitschek. Meses depois, Ottoni voltaria à cidade com
Rui Ohtake e Helvio Guatelli, que oferecera o transporte, um jipe emprestado
de seu irmão, no qual viajaram de Belo Horizonte a Brasília
para acompanhar a inauguração da nova capital.
Depois de se formar, montou com os colegas de faculdade Artur Fajardo,
Eduardo de Almeida, Henrique Pait e Ludovico Martino o escritório
Horizonte Arquitetos, no qual trabalhou em projetos de arquitetura e artes
gráficas. Em 1967 o grupo passou a desenvolver trabalhos com o
arquiteto Sérgio Bernardes. Tempos depois, passou a cuidar de negócios
da família, em Minas Gerais, que exigiam constantes viagens. Antes
que suas ausências causassem problemas ao grupo, preferiu comunicar
sua saída.
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